Se a cúpula das Nações Unidas foi sempre marcada por tensões entre delegações, os organizadores destacam que, neste ano, o clima é “especialmente difícil” por conta de a programação ter, já em sua abertura, dois líderes em plena crise política.
Ambos usarão a mesma sala, antes de subir para o pódio. Num contexto normal na diplomacia, as duas delegações não teriam problemas em se cruzar, como de fato já ocorreu em diversas oportunidades. Mas com a tensão em alta, a ordem por enquanto no serviço de protocolo da entidade é a de organizar as comitivas para que os dois presidentes sequer estejam no mesmo lugar, ao mesmo tempo.
Lula, segundo fontes do Itamaraty, usará o discurso em uma sala lotada para marcar os 80 anos da ONU para mandar um recado de que nem o Brasil e nem potências emergentes pelo mundo estarão dispostas a serem chantageadas ou atacadas, numa alusão aos EUA.
A soberania, portanto, é a recusa em aceitar qualquer ingerência em assuntos domésticos, como fez Trump diante do julgamento de Jair Bolsonaro por golpe de estado.
O Palácio do Planalto acredita que Lula não estará sozinho na defesa da soberania. Um recente projeto da China sobre o que acredita quer a ordem internacional coloca também o respeito pela soberania como um dos pilares. Governos como o da África do Sul fortemente atacados por Trump, e mesmo países europeus, também apontarão para o fato de que chegou o momento de reagir diante da ofensiva americana.
Na ONU, o próprio secretário-geral António Guterres, vem alertando sobre os riscos de medidas unilaterais que enfraquecem o sistema multilateral e o direito internacional.





