O presidente Lula (PT) anunciou, na noite desta segunda-feira 20, a nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) como o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. A confirmação ocorreu um dia antes de Lula embarcar para uma viagem oficial à Indonésia e à Malásia.
Boulos substituirá Márcio Macêdo (PT), que deverá ser realocado em outra função no Partido dos Trabalhadores. A troca se concretiza fora do calendário da reforma ministerial prevista para abril de 2026 — quando acontece a desincompatibilização eleitoral — e é vista como uma movimentação estratégica de Lula para reforçar os laços do governo com os movimentos populares e a militância de esquerda.
O anúncio da mudança ocorreu após uma reunião nesta segunda-feira entre Lula, Boulos e Macêdo, com a presença dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social). A nomeação constará da edição desta terça do Diário Oficial da União.
Com assento direto no Palácio do Planalto, a Secretaria-Geral é uma das pastas mais próximas do presidente e tem papel central na articulação social e política da Presidência. A expectativa é que Boulos lidere uma retomada do diálogo com organizações e redes de base que expressavam insatisfação com o ritmo das políticas sociais do governo.
Em nota, a presidenta do PSOL, Paula Coradi, afirmou que Boulos “sempre apostou na mobilização popular como instrumento de transformação social”.
“Sua entrada no ministério irá contribuir para organizar novas mobilizações sociais a favor da agenda que interessa ao povo brasileiro e contra as ofensivas da extrema-direita e do Centrão”, completou.
Quem é Guilherme Boulos
Guilherme Boulos, 43 anos, é deputado federal por São Paulo e uma das principais lideranças da esquerda. Formado em Filosofia pela USP, tornou-se conhecido nacionalmente como coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), organização que atua na luta por moradia e justiça social.
Filiado ao PSOL desde 2018, Boulos foi candidato à Presidência naquele ano e, em 2020, disputou a prefeitura de São Paulo, chegando ao segundo turno contra Bruno Covas (PSDB). Em 2022, foi eleito um dos deputados federais mais votados do País. No ano passado, concorreu novamente a prefeito da capital paulista e parou mais uma vez no segundo turno, com a vitória de Ricardo Nunes (MDB).





