O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) tentou questionar Igor Dias Delecrode, dirigente da Associação de Amparo Social do Aposentado e Pensionista (AASAP), durante a sua oitiva na CPMI do INSS desta segunda-feira (10/11), mas se frustrou com o silêncio do empresário.
O caso se deu diante do Habeas Corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao depoente, que é investigado por envolvimento no esquema de desvios ilegais em aposentadorias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por isso, o empresário ficou em silêncio.
Delecrode e os demais sócios da AASAP são apontados como uma beneficiados pelos descontos associativos indevidos. A empresa também é investigada por criar um sistema próprio de biometria para fraudar assinaturas de aposentados.
Moro questionou se o empresário pagou propina a servidores públicos.
“Veja, se não pagou, é muito simples o senhor responder que não. E quem tem que provar isso, o ônus, é sempre da acusação. Agora, quando se faz uma pergunta dessa, sim ou não, pura e simples, para o senhor, e o senhor não responde, o que é que o senhor acha que nós, parlamentares, pensaremos, e relator aqui responsável, nesta CPMI, de fazer o relatório? E dois: e a população brasileira?”, disse Moro.
O depoente disse que iria permanecer em silêncio. Ele manteve a mesma postura para os demais questionamentos dos parlamentares.
“E eu fui juiz por 22 anos, interroguei traficante de drogas, interroguei ladrões do erário, e tinha muita gente que chegava lá e respondia. Às vezes, inocente, às vezes culpado. Mas uma coisa que a gente aprendeu é que quando você tem um investigado, um acusado que não tem uma boa história, que não tem um álibi que se preste a apresentar, ele fica em silêncio. E essa é uma orientação que é legítima do advogado, não estou criticando isso. Mas quando o senhor fala isso numa CPMI televisionada, o senhor está, na prática, colocando para toda a população brasileira que o senhor não tem uma resposta”, disse.
Farra do INSS
- O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023.
- Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
- As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).
- Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril deste ano e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.





