Início GERAL Abílio vai da gravidez de servidoras a aumento abusivo de imposto

Abílio vai da gravidez de servidoras a aumento abusivo de imposto


Secom-Cuiabá

O bolsonarista Abílio Brunini, que ganhou o apelido de “prefeito tik tok”,por se expor demais nas redes sociais. Na maioria das vezes, apenas para “lacrar” com os seguidores

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), que demonstra uma exagerada afeição pelo mundo digital, repetindo a prática de outros nomes da extrema-direita que preferem motivar seus seguidores pela desinformação do que com a verdade, voltou a se envolver em polêmicas por causa de sua falta de zelo nas posições públicas e compromissos assumidos e/ou discutidos.

Abílio, que se vale apenas do seu número de seguidores nas mídias sociais e dos likes e curtidas recebidas como referência à sua gestão, foi duramente criticado, nos últimos dias da semana passada, por posições e insinuações em relação às servidoras públicas grávidas em Cuiabá e pelo fato de ter manobrado para fazer a Câmara Municipal aprovar o aumento na carga tributária da Capital do Estado – notadamente, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

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Quando cobrado, o bolsonarista jogou a responsabilidade para o Governo Lula (PT), pela Reforma Tributária, que vai unir o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços), principal receita de estados e municípios, na proporção de 75% para de Mato Grosso e 25% para as 142 cidades, e o ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza).

Este último, por sinal, de competência exclusiva dos municípios, mas só será fundido ao ICMS em 2033, sendo, portanto, o atual aumento de sua inteira responsabilidade, bem como dos vereadores de Cuiabá.

O prefeito, que, ao longo de sua trajetória política sempre preferiu ser mais polêmico do que racional, é a figura central de um áudio que viralizou nas redes sociais.

A gravação foi publicada pelo UOL, do Grupo Folha de São Paulo, em matéria assinada pelo jornalista Lázaro Thor, em outubro de 2024.

Num debate com servidores municipais, ele insinuou que servidoras da Prefeitura ficariam grávidas apenas para receberem vantagens financeiras. E ainda “torceu” para que elas não ficassem grávidas ao mesmo tempo.

A fala ocorreu em encontro para discutir o pagamento de adicional de insalubridade e o benefício intitulado “Prêmio Saúde”, que, mensalmente, ele usa como forma de propaganda subliminar, quando paga o salário do mês trabalhado e mais o penduricalho.

Na reunião, Abílio insinuou que iria criar um local específico para lotar todas as mulheres que estivessem gravidas, para evitar ter que pagar insalubridade, já que, licenciadas, elas não teriam produtividade. Após vários apelos, ele sinalizou pela criação de uma lei que regulamentasse a situação.

O Palácio Alencastro, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), emitiu uma nota oficial, na qual afirma que a fala do prefeito foi “retirada do contexto” e que não refletiria a realidade da administração municipais, nem os valores da gestão, “que tem como princípio a valorização das mulheres e o respeito aos direitos das servidoras públicas”.

Veja a reportagem AQUI.

CONFRONTO COM EMPRESÁRIOS – Em outra polêmica, na quinta-feira (8), Abílio Brunini entrou em confronto direto com empresários e com Margareth Buzetti (PP), ex-senadora e empresária do Distrito Industrial de Cuiabá. Foi durante uma reunião em que os empresários demonstravam estar atônitos com o aumento em dois impostos municipais, o IPTU, que pode chegar a 40%, e o ISSQN, que subiu de 3% para 5% – 60% de reajuste.

O que causou a celeuma foi a fala do prefeito ao vincular os aumentos à Reforma Tributária, proposta pelo Governo Federal e aprovada pelo Congresso Nacional, com o voto da empresária, a época, exercendo o mandato de senadora. Indignada, ela retirou do evento e, depois, publicou em suas mídias sociais as promessas de campanha do então deputado federal Abílio, hoje prefeito de Cuiabá, de que não aumentaria impostos.

Vale registrar que o prefeito não esconde o ódio ao presidente Lula, em meio à exaltação quase diária à figura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na sede da PF, em Brasíla, após ser condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

Na mesma reunião, Abíli aproveitou para criticar os vereadores Dídimo Vovô (PSB) e Daniel Monteiro (Republicanos), acusando-os de serem críticos, mas sequer terem participado da sessão que apreciou as correções da planta genérica de Cuiabá e do ISSQN.

Monteiro estava presente à reunião com os empresários e já tinha tentado agendar uma audiência oficial, mas não tinha obtido retorno. O mesmo acontecendo com a deputada Janaina Riva (MDB), que recebeu o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci/MT), Claudecir Conttreiras, e formalizou ao secretário de Governo de Cuiabá, Ananias Silva, que o prefeito Abílio Brunini se reunisse com os empresários.

O vereador respondeu à altura, em suas mídias sociais, e aproveitou para apresentar uma postagem feita por ele, no dia da sessão, em que foram apreciados os aumentos de impostos. O que ocorreu, segundo Daniel Monteiro, “na calada da noite” e contrariando o próprio discurso de campanha de Abílio Brunini, que era contra aumento de impostos de qualquer natureza.

“A senadora Margaret Buzetti acertou. Você, prefeito, é bom em jogar a culpa nos outros. Você é bom em terceirizar responsabilidades. Objetivamente, por que você prometeu, na campanha eleitoral,que não iria aumentar imposto e aumentou na calada da noite, no dia 19 de dezembro, em regime de urgência? Essa é a pergunta. Não tente fugir. Não tente tangenciar a conversa, porque você aumentou o imposto no apagar das luzes da Câmara Municipal, em regime de urgência”, disse Daniel Monteiro.

O vereador, por sinal, foi convidado por Abílio, no início de 2025, para assumir a Secretaria de Educação de Cuiabá e recusou o convite.

Mais adiante, Daniel Monteiro assinalou que: “Como o senhor gosta muito de rede social, olha no meu Instagram, no meu feed, que você vai ver, no mesmo dia 19 de dezembro, uma hora, 30 minutos antes da votação, que você fala que eu não estava presente na sessão da Câmara Municipal. Veja que eu defendendo o povo cuiabano para não pagar um IPTU mais alto. Eu não vou compactuar com o aumento de imposto na canetada para salvar a conta de um prefeito que não sabe cortar gastos da máquina administrativa, não sabe cortar na própria carne. Estou defendendo o povo cuiabano contra um aumento de 40% no IPTU, que o senhor propôs em regime de urgência”.

O vereador completou tachando o prefeito de “mentiroso”. “Ao invés de mentir, de inventar que eu não estava na Câmara Municipal, porque, repito, está aqui no meu Instagram: dia 19, uma hora antes da votação, eu falando contra o seu aumento de IPTU que o senhor falou que não ia fazer e fez”, finalizou.

Já o presidente do CeciI/MT, Claudecir Conttreiras, em sua fala diretamente ao prefeito Abílio Brunini, assinalou: “O senhor fez um discurso na sua campanha. Eu lembro. Eu votei no senhor. Eu sou o seu eleitor, e isso me credencia a cobrá-lo. O senhor disse com essas palavras: ‘Á medida que diminui seu imposto, aumenta o emprego”.

“E a gente acreditou. Eu acredito. A minha linha direita acredita nisso. A minha linha direita acredita em uma cidade organizada. A minha linha direita não acredita que tributar empresários possa dar algum resultado efetivo”, completou, falando em nome dos empresários e comerciantes presentes,

Mais adiante Conttreiras, observou: “O emprego é gerado porque nós trabalhamos, produzimos para gerar emprego, trabalho e renda. E é essa a nossa missão. Eu espero que o senhor nos respeite mais e, a partir de agora, nos chame para o diálogo, antes de adotar um aumento que vai estrangular a economia de Cuiabá”.

O prefeito reafirmou que os aumentos propostos seriam mínimos em relação aos aprovados pela bancada de Mato Grosso na Câmara Federal e no Senado, com os votos dos senadores Jayme Campos (União) e Margareth Buzetti (PP), que, segundo ele, “vão enterrar a economia do Brasil”.

Margareth Buzetti não deixou por menos e publicou, em suas mídias sociais, uma série de informações e post do próprio Abílio Brunini.

“Vocês lembram dessa promessa de campanha do prefeito Abílio?”, questiona ela, que colocou então uma entrevista do então candidato ao Alencastro, em 2024: “Como assim a redução do imposto vai aumentar a arrecadação? Porque a gente, reduzindo o imposto, a gente estimula a abertura de novos negócios e a base aumenta. Então, vai ter mais gente produzindo, mais gente trabalhando no nosso município, mais gente gerando receita para o município. O segredo do aumento da arrecadação não é aumentar imposto. Aumentar imposto faz quebrar empresas, faz fechar negócios. É uma estratégia errada”.

Novamente Margareth Buzetti retruca: “A campanha acabou. Ficou para trás. Como prefeito, ele sancionou um aumento do ISSQN, elevando a alíquota de 3% para 5%. Isso é aumento de impostos sim, e quem paga essa conta são os empresários, os prestadores de serviço, que gera emprego na nossa sociedade”.

Mais adiante, a empresároa destaca: “Os empresários estavam reunidos exatamente por causa desse aumento. E o que vimos foi mais uma tentativa de desviar o foco. Jogar a culpa nos outros e de atacar quem o questiona. Quando alguém se posiciona contra ele (Abílio) enfrenta a reação. É sempre a mesma tentativa de desqualificar e interromper, diminuir. Isso não é postura de gestor. É autoritarismo. É a velha ideia da política de quem se acha dono da Direita. Dono da verdade, Dono da sociedade”.

Ela ainda ressaltou que o prefeito negou ter afirmado que existiam empresas fantasmas no Distrito Industrial de Cuiabá, afirmando que essa fala não teria saído da boca dele.

“Vou provar que foi ele quem disse”, afirmou Margareth Buzetti, expondo trecho de entrevista em que o prefeito assinala: “A maioria das empresas que foram colocadas no Distrito Industrial de Cuiabá são empresas fantasmas, de certa forma”.

Novamente ela ressaltou: “Está gravado. Não é opinião. Não é narrativa. Não é interpretação. São palavras do próprio prefeito. Ele governa uma cidade atacando empresários, aumentando impostos e depois finge que nunca disse o que disse. Cuiabá precisa de respeito, diálogo e seriedade. Eu não vou me calar diante de contradições, ataques e tentativas de intimidação. Promessa de campanha não governa a cidade. Coerência, responsabilidade e respeito sim”.





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