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O dia em que o diplomata filho de diarista conheceu o presidente


Ele viralizou. Após o Metrópoles contar a história de superação do garçom filho de diarista que virou diplomata, Douglas Rocha Almeida foi parar no Palácio do Planalto, apertando a mão do presidente da República, ao lado da mãe, toda orgulhosa. Mais uma vez, ele detalhou à reportagem como aconteceu esse encontro histórico.

Douglas foi chamado para comparecer à sede do Poder Executivo nessa quarta-feira (14/1), às 10h. A única informação que tinha era de que conheceria o embaixador Fernando Igreja, do cerimonial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já no palácio, ele foi recepcionado pelo diplomata Hugo Lins, que lhe mostrou o lugar.

“Conversamos longamente. Por volta de meio-dia, encontrei-me na sala do embaixador. Nós conversamos sobre a carreira, ele me parabenizou e perguntou se haveria a possibilidade de eu ter uma audiência com o presidente Lula e se minha mãe poderia participar do encontro”.

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Arquivo pessoal

Dona Cida, porém, estava longe do centro de Brasília. Em casa, a cerca de 60km de distância, em Luziânia, cidade do Entorno do Distrito Federal. Contudo, a esposa de Douglas, Hellen Leite, estava a caminho da capital e deu uma carona à sogra, que ficou muito entusiasmada para conhecer o presidente.

“Até ela chegar, fui com o embaixador e alguns diplomatas almoçar em um restaurante na Vila Planalto. A gente pediu a comida e logo em seguida ela chegou. Depois, voltamos ao Planalto, por volta das 14h30. Eu e minha mãe então esperamos ser chamados em um mezanino. Era a tão sonhada reunião com o presidente Lula, né? A gente estava ali na maior expectativa e minha mãe, radiante. Tirei várias fotos dela por lá — tem inclusive uma mesa que conta a história do presidente nessa ala e ela ficou encantada, queria tirar foto com a mesa”, relembra achando graça.

Chegada a hora

Por volta das 15h30, eles foram encaminhados ao gabinete presidencial após deixarem os celulares na recepção. “Entramos na sala eu, minha mãe e o embaixador Igreja. Lá estavam o presidente Lula; a primeira-dama, Janja da Silva; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e toda a equipe de comunicação, todos nos filmando”.

“O presidente Lula então abraçou a minha mãe de uma forma muito calorosa, deu um beijo no rosto dela, que a deixou bastante feliz e emocionada. Depois, ele me cumprimentou, a gente deu um abraço forte e teve uma conversa que durou cerca de 30 minutos — não é qualquer autoridade que tem esse tempo com o presidente, não hein”, afirmou orgulhoso.

Segundo o diplomata, Lula se interessou bastante por sua história e foi muito atento na escuta, mas quem brilhou mesmo foi Dona Cida, que contou com detalhes sua trajetória, fonte de inspiração para o filho.

“A minha mãe disse que saiu da roça, em Minas Gerais, onde trabalhava desde os oito anos de idade plantando mandioca. Com o dinheiro que ganhava, ela conseguia comprar as Havaianas que usava. Disse ainda que a minha avó deixava que ela estudasse na escola duas vezes por semana, mas pedia que ela trabalhasse na roça três vezes”.

“Depois disso, ela falou que, aos 13, veio a Brasília para trabalhar como empregada doméstica. Um casal a trouxe de São Francisco, mas o homem, depois de um tempo, começou a assediá-la. Ela então reportou o caso à patroa, mas acabou sendo expulsa da casa. O homem inventou que a minha mãe o estava provocando. Foi quando ela precisou dormir na rua, por um dia”.

Na manhã seguinte, Cida contou que uma senhora a encontrou na rua e a chamou para trabalhar em sua casa. Mesmo sem poder pagar um salário, ela ofereceu um lugar para morar, comida e roupas. A casa, coincidentemente, era de um diplomata espanhol, onde Dona Cida ficou por muitos anos. 

A mãe de Douglas ainda disse a Lula que tinha um sonho antigo de ser policial e o presidente a incentivou a estudar e buscar esse sonho – Dona Cida tem formação apenas até o 4º anos escolar e criou sozinha os filhos enquanto trabalhava.

 

 

Depois, Douglas também contou sua história inspiradora, assim como fez ao Metrópoles. “Falei da minha educação, sempre em escola pública. Falei do ProUni, programa lançado pelo próprio presidente Lula em seu governo passado, e que ele e o ministro Haddad demonstraram bastante interesse. Falei do mestrado, que eu tive bolsa Capes e o que me inspirou para a carreira da diplomacia. Foi uma conversa longa e bastante emocionante.”

No fim, eles tiraram muitas fotos oficiais e saíram realizados do momento único. Dona Cida disse que ficou com as pernas bambas. “Depois, a gente dirigiu do Planalto para Luziânia, e ela não parava com o celular, conversando com os familiares, com amigos, contando o que aconteceu, mandando muitos áudios. Enfim, muito felizes”.



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