O “Conselho da Paz” de Donald Trump não passa de um simulacro da Organização das Nações Unidas e deveria ser ignorado pelos governantes convidados a integrá-lo, afirmou a CartaCapital o ex-chanceler Aloysio Nunes. Segundo ele, o Brasil tende a não sofrer retaliações de Washington caso o presidente Lula (PT) rejeite o chamado.
Trump inaugurou nesta quinta-feira 22 o conselho, na presença de representantes de 19 países, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. O governo brasileiro ainda não se pronunciou formalmente.
Uma participação permanente no órgão custará 1 bilhão de dólares (ou 5,37 bilhões de reais). Trump também convidou líderes como Vladimir Putin, Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu — além do Papa Leão XIV.
Questionado se haveria o receio de novas sanções caso Lula opte por não integrar o conselho, Aloysio Nunes relembrou a postura do governo federal diante da sobretaxa imposta pela Casa Branca sobre as importações brasileiras. “O Brasil já demonstrou que não verga a espinha dorsal, e Trump parece respeitar quem não se deixa abater.”
Segundo Nunes, o “Conselho da Paz” não passa de um “simulacro de Nações Unidas que só serve para dar a Trump a alegria pueril de sentir-se o dono do mundo”. Diante disso, completa o ex-ministro, “os governantes sérios deveriam simplesmente ignorar essa proposta bizarra”.
Ainda não se sabe qual é, de fato, o escopo do “Conselho da Paz”. Inicialmente concebido como um grupo para supervisionar o cessar-fogo na Faixa de Gaza castigada por Israel, cresceu e plantou dúvidas sobre seu real alcance.





