Investigação que culminou na Operação “Gorjeta”, deflagrada nesta terça-feira (27) pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), apontou que o empresário João Chiroli recebeu R$ 1,2 milhão do Instituto Brasil Central – IBRACE, entidade privada sem fins lucrativos, e posteriormente pulverizou este valor em saques de dinheiro vivo, sendo que parte foi devolvida para Alex Jony Silva, que presidia o instituto, e ao vereador Chico 2000 (sem partido).
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O IBRACE atuava como mera “entidade de passagem” no esquema supostamente liderado por Chiroli e Chico. Em abril de 2025, após receber R$ 1.35 milhão em emendas do parlamentar, o instituto repassou 95% desse valor (R$ 1.293.000,00) para a empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda, de propriedade de Chiroli.
De posse dos R$ 1,2 milhão, o empresário então realizou as seguintes movimentações: sacou R$ 295 mil em oito transações em espécie; depois fez 9 transações que totalizaram R$ 178 mil à Chiroli Uniformes; três transferências para Alex Jony Silva, num total de R$ 142 mil; e R$ 20 mil para o pedreiro contratado por Chico para reformas na sua luxuosa pousada, situada na Estrada da Chapada, a “Estância Águas da Chapada”.
“Ressalta-se que os agrupamentos das movimentações financeiras em grandes grupos suspeitos constituem indícios de prática do delito de lavagem de capitais, sendo que, no caso em análise, o crime antecedente é, em tese, o peculato”, diz trecho do documento obtido pelo Olhar Jurídico.
A quantidade de saques realizados por Chiroli, sobretudo os de grande valor, levantou suspeitas, uma vez que o uso vultoso de dinheiro vivo já não é mais plausível ante ao atual sistema bancário (que privilegia e dá maior segurança às transações digitais). Além disso, chamou atenção das autoridades a concentração das operações em um curto intervalo — entre 09 e 29 de abril de 2025 — com valores estrategicamente fixados abaixo de R$ 50.000,00, evidenciando tentativa de burlar os mecanismos de controle.
A Autoridade Policial levanta a hipótese de que as transações investigadas constituem o primeiro estágio dentre as fases dalavagem de capitais, denominada “colocação” ou “placement”, através de técnica conhecida como “smurfing”.
Neste período, Alex Jony recebeu diretamente da conta do IBRACE à sua particular, R$ 16,5 mil em 9 de abril e R$ 9,5 mil em 30 de abril de 2025. Esse intervalo corresponde aos serviços técnicos que o instituto deveria prestar na organização e coordenação, tanto da 36.ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá quanto da 6.ª Corrida do Legislativo Cuiabano, certo é que esse foi o motivo da contratação da empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda, de Chiroli.
A operação, que cumpriu 75 ordens judiciais, investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares que teria como vítima a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes.
Entre os alvos, além de Chico 2000 e João Nery Chiroli, estão o chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior, o assessor parlamentar Joaci Conceição Silva, Alex Jony Silva e Magali Gauna Felismino Chiroli.
Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, proferida na semana passada (21). Entre as medidas estão o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis. A ofensiva foi realizada nesta terça-feira (27).





