Início GERAL Instituto canalizava dinheiro; 6 vereadores são citados em trama

Instituto canalizava dinheiro; 6 vereadores são citados em trama


Edniilson Aguiar/Arquivo

A sede da Câmara Municipal de Cuiabá, que foi alvo da Operação Gorjeta, da Políicia Civil

A decisão judicial que deu sustentação à Operação Gorjeta, da Polícia Civil, abriu a “caixa-preta” dos repasses feitos pelo Município de Cuiabá ao Instituto Brasil Central (Ibrace) e revelou um fluxo de R$ 5,48 milhões em recursos públicos transferidos, entre o fim de 2022 e abril de 2025.

O mapeamento dos valores, extraído do Portal da Transparência e analisado pela Justiça, mostrou não apenas quem destinou as emendas parlamentares, mas também a concentração significativa dos recursos em torno do vereador afastado Chico 2000 (PL).

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O parlamentar é o principal alvo da operação, deflagrada na manhã da terça-feira (27) e que investiga um esquema de desvio de emendas parlamentares da Câmara Municipal de Cuiabá.

O levantamento técnico citado na decisão aponta que a maior parte do dinheiro chegou ao instituto por meio de emendas impositivas indicadas por vereadores da capital, com destaque absoluto para Chico 2000, responsável direto ou indireto pela maior fatia dos repasses.

Os dados consolidados indicam que o vereador destinou R$ 3,55 milhões em emendas próprias ao instituto.

Além disso, participou de uma emenda compartilhada com o vereador Dídimo Vovô, no valor de R$ 200 mil.

Somados, os valores atribuídos ao parlamentar alcançam R$ 3,65 milhões.

Outros vereadores também aparecem como autores de emendas direcionadas ao Ibrace.

Luiz Fernando (Republicanos) indicou R$ 350 mil; Kássio Coelho (Podemos), R$ 400 mil; Wilson Kero Kero (PMB) destinou R$ 307 mil de forma individual e outros R$ 317.213,00, em conjunto com Lilo Pinheiro (PP).

Há ainda R$ 365.574,00, cuja autoria não foi especificada nos registros analisados.

O conjunto desses repasses fecha o total de R$ 5.489.787 transferidos ao instituto no período investigado.

Na avaliação do Judiciário, o dado que mais chama atenção é a concentração dos recursos.

A magistrada responsável pelo caso destacou que cerca de 66% de todo o dinheiro recebido pelo Ibrace teve origem em emendas vinculadas a Chico 2000, percentual considerado elevado para um único parlamentar, em um intervalo relativamente curto.

Esse padrão de concentração foi apontado como um dos elementos centrais para justificar a intensificação das investigações e a adoção de medidas cautelares, incluindo o afastamento do vereador do cargo.

EVENTOS ESPORTIVOS E CONTRATOS RECORRENTES – Os recursos públicos repassados ao instituto foram utilizados, majoritariamente, para a realização de eventos esportivos, especialmente corridas de rua, formalizadas por Termos de Fomento com a Secretaria Municipal de Esportes.

Entre os eventos citados, estão a Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá e a Corrida do Legislativo Cuiabano.

Segundo a decisão, a execução dessas ações ficou, de forma recorrente, sob responsabilidade da empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda., conhecida como Chiroli Esportes.

A repetição da mesma empresa como organizadora, aliada à velocidade com que o instituto repassava os recursos recebidos, levantou suspeitas de que o Ibrace atuaria apenas como intermediário formal dos contratos.

SUSPEITA DE DIRECIONAMENTO – Outro ponto sensível destacado pela Justiça envolve mensagens extraídas do celular do vereador Chico 2000, apreendido em operação anterior.

Os diálogos mostram conversas diretas com o empresário João Nery Chiroli sobre a organização dos eventos financiados pelas emendas, incluindo referências à participação do empresário em reuniões oficiais relacionadas aos projetos.

Para o juízo, o cruzamento entre a origem das emendas, a concentração dos valores, a escolha reiterada da mesma empresa executora e o conteúdo das mensagens forma um conjunto de indícios que aponta para possível direcionamento de recursos públicos e retorno indevido.

A Operação Gorjeta investiga, em tese, a prática de crimes como peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A análise detalhada dos repasses, do papel de cada parlamentar e da execução dos projetos continua em andamento, e a própria decisão judicial ressalta que novos desdobramentos não estão descartados à medida que o inquérito avança.





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