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Em novembro de 2025, Jair Bolsonaro recebeu uma romaria de aliados, durante sua prisão domiciliar, em Brasília
Daqui até a eleição, o principal bunker para a definição das questões estratégicas da oposição não será uma sede de partido ou gabinete em Brasília, mas sim a “Papudinha”, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso.
O movimento de bastidor é intenso e a agenda, disputada.
Já na semana que vem, Bolsonaro deve receber deputados do Rio de Janeiro e da Paraíba, além de um senador por Goiás.
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A fila de aliados que buscam a “bênção” de Bolsonaro só cresce: nesta sexta-feira (30), parlamentares do Rio, Rio Grande do Sul e Minas Gerais pediram autorização ao ministro Alexandre de Moraes para encontros.
As decisões de peso já estão saindo da cela.
Antes de ser transferido para a Papudinha, ainda na Superintendência da Polícia Federal no DF, Bolsonaro bateu o martelo sobre a escolha do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para a disputa para presidente em 2026.
Na quinta-feira (29), as questões relacionadas à eleição nacional também dominaram a conversa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que reiterou que será candidato a reeleição e reforçou apoio ao nome de Flávio.
Há, porém, limites impostos pelo Judiciário.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentou um encontro para definir estratégias e alianças para o Senado, mas bateu na trave.
Alexandre de Moraes negou o pedido, sob o argumento de que ambos respondem ao mesmo processo por tentativa de golpe, o que impede a comunicação direta.
Não é a primeira vez na história recente do Brasil que passos cruciais de uma candidatura — e a escolha do próprio candidato — são definidos de dentro da prisão.
Em 2018, o então ex-presidente Lula transformou sua cela na Superintendência da PF no Paraná, no centro nevrálgico do PT.
Naquela ocasião, foi da prisão que Lula selou o nome de Fernando Haddad como seu sucessor, após reuniões com Gleisi Hoffmann e negativas de nomes como Jaques Wagner.
A unção de Haddad para a sociedade foi feita por meio de uma carta escrita à mão por Lula e lida pelo aliado Luiz Eduardo Greenhalgh.





