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Grupo Fictor pede recuperação judicial em São Paulo


Empresa tentou comprar o Banco Master e busca renegociar R$ 4 bilhões em dívidas com suspensão de execuções por 180 dias

O Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), em uma iniciativa que, segundo a empresa, busca preservar a continuidade das atividades e os postos de trabalho. A medida abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest e formaliza a renegociação de compromissos financeiros que somam R$ 4 bilhões. As demais empresas do conglomerado ficaram fora do processo.

Nos últimos meses, a Fictor passou a atrasar pagamentos a investidores e entrou no radar da CVM. Na semana anterior ao pedido, a Justiça paulista determinou o bloqueio de R$ 150 milhões –valor estabelecido em contratos como garantia para as operadoras de cartões de crédito da Fictor Pay.

Em comunicado, a companhia afirmou que a recuperação judicial cria um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico entre credores, que pode “garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”. A estratégia inclui o pagamento das dívidas sem deságio e um pedido de tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, período destinado à negociação de um plano de recuperação. Leia a íntegra da nota (PDF – 34 kB).

Segundo a Fictor, que formalizou em março de 2025 um acordo de patrocínio com o Palmeiras, a pressão sobre o caixa teve início em novembro passado, após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. Um consórcio liderado por um sócio do grupo havia anunciado uma proposta para adquirir o controle do banco, mas a decisão regulatória, no dia seguinte, desencadeou especulações de mercado e uma sequência de notícias negativas que afetaram a liquidez da Fictor Holding e da Fictor Invest. A prisão do banqueiro e fundador do Master, Daniel Vorcaro, também contribuiu para o agravamento do cenário.

A empresa afirma que, até então, não havia registros de inadimplência e informa que já vinha adotando medidas de reestruturação, como a redução da estrutura física e do quadro de colaboradores, com foco na proteção de direitos trabalhistas.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em áreas como alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e soluções de pagamento. A principal subsidiária industrial, a Fictor Alimentos S.A., mantém unidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, com cerca de 3.500 empregos diretos e 10.000 indiretos. Essas operações não integram o pedido de recuperação e devem seguir com contratos e projetos em curso.

De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do Dasa Advogados, que coordena o processo, as atividades seguem normalmente. Para ele, a opção de restringir a recuperação ao nível corporativo busca evitar que empresas viáveis sejam afetadas pelas limitações do procedimento, enquanto a reorganização financeira avança.

BANCO MASTER 

A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e os suspeitos de bancar a operação são os sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro.

A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.



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