A primeira-secretária da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Katiuscia Mantelli (PSB), leu, na manhã desta terça-feira (5), durante sessão ordinária, o segundo pedido de cassação do mandato do vereador Chico 2000 (sem partido). O parlamentar está afastado do cargo por determinação da Justiça no âmbito da Operação Gorjeta.
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A nova representação foi protocolada pelo servidor público e jornalista Juliano Rafael Teixeira Enamoto, que sustenta a existência de quebra de decoro parlamentar diante da gravidade das acusações investigadas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). O documento agora vai à Procuradoria-geral do Município-Geral da Câmara para verificação se há indícios de admissibilidade.
No documento, Juliano argumenta que os fatos apurados pela Polícia Civil, que envolvem suspeitas de desvio de recursos públicos, associação criminosa e lavagem de dinheiro, atingem diretamente a imagem e a credibilidade do Legislativo municipal. Segundo a representação, as investigações indicam a existência de um suposto esquema estruturado para direcionar emendas parlamentares a um instituto sem fins lucrativos e a empresas privadas, com parte dos recursos retornando ao parlamentar responsável pelas indicações.
A Operação Gorjeta, deflagrada pela Deccor, resultou no afastamento cautelar de Chico 2000 do mandato, no bloqueio de bens e na imposição de outras medidas judiciais. A representação destaca ainda a repercussão negativa do caso e sustenta que a permanência do parlamentar afastado, mesmo sem exercer as funções, gera prejuízos morais e institucionais à Câmara Municipal.
O novo pedido de cassação se soma à representação apresentada na semana passada pelo ex-juiz federal e advogado Julier Sebastião da Silva, que também apontou quebra de decoro parlamentar. Naquela ocasião, Julier ressaltou que esta não seria a primeira vez que Chico 2000 se envolve em investigações policiais, lembrando que, em 2025, o vereador foi alvo da Operação Perfídia, que apurou suposto pagamento de propina para aprovação de projetos ligados às obras do Contorno Leste.
Na representação anterior, o ex-magistrado também citou o impacto financeiro para os cofres públicos, uma vez que, mesmo afastado do cargo, o vereador continua recebendo remuneração superior a R$ 30 mil. Para Julier, a repetição de operações policiais envolvendo o mesmo parlamentar amplia o desgaste institucional e compromete a confiança da sociedade no Legislativo cuiabano.
Após a leitura do primeiro pedido em plenário, a presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil (PL), afirmou que as representações seguirão os trâmites regimentais. Segundo ela, os documentos serão encaminhados à Procuradoria da Casa para análise dos requisitos de admissibilidade e, posteriormente, o parecer será submetido à votação dos vereadores, que decidirão sobre a instauração ou não de comissão processante.
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