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Câmara já recebeu dois pedidos de cassação de Chico 2000


Secom-Câmara de Cuiabá

Ex-presidente da Câmara, Chico 2000 correu o risco de ir para a cadeia, durante a operação que descobriu esquema de desvio de emendas parlamentares na Casa

Um novo pedido de cassação contra o vereador afastado Chico 2000 (sem partido) foi apresentado e lido em plenário da Câmara Municipal de Cuiabá, na manhã desta quinta-feira (5).

A iniciativa partiu do servidor público e jornalista Juliano Rafael Teixeira Enamoto, morador de Campos de Júlio (550 km a Oeste de Cuiabá).

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A leitura da representação foi feita pela primeira-secretária da Casa, Katiuscia Mantelli (PSB), e agora o documento segue para a Procuradoria do Legislativo, que irá analisar se o pedido atende aos requisitos formais para prosseguir.

A denúncia aponta possível quebra de decoro parlamentar, com base nas acusações investigadas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, no contexto da Operação Gorjeta.

Segundo o denunciante, as apurações da Polícia Civil envolvem suspeitas de desvio de recursos públicos, associação criminosa e lavagem de dinheiro, o que, na avaliação dele, compromete diretamente a imagem do Legislativo municipal.

A representação descreve indícios de um suposto esquema para direcionamento de emendas parlamentares a um instituto sem fins lucrativos e a empresas privadas, com retorno de parte dos valores ao parlamentar responsável.

A Operação Gorjeta resultou no afastamento cautelar de Chico 2000 do mandato, além do bloqueio de bens e da imposição de outras medidas judiciais.

O pedido de cassação também destaca a repercussão negativa do caso e sustenta que a manutenção do vereador afastado, ainda que sem o exercício das funções, provoca desgaste moral e institucional à Câmara.

Além do parlamentar, a investigação atingiu outros nomes, entre eles Joacyr Conceição Silva, o empresário João Nery Chiroli, proprietário da Chirolli Uniformes, a esposa dele, Magali Gayba Felismirni Chiroli, o chefe de gabinete, Rubens Vuolo Júnior, Alex Jony Silva, presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace), além de outros envolvidos citados nos autos.

O novo pedido se soma à representação protocolada, na semana passada, pelo ex-juiz federal e advogado Julier Sebastião da Silva (PT), que também apontou quebra de decoro parlamentar.

Naquela manifestação, Julier relembrou que Chico 2000 já foi alvo, em 2025, da Operação Perfídia, que investigou suposto pagamento de propina para aprovação de projetos ligados às obras do Contorno Leste, e da Operação Rescaldo, da Polícia Federal, sobre compra de votos na eleição de 2024.

Outro ponto levantado na primeira representação foi o impacto financeiro para os cofres públicos, já que o vereador afastado continua recebendo remuneração superior a R$ 30 mil, mesmo sem exercer o mandato.

Para o autor, a sequência de investigações amplia o desgaste institucional e compromete a credibilidade da Câmara.

Após a leitura do primeiro pedido, a presidente do Legislativo municipal, Paula Calil, informou que ambas as representações seguirão os trâmites regimentais, cabendo aos órgãos internos da Casa avaliar a admissibilidade e os próximos passos do processo.

SUPLENTE – A Mesa Diretora aguarda uma manifestação formal de sua Procuradoria para decidir se fará a convocação do suplente do vereador Chico 2000 (PL).

Até que o parecer seja emitido, o suplente Felipe Corrêa (PL) segue sem ser chamado para assumir a vaga.

A presidente Paula Calil (PL) explicou que a definição depende exclusivamente da análise jurídica sobre o período de afastamento do parlamentar.

“Nós solicitamos à Procuradoria da Casa um parecer quanto a esse período de afastamento por parte do vereador Chico 2000. A Procuradoria não se manifestou, estou aguardando o parecer. Assim que eu tiver o parecer em mãos, se favorável a chamar o suplente, nós iremos chamar”, afirmou.

Vale ressaltar que, mesmo fora do exercício do mandato, o vereador continuará recebendo remuneração integral.

Segundo Paula Calil, esse procedimento segue o mesmo entendimento adotado em um afastamento anterior do parlamentar, ocorrido em 2024.

“Quando o parlamentar é afastado, há um entendimento da Justiça. Não sei se você se lembra que, naquele primeiro momento, a Câmara Municipal de Cuiabá suspendeu os pagamentos dos vereadores que estavam afastados. Aí veio uma decisão judicial para que nós mantivéssemos o pagamento do salário”, explicou.

A presidente reforçou ainda que o afastamento não equivale a licença do cargo, o que impede a suspensão dos vencimentos.

“E tem-se que eles estão afastados, eles não estão licenciados. Então, por este motivo, o salário não é suspenso, porque seria uma pré-condenação. E não saiu ainda a sentença”, completou.





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