O advogado de defesa da mulher denunciou que o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, preso por estupro dentro da delegacia de Sorriso, foi conduzido sem algemas à própria residência e permaneceu no local por cerca de 30 minutos após sua prisão, em uma suposta conduta irregular de colegas de corporação.
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O advogado Walter Rapuano denunciou que teve acesso a um vídeo em que o investigador Manoel, preso por estupro, aparece sendo levado sem algemas por colegas policiais à sua própria residência em Sorriso, onde permaneceu por cerca de 30 minutos após a prisão. As imagens, segundo Rapuano, foram gravadas por um vizinho e exibidas no programa Balanço Geral desta quinta-feira (5).
“Um vizinho da casa do Manuel filmou uma viatura da Polícia Judiciária Civil ontem, por volta das 10h30 da manhã, chegando com alguns policiais civis, mais o Manuel sem algema. Eles adentraram a residência do Manuel, permaneceram lá por cerca de 20 a 30 minutos, saíram de lá quando a chuva começou. A gente sabe que teve uma chuva torrencial ontem, eu tô aqui da minha casa, eu tô vendo ali”, disse o advogado ao programa Cadeia Neles.
“O policial apronta, estupra, e desce da viatura. É a mesma coisa que estar solto. Se é justiça pra todo mundo, é pra colocar algema em todo mundo… Todo mundo tem que ser respeitado”, narrou, indignado, o autor do vídeo, que também é vizinho do investigador.
O mandado de prisão contra o investigador, acusado de estuprar uma detenta dentro da delegacia de Sorriso, foi cumprido no último domingo (1), quase 50 dias após o crime ter ocorrido.
Segundo informações apuradas. Manoel retirou a detenta da cela ao menos quatro vezes ao longo de cerca de 12 horas, sob alegação de “procedimentos internos”. Na verdade, ele a levava a uma sala, trancava a porta e a obrigava a manter a conjunção carnal. Em um dos episódios, ejaculou sobre o corpo da vítima.
Após o último ato, determinou que ela fosse ao banheiro e tomasse banho, em tentativa de eliminar vestígios do crime. Durante as violações, o agente ameaçava a mulher constantemente, mencionando represálias e fazendo referência à segurança da filha da vítima – demonstrando conhecimento sobre sua vida pessoal.
A denúncia foi feita pela própria vítima. Todos os policiais que estavam de plantão no dia foram submetidos à coleta de material genético. O laudo apontou compatibilidade com o investigador, que foi preso em flagrante no último domingo.
O comportamento do acusado, segundo a defesa, demonstrava “ausência de temor por punição e sem apresentar arrependimento”. Ele foi visto sentado na entrada da delegacia fumando, pouco depois dos abusos, e em seguida retornou à cela para fazer novas ameaças à vítima.





