Início GERAL Abílio e Maysa protagonizam embates, e vereadores livram acusados

Abílio e Maysa protagonizam embates, e vereadores livram acusados


Reprodução/Prefeitura e Câmara

O prefeito Abílio Brunini e a vereadora Maysa Leão: protagonistas de brigas pessoas, enquanto a Câmara salva acusados de crimes

Em um misto de corporativismo e tumulto, os vereadores da base do prefeito Abílio Brunini (PL), antecipadamente combinado com o chefe do Poder Executivo, não deixaram prosperar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no âmbito do Legislativo cuiabano, para apurar denúncias de assédio sexual, improbidade administrativa e concussão.

Esses crimes ainda necessitam de uma melhor apuração por parte da Polícia Judiciária Civil, a partir de um Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado por um servidora contra William Leite de Campos.

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O ex-secretário municipal de Desenvolvimento e Trabalho. exonerado da função, era considerado uma espécie de “eminência parda” do prefeito de Cuiabá e homem de sua “mais estrita confiança”, conforme assessor do Palácio Alencastro.

Na mesma sessão, na terça-feira (10), os vereadores foram ao extremo no corporativismo ao rejeitarem a Instalação de uma Comissão Processante contra o (ainda) vereador Chico 2000 (sem partido), que, em pouco mais de um ano da atual legislatura, já foi duas vezes afastado do mandato por decisão judicial. O que desagradaria e muito o prefeito Abílio Brunini, que, até hoje, não digeriu a cassação de seu mandato de vereador, em 2020, por falta de decoro parlamentar e atitudes incompatíveis com a função de legislador.

O mais impressionante é que o prefeito continua adotando atitudes incompatíveis com o exercício de um mandato eletivo ou de chefe de um Poder, segundo grande parte da classe política – inclusive, de aliados seus.

Além das presepadas de sempre, Abílio criou um furdúncio, com a ajuda de alguns vereadores, e acabou encontrando o argumento que necessitava ao ter sua entrevista dentro da Câmara Municipal interrompida pela vereadora Maysa Leão (Republicanos), que até tinha alguma razão em seus questionamentos, por ser constantemente perseguida, espezinhada.

Sem ter argumentos para justificar sua articulação junto àbase governista para não deixar instalar uma CPI para apurar os crimes cometidos por William Leite de Campos, o prefeito preferiu acusar a vereadora de ter levado uma menor para depor em Audiência Pública no Legislativo Municipal, em agosto do ano passado ao lado de Muriel Torres, presidente do Instituto Lírios, que acolhe mulheres e crianças vitimas de violência doméstica.

O prefeito frontalmente acusa a presidente da Lírios de ser coordenadora de uma futura campanha da vereadora Maysa Leão, que se coloca como pré-candidata a deputada estadual.

A parlamentar não apenas descartou as afirmações, como confrontou o prefeito, que insinuou que a instituição teria recebido recursos da ordem de R$ 4 milhões do Ministério da Agricultura e Pecuária, administrado pelo senador licenciado Carlos Fávaro (PSD), que é aliado do presidente Lula (PT). Portanto, para o prefeito da Capital, o ministro não merece crédito nem respeito.

O referido projeto que Abílio insinua com meias palavras que seria para incentivar a candidatura de Maysa Leão é executado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio do Instituto Lírios.

O Programa Estratégico de Fortalecimento Estrutural de Assentamentos Rurais e Sustentabilidade da Agricultura Familiar é financiado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), previsto no Termo de Execução Descentralizada nº 964118/2024, celebrado entre o o órgão e a UFMT e tem custo estimado em R$ 4 milhões.

Com foco no protagonismo feminino, o projeto tem como objetivo capacitar mulheres do meio rural em gestão agrícola, planejamento e administração, fortalecendo o empreendedorismo feminino no campo.

Mais do que oferecer formação técnica, o projeto promove empoderamento, inclusão social e desenvolvimento sustentável para as comunidades atendidas.

Foram quase 10 minutos de discussões e troca de acusações, que deixam no ar uma rivalidade que extrapola o campo do respeito entre duas autoridades públicas e sem motivos aparentes, a não ser aqueles escamoteados pelos políticos e que, dificilmente, chegam ao conhecimento público.

Mas a intenção do prefeito, ao utilizar da estratagema da extrema-direita, de quanto pior e mais polêmico melhor, foi atingido. Afinal, a CPI para apurar os crimes dos quais é acusado o seu ex-braço direito, William Leite de Campos, que já havia sido rejeitada pelos vereadores governistas, foi enterrada graças a uma proposta da vereadora Mara Araújo (Podemos), que deixou o Legislativo Municipal, após a sessão, acompanhada pelo secretário de Governo, Ananias Filho, também presidente regional do PL bolsonarista.

Com 22 votos favoráveis e nenhum contrário – portanto, com votos da oposição – a proposta de Mara Araújo foi de se criar uma Comissão Especial, com prazo de 90 dias, para apurar os crimes contidos no Boletim de Ocorrência, registrado contra o ex-secretário municipal, que, em nenhum momento ,foi citado pela vereadora. Mas, citou as iniciais da autora da denúncia de que sofreu de abuso sexual e presenciou o crime de improbidade administrativa.

Para piorar a situação, informações que até o momento não puderam ser confirmadas, dão conta de  a vitima ainda estaria gravida.

Outro pequeno avanço, mas que pode se tornar realidade, é um Projeto de Resolução da vereadora Maria Avalone (PSDB), que altera o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá, permitindo o funcionamento concomitante de até seis Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs), o que colocaria por terra os argumentos governistas de que o total de CPIs estaria preenchido.

“As acusações são graves, exigem apuração e, principalmente, uma satisfação para a população de Cuiabá, que está  abismada com o que aconteceu dentro do Palácio Alencastro”, disse ela.

O prefeito tentou se esquivar das denúncias contra seu principal articulador e aliado de primeira hora e manteve o foco em não admitir crimes de assédio sexual. Se mostrou neutro quanto às denuncias e que teria ficado “surpreso” pelo teor relatado pela servidora, no Boletim de Ocorrência.

Após o entrevero com Maysa Leão, Abílio Brunini, que gostra de manipular as mídias sociais, publicou documentos em que reforça os apontamentos negados pela vereadora e que carecem de ser não só explicados como apurados.

Agora, criar mais CPIs apenas por criar, sem que as mesmas apresentem resultados práticos, como em 2025, quando cinco CPIs não resultaram em nada apenas em palanque o holofotes para os interessados, é aprofundar ainda mais a crise no Legislativo Municipa,l que, todos os dia,s faz questão de reafirmar para a população que sua alcunha de “Casa dos Horrores” nunca saiu das paradas de sucesso.





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