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O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central por operações financeiras fraudulentas. Operações de empréstimos consignados estão sob suspeita
A defesa do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig) decidiu solicitar o compartilhamento de provas entre as investigações em Mato Grosso e à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
A ação policial combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional) e culminou na liquidação do Banco Master no Brasil.
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O pedido consta no aditamento da denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar possíveis crimes contra o sistema financeiro pelas empresas que teriam fraudado contratos de empréstimos consignados dos servidores públicos, aposentados e pensionistas de Mato Grosso.
No documento, o escritório de advocacia AFG&Taques, que defende o Sinpaig, aponta conexão operacional e estratégica entre a fraude em empréstimos consignados contra servidores públicos no Estado e a investigação federal, conhecida como “Caso Master” ou “Operação Compliance Zero”.
Isso porque, segundo o documento, existem ligações entre as possíveis atividades fraudulentas da Capital Consig e da Cartos S.A. no âmbito estadual e o subsequente envolvimento do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB) no esquema nacional.
A investigação detalha como ativos de crédito de baixa qualidade, originados localmente, serviram como matéria-prima para lastrear operações financeiras fraudulentas de magnitude bilionária, através da Cartos S.A, que está sendo investigada no Estado.
‘Esta seção constitui o núcleo deste relatório, demonstrando de forma conclusiva como a Cartos S.A. atua como o principal elo conector entre a fraude em empréstimos consignados em Mato Grosso e o escândalo financeiro nacional do ‘Caso Master’. A presença da empresa em ambas as investigações não é coincidência, mas sim um indicativo de sua função central na estrutura do esquema’, diz trecho do pedido.
O documento ainda aponta que a Cartos ocupa uma posição singular, sendo implicada em duas frentes investigativas distintas, mas interligadas.
Isso porque, em Mato Grosso, ela tem sua parceria com a Capital Consig na transferência não autorizada de operações de crédito consignado, “uma prática que violou os convênios estaduais e lesou servidores públicos”.
Já na esfera nacional, a Cartos é apontada na Operação Compliance Zero como a originadora, por meio da empresa de fachada Tirreno, das carteiras de crédito fraudulentas que foram vendidas ao Banco Master e repassadas ao BRB.
“O modus operandi em ambas as esferas revela uma estratégia consistente: a simulação. Em Mato Grosso, simulava-se uma operação de cartão de crédito para ocultar um empréstimo; em nível nacional, simulava-se a existência de lastro para carteiras de crédito tóxicas”, justifica.
O documento ainda aponta que os créditos consignados irregulares gerados em Mato Grosso pela parceria Capital Consig/Cartos serviram como matéria-prima para uma fraude de maior escala, compondo, ao menos em parte, o universo de ‘ativos podres’ que foram subsequentemente ‘empacotados’ pela Tirreno, vendidos ao Banco Master e, por fim, repassados ao BRB como se fossem ativos legítimos.
Atualmente, todos os inquéritos envolvendo o “Escândalo dos Consignados” em Mato Grosso se encontram na Justiça Federal.





