Os “bancões” da Bolsa brasileira divulgaram seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) na primeira quinzena de fevereiro e, apesar de algumas surpresas, apresentaram números que no geral não mudaram as diretrizes principais do mercado sobre as companhias.
O Itaú Unibanco (ITUB4) segue como o preferido entre a maior parte do mercado pela qualidade dos seus resultados, ainda que outra parte dos analistas veja pouco espaço para as ações subirem. Santander Brasil (SANB11) e principalmente o Bradesco (BBDC4) dividem mais as opiniões dos analistas, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) segue sendo o “patinho feio” dos investidores, que ainda seguem cautelosos com a instituição estatal, mesmo com o lucro acima do esperado.
Confira abaixo a visão dos analistas após os resultados:
Viva do lucro de grandes empresas
Itaú Unibanco (ITUB4)
De acordo com compilação de analistas consultados pela LSEG, 8 possuem recomendação de compra e 1 conta com recomendação neutra para a ação ITUB4.
O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou seus números do quarto trimestre de 2025 (4T25) em 4 de fevereiro, registrando lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no trimestre, alta de 13,2% ante o mesmo período de 2024, em linha com as expectativas de analistas, em resultado com o melhor nível de rentabilidade desde 2015. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) médio anualizado consolidado foi de 24,4% no quarto trimestre, ante 22,1% em igual intervalo de 2024.
O Bradesco BBI revisou as suas estimativas após os resultados do 4T25 do Itaú, incorporando principalmente provisões e receitas financeiras líquidas (RFL) ligeiramente maiores, redução de tarifas e aumento da alíquota efetiva de imposto.
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Como resultado, cortou o lucro líquido em 2,8%, para R$ 51,1 bilhões em 2026, e em 0,6%, para R$ 55,9 bilhões em 2027, ambos em linha com as estimativas do Bloomberg.
“Vale ressaltar também que, devido aos ajustes nos números de 2025, nossas novas estimativas não são totalmente comparáveis às nossas expectativas anteriores. Por fim, apesar da estabilidade do lucro líquido em 2027, esperamos um ROE [Retorno sobre Patrimônio Líquido] menor, principalmente devido ao pagamento de dividendos abaixo do esperado em 2025”, avalia o BBI. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 45.
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Na ocasião do balanço, a XP Investimentos atualizou as suas estimativas para o banco, incorporando os resultados do 4T, o guidance para 2026 e as projeções macroeconômicas. Como resultado, o novo preço-alvo para o fim de 2026 foi elevado de R$ 45 para R$ 51 por ação, com recomendação de compra.
“No geral, seguimos vendo o banco bem posicionado para continuar entregando ROEs acima dos pares, sustentando múltiplos superiores em relação ao setor. Por fim, apesar da forte alta das ações desde nossa última atualização (+20%), ainda vemos um potencial de valorização de 14%, o que nos leva a manter nossa recomendação de compra e ITUB4 como nossa top pick”, avaliam os analistas.
A Genial Investimentos também reforçou recomendação de compra para as ações do Itaú, apontando que o banco segue como preferido e com novas avenidas. O preço-alvo é de R$ 53.
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Após o resultado, o JPMorgan também elevou seu preço-alvo para o Itaú, passando de R$ 46 para R$ 50, e manteve recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra). “Embora o potencial de valorização esteja se tornando mais limitado, com o Itaú sendo negociado a 10,1 vezes o lucro estimado para 2026 e 2,4 vezes o valor patrimonial estimado para 2026, ainda consideramos o Itaú uma das empresas com crescimento composto mais estável em nossa cobertura”, avalia.
De acordo com o banco, nos últimos anos, o Itaú tem se concentrado em investimentos em tecnologia, fomentando uma cultura mais ágil e centrada no cliente e visando segmentos lucrativos, como renda média-alta, PMEs e atacado.
“A empresa apresentou um 4º trimestre de 2025 estelar para o segmento de PMEs (e também para algumas linhas de varejo), e se continuarmos a observar boas tendências de crescimento nesse segmento, poderíamos ver um risco de alta em nossas estimativas. Além disso, notamos que o Itaú está mais vocal sobre o crescimento, enquanto defende seus segmentos principais. Além do crescimento, outro fator positivo é a melhoria mais rápida do que o esperado na relação custo/receita (que vem melhorando, mas pode atingir pouco mais de 30% no varejo antes do previsto)”, aponta o banco.
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Para 2026, o JPMorgan manteve estimativa de lucro recorrente praticamente inalterada em R$ 52,140 bilhões, um aumento de 11% em relação ao ano anterior e implicando um ROE de aproximadamente 25%. “Isso nos coloca 1,7% acima do ponto médio da projeção para 2026. Para 2027, também mantivemos nossa estimativa de lucro recorrente praticamente inalterada em R$ 57,634 bilhões, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior e implicando um ROE de aproximadamente 25%”, avalia. O banco americano também elevou sua projeção de ROE de longo prazo de 22% para 22,5%.
“Embora o Itaú tenha apresentado ROE acima de 25%, acreditamos que, no médio prazo, o ROE deverá convergir gradualmente para um patamar um pouco mais baixo, à medida que a queda das taxas de juros reduz a rentabilidade nominal, especialmente no segmento de atacado”, destaca o JPMorgan.
O BTG Pactual tem o Itaú como seu Top Pick (preferido) entre incumbentes (a única recomendação de compra), melhor posicionado para navegar as mudanças estruturais do sistema bancário brasileiro, com execução disciplinada, ganhos de eficiência e histórico consistente, devendo crescer acima dos pares.
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Santander Brasil (SANB11)
Para o Santander Brasil, a visão geral do mercado é mais dividida: 4 analistas consultados pela LSEG possuem recomendação de compra, 5 contam com visão neutra e 1 recomenda venda.
O Santander Brasil foi o primeiro bancão a divulgar seu balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), registrando lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões, um crescimento de 6,0% em relação ao mesmo período do ano anterior, ligeiramente além das expectativas do mercado apesar do que o banco descreveu como “cenário macroeconômico desafiador”. Contudo, analistas questionaram a qualidade dos ativos.
O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do banco ficou em 17,6% no quarto trimestre, queda de 0,1 ponto percentual em comparação com o quarto trimestre de 2024 e estável em relação ao terceiro trimestre de 2025.
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O Bradesco BBI, após os resultados do 4T25, atualizou as suas estimativas, considerando principalmente menores despesas com provisões, taxas e margem com clientes, enquanto elevamos ligeiramente nossas estimativas de lucro líquido.
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Além disso, também reduziu sua estimativa de alíquota efetiva de imposto para ambos os anos, resultando em um lucro líquido de R$ 16,8 bilhões em 2026 (-2,8% em relação ao consenso da Bloomberg) e R$ 19,9 bilhões em 2027 (+2,0% em relação ao consenso da BBG), o que implica em ROEs de 16,7% e 18,2%, respectivamente. O banco tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 33.
Para o BTG Pactual, o Santander, apesar de avanços estratégicos, permanece como a sua menor preferência para 2026 devido ao momento de resultados mais fraco no curto prazo. Em evento do setor, o BTG destacou a visão do Santander de que 2026 seguirá como ano de transição, aproximando-se do estágio final da migração tecnológica, ainda convivendo com duplicidade temporária de custos. “O desligamento de sistemas legados deve destravar eficiência estrutural relevante ao longo do tempo. As despesas operacionais devem crescer abaixo da inflação, reduzindo pressão sobre resultados no curto prazo”, aponta.
Já o JPMorgan tem recomendação overweight, com preço-alvo de R$ 40 para os ativos SANB11. Para 2026, manteve projeção de lucro operacional praticamente inalterada em R$ 17,418 bilhões (ROE de 17,7%). Para 2027, elevou sua projeção de lucro operacional em 2%, para R$ 19,093 bilhões (ROE de 17,8%). Agora, está 1% acima do consenso da Bloomberg para 2026 e 2% abaixo para 2027 (11 estimativas).
O banco americano tem recomendação equivalente à compra para os ativos pois está mais otimista em relação às tendências operacionais e à recuperação do ROE, além de uma avaliação razoável.
“Notavelmente, acreditamos que a maior parte da piora dos NPLs (índices de inadimplência) já passou e esperamos que o Santander Brasil retome o crescimento da carteira de empréstimos. O Santander é o maior player em financiamento de veículos no Brasil e temos observado tendências positivas nesse setor recentemente. Os ROEs já subiram, o que acreditamos adicionar risco de alta aos múltiplos atuais”, avalia.
No lado negativo, espera que a receita líquida de juros (NII) do mercado permaneça sob pressão devido às taxas de juros mais altas em 2025, embora o ciclo de afrouxamento monetário previsto para 2026 possa trazer um impulso positivo.
Bradesco (BBDC4)
O mercado também está dividido sobre as ações do Bradesco, ainda que pendendo levemente para uma visão mais positiva. De 11 analistas que cobrem BBDC4 consultados pela LSEG, com 6 recomendações de compra e 5 de manutenção.
O banco teve lucro líquido recorrente de R$6,5 bilhões no quarto trimestre do ano passado, aumento de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024, dentro do esperado por analistas.
O Bradesco divulgou números em linha com a expectativa dos analistas de mercado e considerados sólidos, mas com projeções para 2026 consideradas conservadoras, o que levou a uma reação negativa para as ações na sessão após o balanço.
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Para este ano, o banco conta com uma estimativa de lucro líquido entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões (ROE de 14% a 17%) – o ponto médio de R$ 27 bilhões fica 4% abaixo das expectativas do mercado.
O JPMorgan revisou para baixo suas projeções de lucro do Bradesco para 2026 após os resultados e as novas projeções para este ano, reduzindo em 2,5% a receita estimada para R$ 27,5 bilhões e vendo um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 15,5% após o quarto trimestre de 2025. A revisão reflete o aumento dos custos operacionais, que pressionam a rentabilidade da instituição.
Apesar da redução, as estimativas do banco permanecem acima da mediana das projeções do mercado e da orientação oficial do Bradesco para o lucro líquido ajustado e a alíquota de imposto, que deve ficar entre 16% e 21%. No entanto, o JPMorgan acredita que o debate mais relevante está no “teto do ROE para o médio prazo”, que deve se situar em torno de 17%. O JPMorgan mantém recomendação neutra para o papel, preferindo o Itaú, que apresenta um prêmio justificado no valuation, tendo preço-alvo de R$ 22 para o ativo BBDC4.
O Morgan Stanley apontou que é possível que o Bradesco esteja subestimando as expectativas do mercado com suas projeções — como aparentemente ocorreu em 2025. “De fato, no ano passado, o Bradesco apresentou resultados 26% acima do ponto médio da faixa de projeção. O valor médio era de R$ 22,2 bilhões, mas eles entregaram R$ 24,6 bilhões”, aponta.
O Itaú BBA seguiu com recomendação de compra ou equivalente para os ativos do Bradesco. O BBA ressalta que, com o guidance conservador e após a valorização deste ano poderia haver alguma realização de lucros, e compraria em momentos de queda.
O BTG Pactual destaca o Bradesco como a sua segunda opção entre os bancos incumbentes, atrás apenas do Itaú, com reestruturação ganhando tração, embora
com perspectiva mais conservadora de receita líquida.
O Bradesco adotou em evento do setor tom mais construtivo sobre sua transformação operacional, com 2025–26 vistos como fase de inflexão. Cortes de custos serão importantes catalisadores de eficiência em 2026, após provisões antecipadas de reestruturação, ainda que as despesas operacionais permaneçam pressionadas no curto prazo. “A mensagem central foi de execução gradual e foco na melhora sequencial dos resultados trimestrais. O guidance foi descrito como realista, porém desafiador, com conforto para operar no centro ou acima do intervalo projetado, desde que a execução permaneça adequada”, avalia.
O UBS BB reiterou recomendação de compra, vendo valuation atrativo e elevando o preço-alvo de R$ 25 para R$ 27. “Ajustamos nosso modelo para o Bradesco, mantendo nossa projeção de lucro para 2026 um pouco acima do ponto médio da projeção do banco (R$ 29,0 bilhões contra o ponto médio de R$ 27,5 bilhões)”, aponta.
Banco do Brasil (BBAS3)
Cautela é a palavra de ordem para a maior parte do mercado com as ações do Banco do Brasil, conforme mostra compilação dos analistas da LSEG. Dos 10 que possuem cobertura para BBAS3, somente 2 recomendam compra, enquanto 7 recomendação manutenção e 1 possui recomendação de venda.
A instituição financeira estatal teve lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024, mas avanço de 51,7% ante o terceiro trimestre, superando previsões no mercado. Projeções compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 4,5 bilhões. Com o lucro acima do esperado, as ações fecharam a sessão pós-balanço, do dia 12 de fevereiro, em alta de 4,50%, mas a visão de cautela persiste.
O BB voltou a mostrar um retorno sobre patrimônio líquido de dois dígitos no quarto trimestre, de 12,4%, acima dos 8,4% do trimestre anterior, mas ainda bem abaixo dos 20,8% registrados um ano antes. No primeiro trimestre do ano passado, a retorno havia sido de 16,7% e no segundo, de 8,4%.
O JPMorgan realizou no fim da última semana uma conferência com a equipe de Relações com Investidores do Banco do Brasil: Janaina Storti (RI) e Marcelo Oliveira (Especialista em RI). O banco ressaltou que o preço das ações apresentou volatilidade notável, com um tom mais negativo por parte dos investidores locais – principalmente preocupados com o momento da recuperação da qualidade dos ativos, potenciais problemas estruturais no agronegócio e a queda nos índices de cobertura.
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“Em contrapartida, os investidores estrangeiros se mostraram geralmente mais construtivos, considerando o banco subvalorizado em relação aos seus pares globais e atribuindo a maioria dos desafios a natureza cíclica”, apontam os analistas, mantendo cautela e reiterando recomendação neutra. Em particular, acredita que o volume significativo de empréstimos prorrogados (R$ 64 bilhões), empréstimos renegociados (R$ 80 bilhões) e os recentes R$ 35,5 bilhões da MP 1.314 de renegociação das dívidas rurais manterão esse debate relevante por vários anos.
O Goldman Sachs, por sua vez, manteve recomendação neutra, ainda que elevando o preço-alvo de R$ 21 para R$ 24. A recomendação é por conta da avaliação descontada das ações e a potencial inflexão nos resultados, embora a incerteza permaneça relativamente alta e ainda veja riscos de queda nas estimativas de consenso. Na visão do banco americano, a avaliação já precificou um ritmo de crescimento de lucros mais fraco.
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“Seguimos com nossa estimativa de lucro líquido recorrente em R$ 24,3 bilhões em 2026, aumentando-a em 4% para R$ 30,0 bilhões em 2027, principalmente devido à redução das despesas operacionais e a uma menor alíquota efetiva de imposto. No entanto, reduzimos nossa projeção de lucro recorrente para 2028 em 1%, para R$ 33 bilhões, devido à redução de 5% na receita líquida de juros, resultante principalmente de uma composição de menor rendimento”, avaliam os analistas do Goldman.
Para 2026, o BBI avalia riscos baixistas à sua projeção de lucro, dado que está no topo do intervalo de guidance divulgado pelo banco (R$ 22 a 26 bilhões), enquanto o crescimento de crédito veio mais fraco que o esperado. “Seguimos monitorando o ritmo de inadimplência, a necessidade de provisões adicionais e a capacidade do banco de sustentar margens e eficiência em um ambiente de expansão creditícia mais moderada”, aponta, tendo recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 21.





