A WEG (WEGE3) divulgará seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) no próximo dia 25 de fevereiro, antes da abertura do mercado. De olho no balanço, o JPMorgan colocou a companhia em sua lista de atenção para catalisadores negativos, ainda que mantendo recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ativos. Às 12h (horário de Brasília), WEGE3 caía 4,25%, a R$ 51,17, nesta quinta-feira (19).
Os analistas observam um perfil de risco assimétrico, com maior potencial de queda do que de alta com atenção à atual avaliação de 32 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) esperado para 2026 e 21,6 vezes o valor da empresa (EV)/ sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) esperado para 2026, pois espera um 4º trimestre fraco, com crescimento modesto da receita e margens pressionadas.
“Embora os investidores estejam, em sua maioria, cientes da fraqueza do 4º trimestre e nossas análises de sensibilidade cambial sugiram uma queda limitada em relação ao consenso para o 4º trimestre, acreditamos que a confirmação de um trimestre fraco levará a novas revisões para baixo das projeções para 2026”, aponta.
Viva do lucro de grandes empresas
Além disso, as ações da WEG tiveram um forte desempenho desde os resultados do 3º trimestre de 2025, com alta de 35% desde 21 de outubro, contra 29% do Ibovespa e queda de 8% do dólar frente o real.
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Para os otimistas, o JPMorgan aponta que a WEG continua sendo uma empresa de alta qualidade, pronta para se beneficiar das tendências de eletrificação, incluindo a expansão do mercado de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil. O primeiro leilão do governo no segmento está previsto para abril deste ano, com uma nova usina de BESS (armazenamento de energia com baterias) de 2 GWh (gigawatt-hora) de capacidade, que entrará em operação em 2027.
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A demanda por transformadores permanece sólida, impulsionada principalmente pela substituição com novas conexões à rede, com os data centers e a inteligência artificial (IA) representando um fator positivo. “O crescimento da WEG deve atingir seu ponto mais baixo em 2026, já que a nova capacidade de produção de transformadores contribuirá para as receitas já em 2027. As exportações para os EUA – segundo dados da Secex – permanecem sólidas, apesar das tarifas americanas”, avalia.
Além disso, pontua que os resultados de empresas similares no 4º trimestre foram fortes, com comentários sobre a sólida entrada de pedidos, o que sustenta uma aceleração dos resultados nos próximos trimestres.
Neste sentido, os otimistas veem a WEG como uma nova proteção contra a depreciação do real, já que algumas empresas de commodities têm suas próprias idiossincrasias (resistência à alocação de capital, desafios estruturais da demanda, entre outros).
Os pessimistas, por sua vez, veem que o valuation da WEG está cerca de 15% acima da média dos últimos 3 anos em termos de P/L em um momento de resultados sequenciais fracos, indicando que o mercado já está pagando por uma recuperação que ocorrerá principalmente em 2027.
A visão é de um 4º trimestre que será fraco, mostrando praticamente nenhum crescimento na receita (apenas +2% ano a ano) e o nível atual do real traz risco de queda para as estimativas da WEG. Além disso, o desempenho recente foi impulsionado por fluxos para mercados emergentes, em vez de seus próprios fundamentos.
“Nos últimos 5 trimestres, as ações da WEG caíram mais de 5% em 4 ocasiões (excluindo o 3º trimestre de 2025, com +1%), mesmo quando os resultados estavam em linha com o consenso. Por fim, a WEG não é um veículo viável para surfar uma potencial recuperação econômica brasileira (60% da receita bruta vem de fora do Brasil) nem para o próximo ciclo de afrouxamento monetário (a empresa possui caixa líquido)”, destaca o JPMorgan, citando os argumentos dos “pessimistas”.
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O Bradesco BBI, por sua vez, destaca que a WEG segue sustentada por fundamentos sólidos, mas com parte relevante das perspectivas positivas já refletida nos preços. O banco vê que, no trimestre, pode mostrar algum alívio na margem Ebitda, ainda que partindo de bases de comparação mais pressionadas.





