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Mecanismos partidários devem contribuir para a reeleição dos parlamentares que diretamente representam a região metropolitana da Capital e o Polo de Rondonópolis (Sul de MT)
Mato Grosso, visto por seus seis polos regionais, deverá manter a representação parlamentar na Assembleia Legislativa quase simbólica para quatro deles.
O voto proporcional, a pulverização de candidaturas, a concentração da força eleitoral na Grande Cuiabá e Rondonópolis e a direção dos partidos – que administra o Fundo Eleitoral -, que é exercida por políticos radicados na Capital, deverá facilitar a reeleição e criará barreiras para quem reside fora de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis.
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O cenário preocupa, inclusive, pré-candidatos a deputado estadual, por conta da falta de modernização da legislação eleitoral e dos mecanismos partidários que contribuirão para a reeleição dos parlamentares que diretamente representam a região metropolitana da Capital e o Polo de Rondonópolis (Sul de MT).
Em Cuiabá e Várzea Grande, são eles:
– Juca do Guaraná (MDB)
– Faissal Calil (PL)
– Fábio Tardin (Podemos)
– Beto Dois a Um (Podemos)
– Elizeu Nascimento (Novo)
– Eduardo Botelho (União).
– Júlio Campos (União)
– Avallone (PSDB)
– Diego Guimarães (Republicanos)
– Lúdio Cabral (PT)
– Valdir Barranco (PT)
– Paulo Araújo (PP)
– Wilson Santos (PSD)
Os radicados no polo de Rondonópolis são:
– Max Russi (Podemos), em Jaciara)
– Nininho (Republicanos)
– Sebastião Rezende (União)
– Thiago Silva (MDB).
A esses nomes somam-se Janaína Riva (MDB), que é pré-candidata ao Senado, e Cláudio Ferreira (PTB), que renunciou após se eleger prefeito de Rondonópolis pelo PL.
As duas regiões responderam pela eleição de 18 parlamentares, em 2022.
As demais elegeram os seguintes deputados:
– Dr. João (MDB), em Tangará da Serra, no Chapadão do Parecis
– Valmir Moretto (Republicanos), em Pontes e Lacerda, na Faixa de Fronteira
– Dilmar Dal’Bosco (União), em Sinop
– Gilberto Cattani (PL), em Nova Mutum, no Nortão;
– Dr. Eugênio/PSB, no Vale do Araguaia.
Chico Guarnieri (PSDB), de Barra do Bugres, no Chapadão do Parecis, assumiu a cadeira de Cláudio Ferreira.
A concentração de força política, de um lado, e seu enfraquecimento, de outro, não é vista com bons olhos por analistas políticos e pesquisadores econômicos.
Aparentemente, não haverá mudança no quadro representativo regional na Assembleia, que tem 23 pré-candidaturas à reeleição.
O deputado tem mais visibilidade do que os que concorrem sem mandato, por conta da cobertura que recebem os veículos de Comunicação da Assembleia e da mídia de modo geral.
Eles ainda contam com o robusto Fundo Eleitoral, que é distribuído de acordo com os interesses das cúpulas partidárias, e com as emendas parlamentares, na casa dos milhões, por eles destinadas a bel-prazer.
Reforçados pela estrutura política, financeira e de mídia, os deputados não somente concorrem em vantagem; além disso, estimulam a pulverização das pré-candidaturas e candidaturas nas quatro regiões com menor potencial político: Vale do Araguaia, Nortão, Faixa de Fronteira e o Chapadão do Parecis.
A diluição de votos entre os candidatos da região os mantém longe do poder. Porém, contribui para a legenda de seu partido.
Enquanto isso, nas redes sociais e na mídia, o marketing político cria situações para envolver a opinião pública nas duas principais regiões.
Em Cuiabá, projetam um duelo eleitoral entre a vereadora e primeira-dama Samantha Iris (PL), primeira-dama da Capital, e a vice-prefeita Vânia Rosa (MDB).
Em Rondonópolis, criam um cenário de “terra arrasada” entre Zé Carlos do Pátio (PV), que foi prefeito e deputado, e a primeira-dama e secretária municipal Alessandra Ferreira (Podemos).
Ao passo que, no Vale do Araguaia, não há sequer meios de polemizar entre Janailza Taveira (Podemos) e Abmael Borges (PL) – a primeira, de São Félix do Araguaia, e ele, de Vila Rica.
Mesmo com menos apelo nas redes sociais e na mídia, acontecerão dois embates diretos no Nortão.
O prefeito de Lucas do Rio Verde, Miguel Vaz (Republicanos), que deverá deixar o cargo, terá um confronto direto com o deputado Gilberto Cattani (PL), que é de seu município vizinho, Nova Mutum, pois ambos têm base eleitoral junto ao agronegócio bolsonarista.
Também haverá embate de Jéssica Riva (MDB) com Carlos Sirena (União), em Juara.
Jéssica é filha do ex-deputado ex-deputado José Riva e irmã da deputada Janaína, presidente regional do MDB.
Sirena apoiou Janaína em suas campanhas para deputada e se sente desconfortável com o lançamento da pré-candidatura de sua irmã Jéssica – a divisão de votos poderá ser muito ruim para ambos.
Não se vislumbra cenário de renovação nem de ampliação da base territorial representada, com a maioria se reelegendo e sendo composta por domiciliados na Grande Cuiabá e Rondonópolis.
Nesse contexto, os nomes apresentados, por região, são os seguintes:
ARAGUAIA – O Vale do Araguaia, que geograficamente é a maior região, e que se estende de Alto Taquari, na tríplice divisa MT/GO/MS a Vila Rica, numa extensão de 1.070 km, tem vários nomes, dos mais diversos partidos, na disputa.
São eles: Priscila Dourado (Podemos) de Alto Araguaia; Marcelo Aquino (PL), de General Carneiro; Adelcino Lopo (Podemos), de Pontal do Araguaia; João Bang (Podemos), de Nova Xavantina; Janailza Taveira (Podemos), de São Félix do Araguaia; Daniel do Lago (PRD), de Porto Alegre do Norte; Abmael Borges (PL), de Vila Rica; Padre Coracy Sebastião de Oliveira (sem partido), de Bom Jesus do Araguaia; Takakpe Metuktire (PT), Santa Cruz do Xingu; Cláudia Gervazoni (PL), Gilmar Miranda (Novo) e Fábio Faria (União), de Canarana; Arlan Catulé (União), de Ribeirãozinho; Moacir Couto (PSDB), Estéfano do Carmo (PSD), Jaime Rodrigues (União) e Zé Gota (MDB), de Barra do Garças.
Esses nomes concorrerão com o deputado em segundo mandato Dr. Eugênio (PSB e a um passo do Republicanos), de Água Boa.
Dr. Eugênio, na prática, legisla como se o modelo eleitoral fosse regido pelo voto distrital, pois canaliza todas as suas emendas e ações parlamentares para essa região.
NORTÃO – Situação bem parecida com a do Araguaia é a do Nortão, que é um dos pilares da política de segurança alimentar mundial e que, dentre outras, tem as cidades de Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Nova Mutum, Guarantã do Norte, Juara e Colíder, mas que conta com apenas dois parlamentares: Dilmar Dal Bosco e Gilberto Cattani.
Dentre outros nomes, a corrida pela Assembleia na região é feita por Edu Pascoski (PL), de Itanhangá; Valtinho Miotto (MDB), de Matupá; Ari Lafin (Podemos), Xuxu Dalmolin (União), Mauro Savi (Podemos) e Leandro Damiani (MDB), de Sorriso; Hugo Garcia (sem partido) e Cristiano Bicô (Republicanos), de Nova Mutum; Miguel Vaz (Republicanos), Cláudio Sena (PSDB) e Kassiano Souza (MDB), de Lucas do Rio Verde; Wellington Campos (PT), de Matupá; Silvano Amaral (MDB), Adenilson Rocha (PSDB), Professor Greyce Marques (PT), Scheila Pedroso (Podemos) e Hedvaldo Costa (Novo), de Sinop; Professor Henrique Lopes(PT) e Geovane Gamba (Podemos), de Alta Floresta; Jéssica Riva (MDB) e Carlos Sirena (União), de Juara; Wellington Campos (PT), em Matupá; Terezinha Carrara (PT), de Nova Santa Helena; e Matujdo Kayapó (PT), Joize Marques (Podemos) e Celso Banazeski (Podemos), de Colíder.
RONDONÓPOLIS – A região sempre teve presença política na Assembleia.
Os quatro deputados de seu polo regional concorrerão à reeleição, sendo que Max Russi, presidente da Assembleia, é apontado como o mais votado no pleito.
Neste ano, mesmo que mantendo as quatro cadeiras que ocupa, a região poderá ser representada por outros nomes, pela expressão de suas pré-candidaturas, sem que isso signifique aumento do número de deputados.
Afinal, além da pulverização de candidaturas, parte da população sempre vota em nomes de outras regiões.
Na região de Rondonópolis, correm atrás dos votos: Zé Carlos do Pátio (PV), Luciana Horta (PL), Paulo Schuh (PL), Alessandra Ferreira (Podemos), Neles Farias (PRD), Marildes Ferreira (Podemos) e Wendell Girotto (PT), de Rondonópolis; Nelson Paim (PSDB), de Poxoréu; Getúlio Viana (Podemos, Paulo Castanon (PT), Marcondes Martignago (PSDB) e Léo Bortolin (MDB), de Primavera do Leste; e Fernando Schroete (Podemos), de Campo Verde.
FRONTEIRA – Na bicentenária Cáceres, o número de pré-candidaturas é grande e a cidade ainda destina votos para Lúdio Cabral (PT), que ali residiu.
Lúdio lançou o irmão James Cabral, morador em Cáceres, para deputado federal, e os manos farão dobradinha nas urnas.
Dentre outros nomes, são pré-candidatos: Ricardo Costella (PL), Flávio Negação (MDB), Dr. Odenilson (Republicanos), Valdeníria Dutra (Podemos), Ana Rosa (Novo), Túlio Fontes (PSB), Cezare Pastorello (PT), Marcos Ribeiro (PSD) e Francis Maris, que tanto poderá concorrer pelo PL quanto pelo Podemos, todos de Cáceres; Dr. Arnaldo (MDB), de Mirassol D’Oeste; e Alcino Barcelos, com partido em aberto, de Pontes de Lacerda.
Cáceres, com 92 mil habitantes, sede da Universidade do Estado (Unemat), única cidade mato-grossense que opera Zona de Processamento de Exportação (ZPE), ponto mais ao Norte da Hidrovia Paraná-Paraguai e ponto equidistante do Corredor Bioceânico Atlântico-Pacífico, não elegeu deputado estadual em 2022.
O representante da região é Valmir Moretto (Republicanos), de Pontes e Lacerda, distante 230 km.
O ‘excesso’ de candidaturas, que se repete pleito após pleito, prejudica a representação do município e da região.
CHAPADÃO – As cidades de Tangará da Serra, Barra do Bugres, Campo Novo do Parecis, Sapezal, Campos de Júlio, Brasnorte, Juína, Aripuanã e Colniza se situam no Chapadão do Parecis, que é representado na Assembleia por Dr. João (MDB) e Chico Guarnieri (PSDB).
Essa região sempre foi alimentadora de votos para candidatos de outras áreas e, ao mesmo tempo, lançou várias candidaturas, que pulverizaram sua força política, deixando-a com pequena presença na Assembleia.
Pelo Chapadão, são pré-candidatos> Rafael Machado (Republicanos), de Campo Novo do Parecis; Horácio Pereira (PRD), de Tangará da Serra; Irmão Geremias da Silva Lima e Vitor Gabriel, ambos do PL; e Professor Carlito (PT), de Juína.
Além dos deputados Dr. João, de Tangará da Serra, e Chico Guarnieri, de Barra do Bugres.
GRANDE CUIABÁ – Além dos 13 eleitos e com possibilidade reeleição, a Grande Cuiabá terá outros nomes na disputa com densidade eleitoral.
São eles: Rafaela Fávaro (PSD), Alan Porto (Republicanos), Edna Sampaio (PT), Samantha Iris (PL), Michelly Alencar(com partido a ser definido, Allan Kardec (Republicanos), Gilberto Figueiredo (por enquanto no União), Cesar Roveri (provavelmente pelo PRD), Vânia Rosa (MDB), Robinson Cireia (PT), Maysa Leão (Republicanos), Eliane Rodrigues de Lima – a Eliane Xunakalo (PT) e Sheila Klener (PSDB); e Tião da Zaeli (PL) e Leliane Borges (PT), de Várzea Grande.





