Início GERAL Ação do MP aumenta suspeita de favorecimento a aliado de Mauro

Ação do MP aumenta suspeita de favorecimento a aliado de Mauro


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O deputado Almir Moretto e o governador Mauro Mendes: suspeita de favorecimento em licitação prejudica a imagem dos dois políticos, em meio à pré-campanha eleitoral.

Nunca o pensamento de Platão, um dos maiores filósofos e matemáticos da Grécia Antiga, ficou tão atual como após evento do Governo Mauro Mendes (União) que expôs como o (ainda) chefe do Poder Executivo e o deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) pensam e tratam a coisa pública.

Segundo o filósofo grego, “o castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus”. Quando nada, ele destaca a necessidade da razão e da participação ativa para evitar que a irracionalidade ou a má fé dominem a esfera pública.

Como, para analistas políticos, ficou demonstrado, de forma preocupante, numa conversa entre o governador e o parlamentar, durante a assinatura de convênios de R$ 249,9 milhões, em Pontes e Lacerda (448 km a Oeste de Cuiabá), na terça-feira (17).

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Como amplamente divulgado, naquele dia, ganhaou grande repercussão o conteúdo de um vídeo em que Valmir Moretto aparece “comemorando” o resultado da uma licitação pública, foi vencida pela empresa de seu irmão, a Oeste Construtora. 

A polêmica teve início durante a assinatura da ordem de serviço do Hospital Regional de Pontes e Lacerda, quando Moretto foi gravado sem perceber que o áudio estava ligado.

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Mauro e Moretto 1

Mauro, Moretto e outros políticos, em polêmico evento que colocou sob suspeita de favorecimento licitação para obra de hospital em Pontes e Lacerda

Nos últimos dias, Mauro Mendes e seu séquito, no desespero em razão fim dos prazos eleitorais para que ele deixe o cargo, para disputar uma das duas vagas no Senado, ele acelarando a agende de inaugurações e lançamentos de obras, em todo o Estado.

Nesse caso, o governador tem reafirmado compromissos que deixaram de ser cumpridos nos últimos oito anos,  vendendo nova esperança em busca de votos dos eleitores a qualquer custo. Em algumas ocasiçoes, esee comportamento acaba levando a erros e falhas, como a que ganhou as mídias sociais, no Estado e no país, em uma situação que remete à suspeita de favorecimento políticio e conluio envovendo a coisa pública..

Sem temor quanto a melindrar o próprio governador e tratando o interesse público com certo desprezo, Valmir Moretto conseguiu se tornar persona non grata no meio político, por causa de sua repreensível postura, no contexto de uma uma solenidade pública revestida de importância para toda a região Oeste de Mato Grosso.

O parlamentar é considerado um fiel escudeiro dovice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), nome imposto por Mauro Mendes como pré-candidato ao Palácio Paiaguás, fato que tem procurado um racha no União Brasil, que ele comanda no Estado.

Moretto simplemente fez um comentário desairoso ,no melhor estilo no pé de orelha, com Mauro Mendes, sem perceber que o microfone da solenidade governamental estava ligado, e simplesmente declarou que as obras ali autorizadas seriam “cartas marcadas”, já que a empreiteira Agrimat levaria duas obras, provavelmente de pavimentação asfáltica, e a empresa Oeste Construtora, de seu irmão, executaria as obras do Hospital Regional do Sudoste, estimadas em mais de R$ 160 milhões – um valor considerado acima do inicialmente previsto, que era de R$ 115 milhões.

Imediatamente, a gravação ganhou notoriedade e causou ainda mais constrangimento a Mauro Mendes, já acossado e refém dos próprios erros.

A fala de Moretto ainda repercutiu, um dia depois, na Assembleia Legislativa, quando o presidente, Max Russi (Podemos), cobrado pela imprensa, se viu obrigado a lembrar que detentores de mandato eletivo (como Moretto), que é remunerado ou mantido com o dinheiro público, não pode ser proprietário de empresas ou fazer negócio com o Poder Público em qualquer esfera.

Na verdade, Russi até amenizou as cobranças, lembrando que Moretto, antes de ser deputado, era empresário. Mas, ele já teria cumprido outros dois mandatos eletivos, como prefeito de Nova Lacerda e presidente do Consórcio Municipal de Saúde dos Municípios do Oeste de Mato Grosso.

Mauro Mendes e seus aliados, no desespero em conquistar votos, têm percorrido diversas cidades e regiões lançando obras – muitas delas, com previsão indefinida para início e conclusão. Exemplos disso são os hospitais eegionais de Alta Floresta, Tangará da Serra, Juina e Confresa, cujos trabalhos se arrastam há vários anos.

No caso de Pontes e Lacerda, o chefe do Executivo aproveitou o momento político-eleitoral para fazer promessas, cujo cumprimento dependerá da eleição de seu sucessor para se tornar realidade.

Vale registrar que, em várias cobrado, Mauro sempre culpa a falta de mão de obra como principal motivo para atrasos nos cronogramas das obras.

Para analistas, a repercussão da conversa “de pé de orelha” entre o governador e o deputado Valmir Moretto é extremamente preocupante, num misto de grotesca, tosca.

Ganhou até holofotes internacionais, com a viralização da notícia em mídias sociais, como Instagram e Facebook. inclusive, com abordagem de Alan dos Santos, influencer e blogueiro de ultradireta bolsonarista e e que mora nos Estados Unidos, após ter sido processado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal por disseminação de fake news.

Para piorar ainda mais a situação, Valmir Moretto postergou sua participação na sessão plenária da última quarta-feira (18) e, estratégicamente, chegou no final da manhã, quando grande parte da imprensa entrevista os deputados estaduais, e tentou justificar seu erro grotesco, afirmou que se tratou de “um ato falho”.

Mauro Mendes também passou recibo. Mas, como não tinha argumentos, preferiu desmentir aqueles que falaram que o deputado havia anunciado ter ganho a execução da obra, quando nem licitação ainda foi efetivada. O que, por outro lado, comprovaria que ele foi a Pontes e Lacerda muito mais com intenções eleitoreiras do que propriamente para atender a uma demanda por saúde, que atinge a popuação carente da região Oeste.

As justificativas do deputado Moretto, no dia seguinte, na verdade, só pioraram a situação. E levaram a criticas indiretas e entre quatro paredes ao governador, que deveria ter repreendido o parlamentar, como homem público.

Coube, entretano, ao Ministério Público anunciar uma medida efetiva: a instauração de procedimento investigativo, com pedido de autorização ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, considerando que Valmir Moretto, por ser deputado estadual, é protegido pelo instituto constitucional da imunidade parlamentar por opinião e votos.

A decisão do procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca teria sido adotada após uma reunião com os principais nomes do Ministério Público, sendo que chegaram a discutir a possibilidade de tornar a empresa Oeste Construtora – sob o controle da família Moretto desde 2018, quando se elegeu a primeira vez -impedida de participar do certame eleitoral, para que houvesse a máxima transparência.

O receio maior a partir da decisão do MP é de que todo o processo licitatório, de contratação e execução da obra acabe paralisado. O que tornaria ainda mais improvável que a unidade funcionasse e atendesse o maior dos anseios populares dos moradores da região, principalmente aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em resposta à situação, Moretto negou qualquer vínculo atual com a empresa, apesar de ter usado a palavra “minha”. O deputado afirmou, em coletiva com a imprensa, que não possui participação na construtora desde antes de assumir o mandato, em 2018, e que vendeu sua parte ao irmão, atual proprietário do empreendimento. 

Vale registrar que, embora tenha alegado que a empresa nao é sua, o MP afirma que os elementos divulgados sugerem a possível existência de vínculo “direto ou indireto” entre o deputado e empresa e uma possível interferência indevida em procedimentos licitatórios.

Na ação, o promotor Rodrigo Fonseca afirma: “Os elementos ora apresentados, ainda que oriundos de reportagens jornalísticas, revelam justa causa mínima para a deflagração da investigação criminal, sobretudo diante da existência de registro audiovisual contendo declaração espontânea do agente político, da relevância dos valores envolvidos e da potencial lesão à moralidade administrativa”, afirmou o promotor em trecho do documento.

Veja vídeo:





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