O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), subiu o tom nesta segunda-feira (23) ao comentar declarações do ex-governador Pedro Taques (PSB) sobre o acordo firmado entre o Governo do Estado e a empresa Oi S.A., no valor de R$ 308 milhões. Em entrevista à imprensa, Mendes classificou as acusações como “mentiras” e chamou Taques de “Pinóquio”, intensificando o embate político entre os dois.
A troca de críticas ocorre às vésperas do depoimento de Taques à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, marcado para esta quarta-feira (25). O ex-governador foi convocado para prestar esclarecimentos e afirmou que pretende apresentar informações relacionadas a investigações envolvendo o Banco Master, descontos irregulares em consignados de servidores públicos estaduais e também o chamado “Caso Oi”.
Diante das declarações de Taques, Mauro Mendes afirmou que o adversário tenta distorcer fatos e enganar a população. “Se ele vai lá, vai tentar mentir para os senadores como tentou mentir para a população de Mato Grosso. Mentira tem perna curta, ‘Pedro Pinóquio’ foi desmascarado”, declarou o governador.
O chefe do Executivo estadual voltou a defender a legalidade do acordo firmado com a Oi S.A., alvo das críticas do ex-governador. Segundo Mendes, não há qualquer irregularidade no processo e as acusações de prejuízo aos cofres públicos não procedem. Ele também sugeriu que Taques estaria utilizando o tema com objetivos políticos, especialmente diante da possibilidade de ambos se enfrentarem nas urnas nas eleições deste ano, na disputa por uma vaga ao Senado.
“Eu não sei o que ele vai fazer lá. Mas se for falar sobre a Oi, já disse que é uma grande mentira. E já está comprovado que é uma grande mentira. E quem acreditou nele, acreditou numa mentira, em alguém que quis enganar a população”, afirmou Mendes.
O governador também citou manifestações de órgãos de controle para reforçar sua posição. De acordo com ele, tanto o Tribunal de Contas quanto o Ministério Público de Mato Grosso já se posicionaram favoravelmente à legalidade do acordo. “O Tribunal de Contas já falou que está tudo certo, o Ministério Público de Mato Grosso acabou de soltar um parecer dizendo que é uma grande mentira o que ele falou. Dizendo que está tudo certo, não tem ilegalidade”, completou.
O acordo com a Oi S.A. envolve a quitação de débitos e ajustes financeiros entre a empresa de telecomunicações e o Governo de Mato Grosso, sendo alvo de questionamentos políticos desde que veio à tona. Críticos apontam possível prejuízo aos cofres públicos, enquanto o governo sustenta que a negociação foi necessária e vantajosa para o Estado.
A expectativa agora se volta para o depoimento de Pedro Taques no Senado, onde ele deverá detalhar suas acusações e apresentar eventuais provas. A CPI do Crime Organizado investiga, entre outros pontos, suspeitas de irregularidades envolvendo instituições financeiras e operações que teriam impactado servidores públicos.
O embate entre Mendes e Taques adiciona um componente político relevante ao cenário, especialmente em ano eleitoral. Antigos aliados, os dois hoje ocupam lados opostos e protagonizam uma disputa marcada por críticas públicas e troca de acusações.
Nos bastidores, a avaliação é de que o depoimento desta quarta-feira pode ampliar a tensão entre os grupos políticos e influenciar o debate eleitoral em Mato Grosso. Enquanto isso, o governo estadual mantém a defesa da legalidade do acordo e afirma estar preparado para rebater qualquer nova acusação que venha a ser apresentada no âmbito da CPI.
A repercussão do caso deve continuar nos próximos dias, à medida que novos desdobramentos surgirem tanto no campo político quanto nas investigações conduzidas em Brasília.





