Alan Santos/PR
Mendes e Caiado integraram um grupo minoritário de governadores mais próximos do então presidente Jair Bolsonaro, em 2019
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, vai anunciar nesta segunda-feira (30) que será o pré-candidato do PSD à Presidência da República neste ano.
Aos 76 anos, é a segunda vez que ele tenta o cargo, tendo ficado em décimo lugar na primeira eleição após a redemocratização, em 1989.
O anúncio encerra um princípio de crise na sigla, historicamente avessa a rupturas.
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O governador gaúcho, Eduardo Leite, havia retomado uma campanha mais intensa pela postulação desde a semana passada, quando o chefe o Executivo do Paraná, Ratinho Jr., desistiu da disputa.
O paranaense era o favorito de Gilberto Kassab para a campanha.
Em janeiro, o presidente do PSD havia reunido os três governadores em um acordo segundo o qual dois iriam abrir mão da postulação em nome daquele que estivesse melhor colocado nas pesquisas.
Ratinho Jr. estava nesta posição, ainda que num patamar não muito acima dos demais.
Mas o PSD entendia que ele tinha melhores condições de encarnar a ideia de um centro, buscando romper a polarização vigente entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O senador pelo Rio foi ungido o candidato da direita pelo pai, Jair, o ex-presidente ora em prisão domicilar, condenado por tentativa de golpe.
Ele viu sua candidatura se consolidar no campo anti-Lula, e agora Caiado irá disputar votos na mesma seara: nos últimos anos, o goiano aproximou-se do bolsonarismo.
Caiado terá uma tarefa árdua até a convenção que decidirá a candidatura no meio do ano.
A ideia de uma candidatura de centro pelo PSD fica esvaziada dado o perfil do governador, muito mais à direita.
Ele já assumia isso quando surgiu como o candidato da União Democrática Ruralista, ente conservador, no pleito de 1989 em que Fernando Collor derrotou Lula no segundo turno.
Depois, foi deputado federal por dois mandato, senador e governador goiano, cargo pelo qual se elegeu em 2018 e reelegeu em 2022.
Nos últimos anos, esteve próximo do bolsonarismo, o que cria um desafio extra ao buscar pescar eleitores no mesmo lago em que já está operando o filho senador pelo Rio de Bolsonaro.
Flávio foi ungido pelo pai candidato de dentro da cadeia, ora transformada em prisão domiciliar, e viu sua candidatura se consolidar.
No mais recente levantamento do Datafolha, no começo deste mês, Caiado marcava 4% no cenário em que era colocado como nome do PSD, bem atrás de Lula e Flávio.
Num eventual segundo turno, perdia para o petista por 46% a 36%.
Entusiastas de sua candidatura dizem que a polarização é um fato consolidado, mas que a vaga de anti-Lula pode ser disputada quando Flávio for exposto aos elementos da campanha.
Já Lula será alvo, apesar de Kassab ter dito à Folha em janeiro que não queria uma campanha de ataque ao presidente, que abriga três ministros do PSD em seu governo.





