Petista sugeriu que ministro se declarasse impedido de votar sobre o caso e avaliou que o episódio será usado contra o governo e o STF nas eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (8.abr.2026), em entrevista ao ICL Notícias, ter conversado pessoalmente com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes sobre o caso Master. Lula disse ter alertado o magistrado a não deixar que o episódio comprometesse sua trajetória: “Você construiu uma biografia histórica nesse país com o 8 de Janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia. Se a tua mulher estava advogando, diga que estava advogando”.
O petista diz que sugeriu que Moraes se declarasse impedido de votar sobre o caso. “Se há alguma ligação da sua família com o processo, declare-se impedido de participar. Alguma coisa que passe para a sociedade, uma firmeza, sabe?”, Disse o presidente em entrevista.
O presidente argumentou que, por conta do julgamento dos atos de 8 de Janeiro — ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília que tiveram como alvo o seu governo recém-empossado — Moraes teria consolidado uma imagem de firmeza no combate a ameaças à democracia. Por isso, e já que o caso envolve uma série de vínculos entre o ministro e o banco, seria necessário preservar a credibilidade.
“E no ano político em que as pessoas vão tratar de dar muito destaque para isso”, afirmou o presidente.
A advogada Viviane Barci, mulher de Moraes, foi contratada pelo Banco Master com honorários estimados em R$ 3,6 milhões por mês por 36 meses.
Além disso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou ter se reunido diversas vezes com Moraes em período que coincidiu com discussões sobre o futuro da instituição financeira. Moraes e o BC negaram qualquer pressão ou atuação irregular no caso — a PGR arquivou pedido de investigação sobre o ministro, afirmando não haver indício de ilicitude.
O fundador do banco, Daniel Vorcaro, está preso desde março.
Antes de resolver o que chamou de “caso da Suprema Corte”, Lula disse ser preciso concluir as investigações sobre Vorcaro: “Nós temos que pegar a bandidagem do Vorcaro. Ele está preso, mas ainda tem muita coisa a ser descoberta: dinheiro dos estados no BRB, 12 bilhões que ninguém sabe de onde vieram.”
Sobre o Banco Master, o presidente questionou por que a imprensa não publica o nome do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Para Lula, as irregularidades têm origem no governo anterior.
“Todas as falcatruas que vêm da árvore genealógica do Master têm quem? O governo Bolsonaro, o Guedes e os ministros deles.” E repetiu o que já disse sobre o caso: “Qual é a serpente que botou esse ovo? Roberto Campos.”
“Não tem limite para apurar a corrupção”
O presidente avaliou que a direita vai usar o escândalo do Master e o envolvimento com o STF como munição eleitoral. “Já está dito e explicitado. A extrema direita vai usar o caos do Banco Master e o envolvimento com a Suprema Corte na campanha, pedindo voto.”
Mesmo assim, afirmou sua defesa do STF. “Como democrata, não deixei de defender a democracia. A Suprema Corte é importante em qualquer país do mundo. Se tem algum membro que cometeu um desvio, esse cidadão que pague pelo desvio”, disse Lula.
Ainda em entrevista, Lula afirmou que não há limite para investigar corrupção – independentemente de quem esteja envolvido. Citou os ex-ministros da Justiça Flávio Dino e Ricardo Lewandowski e o atual ministro da pasta, Wellington César Lima, como aliados nessa postura.
“Seja quem for, envolva gente do governo ou não, tem que apurar, porque a sociedade tem que saber quem é o sacana que está tentando ganhar dinheiro às custas do povo brasileiro“, afirmou o presidente.





