Beirute diz que governo israelense ignora esforços por estabilidade no Oriente Médio e convoca comunidade internacional a deter ataques
A Presidência da República do Líbano cobrou nesta 4ª feira (8.abr.2026) que a comunidade internacional intervenha para deter os repetidos ataques de Israel ao país. O governo libanês afirma que Tel Aviv adota uma “abordagem agressiva” que ameaça a segurança regional e joga fora os esforços voltados para a estabilidade no Oriente Médio.
A declaração sucede os bombardeios israelenses a Beirute nesta 4ª feira (8.abr). Em ataque que mirava o Hezbollah, mais de 250 pessoas foram mortas e mais de 1.000 ficaram feridas. Foi a principal ofensiva israelense contra o grupo extremista desde o início da guerra na região, com mais de 100 bombas em 10 minutos.
Em publicação no X, a conta oficial da Presidência libanesa chamou as investidas israelenses de “ataques bárbaros” que não respeitam leis, normas ou compromissos internacionais. “Vimos, ao longo de 15 meses de acordo de cessar-fogo, a magnitude das violações e transgressões cometidas sem qualquer freio”, declarou o governo libanês.

Na sequência, o governo libanês declarou ter recebido, por telefonemas, apoio de diversos líderes internacionais, como:
- Emmanuel Macron, presidente da França;
- Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina;
- Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores da Itália;
- Ahmed Aboul Gheit, secretário-geral da Liga dos Estados Árabes
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, também se encontrou nesta 4ª feira (8.abr) com o ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot. Na conta oficial no X, a Presidência libanesa disse que Prévot enfatizou “a prontidão da Bélgica e da União Europeia para fornecer o apoio necessário ao Líbano nos planos político e humanitário, anunciando o dobramento do volume das ajudas sociais, de saúde e de desenvolvimento”.
ISRAEL REBATE
Em resposta às críticas, o Ministério das Relações Exteriores de Israel defendeu a continuidade das operações militares e criticou duramente a inação das autoridades libanesas em relação ao grupo extremista Hezbollah.
“O presidente e o primeiro-ministro do Líbano não têm vergonha de atacar Israel por fazer o que deveriam ter feito: atacar o Hezbollah”, afirmou a chancelaria israelense também no X. A pasta ressaltou que o país vizinho não ofereceu pedidos de desculpas pelos milhares de foguetes lançados contra o território de Israel desde o início da guerra.
“Eles não desarmaram o Hezbollah. Eles não impediram e não impedem que o grupo atire contra Israel. Mentiram quando afirmaram ter desmilitarizado a área até o [rio] Litani. Agora, nós devemos fazer isso por eles”, concluiu o texto do governo israelense.

ATAQUES E IMPASSE EM ACORDO
Israel lançou uma de suas mais extensas séries de bombardeios contra Beirute em décadas. Segundo as IDF (Forças de Defesa de Israel), mais de 100 centros de comando e instalações militares ligadas ao Hezbollah foram atingidos nesta 4ª feira (8.abr).
A escalada no Líbano expõe uma confusão diplomática sobre os limites de uma trégua na região. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif –que atua como mediador de negociações entre os Estados Unidos e o Irã–, afirmou que o acordo de cessar-fogo em discussão incluiria o território libanês.
A versão, no entanto, foi prontamente negada pelos governos de Israel e dos EUA. O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, esclareceu que Teerã acreditava equivocadamente que a trégua abrangeria o Líbano, mas que não houve acordo nesse sentido.
Em retaliação à ofensiva israelense em Beirute, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) publicou um comunicado afirmando que “um ataque contra o Hezbollah é um ataque contra o Irã” e prometeu preparar uma “resposta pesada” militar contra Israel.





