Taxa anualizada acelerou de 3,81% em fevereiro para 4,14% em março, segundo o IBGE; combustíveis pressionam
A taxa mensal de inflação acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março, o 1º mês depois do início da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã. Foi a mais alta para o mês desde 2022, quando atingiu 1,62%.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) nesta 6ª feira (10.abr.2026). Eis a íntegra da apresentação (PDF – 709 kB).

O resultado ficou acima das projeções dos agentes financeiros, que esperavam uma taxa de 0,69% a 0,79%, segundo estimativas obtidas pelo Poder360. Os conflitos resultaram na obstrução do estreito de Ormuz, encarecendo a cotação do petróleo no mercado internacional.
Segundo o IBGE, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 3,81% em fevereiro para 4,14% em março. A alta de preços frustra as projeções de fevereiro dos agentes financeiros, que esperavam uma taxa anualizada abaixo de 4% a partir de março.

O conflito piorou as projeções dos agentes financeiros e tem se refletido no IPCA, como mostrou o IBGE.
A taxa mensal de 0,88% foi impactada pelos grupos Transportes (+1,64%) e Alimentação e bebidas (+1,56%). Juntos, os 2 grupos respondem por 76% do IPCA de março.
A alta dos Transportes mais que dobrou de fevereiro (+0,74%) para (+1,64%), impulsionada pela alta nos combustíveis (4,47%). A gasolina subiu 4,59%, sendo o principal impacto individual (0,23 ponto percentual) no índice. O óleo diesel teve alta de 13,90% em março. O etanol subiu 0,93%.
As passagens aéreas subiram 6,08% em março, depois de registrarem alta de 11,40% em fevereiro.
POLÍTICA MONETÁRIA
Em março, o Banco Central disse que a probabilidade de a inflação ficar acima do intervalo da meta de 3% é de 30%. A tolerância é de até 4,5%.
A autoridade monetária disse que os conflitos no Oriente Médio ampliaram as incertezas econômicas e o prolongamento da guerra poderá ter impacto “significativo e duradouro”. Os efeitos possíveis são o enfraquecimento da atividade econômica e o aumento da inflação.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já disse que é preciso “tempo para entender” os impactos da guerra do Oriente Médio na economia para analisar os próximos passos da política monetária. Citou, também, que é preciso ter “movimentos mais seguros” em período de incerteza, mas que o Brasil tem uma “gordura” por ter mantido os juros em nível elevado em 2025.
O Banco Central reduziu de 15% para 14,75% ao ano a taxa básica, a Selic, utilizada como principal ferramenta da política monetária. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) disse que os próximos passos dependerão da duração do conflito no Oriente Médio.
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