Programa nuclear iraniano e liberação do estreito de Ormuz foram os principais entraves
Após 21 horas de negociações com Irã, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse neste sábado (11.abr.2026) que a comitiva norte-americana deixa Islamabad sem acordo de paz. A capital do Paquistão serviu como território neutro para a mediação das tratativas para o fim da guerra, o que não avançou. O conflito armado entre os EUA e o Irã dura mais de 40 dias.
Segundo Vance, o Irã não aceitou termos norte-americanos. O principal tópico de inflexão foi a exigência de que o Irã não construísse armas nucleares. “Esse é o objetivo central do presidente dos Estados Unidos [Donald Trump]. Não chegamos a um acordo e acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos”, disse JD Vance, em entrevista a jornalistas em Islamabad.
Outro ponto de entrave da negociação para um cessar-fogo é a reabertura do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fornecimento global de petróleo, além de insumos importantes para a economia global, como gás natural liquefeito e ureia.
O Irã bloqueou o estreito de Ormuz desde o início do conflito, o que contribuiu para a elevação dos preços globais do petróleo devido à redução da oferta e à escassez de fluxo na principal rota de exportação de energia do golfo Pérsico. Nesse contexto de instabilidade, o Irã passou a defender a cobrança de taxas de trânsito para embarcações que utilizam o estreito, como forma de obter receita direta com a passagem marítima e reforçar sua posição estratégica sobre uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia.
Neste momento, segundo autoridades iranianas, a passagem está reaberta, mas sob uma trégua frágil, o que mantém o clima de incerteza e reduz o volume de travessias. Irã anunciou que irá destruir navios que cheguem sem autorização ao estreito de Ormuz.
O QUE CADA LADO QUER
As reivindicações norte-americanas são:
- livre navegação no estreito de Oormuz;
- conter o programa nuclear iraniano e impedir avanço para capacidade armamentista;
- enfraquecer a capacidade militar iraniana no conflito regional;
- reduzir a influência de aliados regionais de Teerã;
- manter pressão por sanções e limites econômicos ao Irã.
Já o Irã quer:
- manter ou ampliar o controle sobre o estreito de Ormuz;
- suspender suas sanções econômicas;
- ter acesso a ativos financeiros congelados no exterior;
- reparações de guerra;
- cessar-fogo regional mais amplo, incluindo o Líbano;
- preservar capacidades militares e nucleares estratégicas.
Por que um acordo é difícil
As negociações enfrentam atritos estruturais profundos, que vão além do conflito atual. Os EUA condicionam qualquer avanço à limitação do programa nuclear iraniano e à garantia de livre navegação pelo estreito de Ormuz. Já o Irã interpreta essas exigências como restrições diretas à sua soberania e insiste na manutenção de suas capacidades militares, além de compensações econômicas pelos impactos da guerra.
Além disso, persistem divergências sobre sanções econômicas, ativos congelados no exterior e a arquitetura de segurança regional, incluindo o papel de aliados iranianos no Oriente Médio. Esses pontos, somados à desconfiança acumulada entre Washington e Teerã ao longo de décadas, tornam um acordo abrangente politicamente sensível e tecnicamente complexo, mesmo com a continuidade das negociações.
A conversa marcou a 1ª reunião direta entre representantes dos 2 países em mais de 10 anos, além do encontro de mais alto nível entre eles desde a Revolução Islâmica de 1979.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D Vance (Partido Republicano), o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump (Partido Republicano), participaram de reuniões com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi.





