Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, decidiu não entrar na arena aberta por colegas que cobram dele uma atuação mais assertiva na defesa pública da Corte. Alvo de críticas veladas e ‘desabafos’ à imprensa, o ministro mantém o estilo que adotou à frente do tribunal.
Enquanto uma ala majoritária — composta por Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — espera uma defesa mais enfática em assuntos que envolvam a imagem da Corte, Fachin mantem convicção de que esse comportamento é uma forma de aproximar ainda mais o STF da fogueira.
A mais recente desavença envolve demora do presidente do Supremo em se manifestar a respeito do indiciamento de ministros na CPI do Crime Organizado, no Senado Federal. Embora o relatório final tenha sido rejeitado, a inclusão dos nomes de Toffoli, Moraes e Gilmar Mendes — além do procurador-geral da República, Paulo Gonet — em investigações ligadas ao crime organizado provocou forte reação interna.
Quando veio, a resposta de Fachin foi considerada tardia e insuficiente por parte dos ministros. No fim da tarde de terça-feira, 14, ele divulgou nota em que solicitava à Procuradoria-Geral da República a adoção de medidas em relação à conduta do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na elaboração do relatório da CPI. Ao longo do dia, porém, Dino e Gilmar já haviam se manifestado publicamente nas redes sociais.
Pela manhã, Fachin havia telefonado a colegas informando que uma nota seria divulgada, o que aumentou a expectativa por uma reação mais rápida e incisiva.
Reservadamente, o presidente do Supremo atribui o embate a uma diferença de concepção sobre como enfrentar crises institucionais. Para ele, a defesa da Corte não se faz apenas por meio de declarações públicas, mas sobretudo pela condução da agenda.
Sua estratégia tem dois eixos: priorizar julgamentos de alto impacto social e acelerar a análise de decisões monocráticas levadas ao plenário. Em sua visão, o Supremo deve “falar pela pauta”.
A prática, no entanto, nem sempre acompanha a teoria. Na sessão plenária desta quarta-feira 15, dois julgamentos rumorosos foram suspensos após pedidos de vista de Moraes e Gilmar Mendes: se nomeações de parentes para cargos políticos configuram nepotismo e a extensão do direito ao silêncio em abordagem policial.
Após a sessão, saíram juntos do elevador privativo em direção ao estacionamento do STF os ministros Moraes, Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Conversavam em tom descontraído.




