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Lula lidera, mas PT vê eleição aberta e prepara batalha pelo centro – CartaCapital


Pesquisas encomendadas pelo PT para balizar estratégias político-eleitorais têm reiterado a liderança de Lula em intenção de voto. Mas constatam, também, algumas fragilidades do presidente, daí que são reais as chances da oposição. Desenha-se uma disputa dramática, motivo de petistas usarem expressões fortes sobre a futura campanha.

“Será a eleição mais histórica das nossas vidas, tão difícil quanto a de 2022. Vai ser decidida por 2% ou 3% de eleitores do centro”, afirma Henrique Fontana, secretário-geral do PT.  “O Jair Bolsonaro transfere quase todos os votos para o Flávio, que é o bolsonarismo em estado bruto.”

“Temos obsessão com a busca pelo centro, cada negociação lá na ponta será muito importante nessa eleição”, afirma Fontana. 

Esta ‘obsessão’ ficará clara no Congresso Nacional do PT nos dias 24, 25 e 26 de abril, em Brasília. Ali será definida a tática eleitoral do partido e sua política de alianças. 

Lula venceu o então presidente por 50,9% a 49,1%. Nas pesquisas internas do PT, o peso da idade aparece como um fator relevante, sobretudo entre os mais jovens, que já não o enxergam como símbolo de futuro. O petista também paga o preço de ser o chefe da nação em uma época em que o capitalismo concentra renda e produz pobreza no mundo todo. A vida do cidadão comum não tem sido fácil.

Um levantamento da consultoria americana Morning Consult, divulgado em abril, reforça esse quadro: entre 24 líderes avaliados, 16 registram mais rejeição do que aprovação. Lula entre eles.

“A eleição no Brasil vai ser a mais importante do mundo”, diz o chefe da articulação política do Palácio do Planalto, ministro José Guimarães. Um colaborador de Lula na área internacional compara a campanha vindoura à batalha de Stalingrado. A derrota nazista contra os soviéticos em 1943 selou o destino da Segunda Guerra Mundial. 

Até assumir a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência em 14 de abril, Guimarães coordenava o Grupo de Trabalho Eleitoral do PT. O grupo é encarregado de fazer os diagnósticos político-eleitorais nos estados e municípios e propor alianças e estratégias. 

A metáfora bélica ajuda a entender decisões recentes dentro do PT. O próprio Guimarães virou uma espécie de “baixa estratégica”. Deputado pelo Ceará desde 2007 e bem posicionado para disputar o Senado, ele abriu mão da candidatura para viabilizar uma composição mais ampla no estado.

“A minha desistência foi muito doída”, conta Guimarães. “Foram muito doídos os bastidores.”

O Ceará deu a Lula uma de suas maiores vitórias sobre Bolsonaro: 70% a 30%. Foram 2,1 milhões de votos de vantagem, por acaso, a mesma do resultado final geral.

O namoro de Ciro Gomes com o PL de Flávio Bolsonaro e uma possível candidatura dele a governador do Ceará pelo PSDB complicam a reeleição do atual mandatário cearense, Elmano de Freitas, do PT. E, em consequência disso, o palanque lulista no estado corre risco de fragmentação e enfraquecimento. 

Camilo Santana, antecessor e padrinho de Freitas, deixou o Ministério da Educação há alguns dias. Ele tem a missão de resolver o imbróglio político no Ceará. Sacrificar Guimarães na corrida ao Senado, em nome de um aliado de outro partido, faz parte da solução costurada.

A reeleição de Lula é prioridade total. É o que explica, por exemplo, outro petista ter sido sacrificado. Edegar Pretto queria disputar o governo gaúcho, mas a direção nacional do PT impôs que fosse vice na chapa de Juliana Brizola, do PDT.

Apesar da dramaticidade no ar, Guimarães está otimista com as possibilidades de Lula por causa do que chama de “triângulo das Bermudas”, os três estados com mais eleitores: São Paulo, Minas e Rio. “É aí que a eleição vai ser decidida”, diz.

Em São Paulo, o PT concorrerá a governador com Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda. Em Minas, apoiará Rodrigo Pacheco, recém-filiado ao PSB, caso o senador de fato se candidate. No Rio, se aliará ao ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD. Todos eles terão o compromisso de pedir voto em Lula.



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