Agência Brasil
Sem citar o nome de Flávio Bolsonaro (PL), Lula disse que o extremismo não acabou e vai disputar a eleição no Brasil
O presidente Lula (PT) disse, neste sábado (18), que, apesar de o Brasil ter “acabado de derrotar o extremismo”, ele “continua vivo e vai disputar a eleição outra vez”.
O petista se referiu à tentativa de golpe de Estado, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão.
Sem citar o nome de Flávio Bolsonaro (PL), Lula disse que o extremismo não acabou e vai disputar a eleição.
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“E posso dizer para vocês, companheiros, no meu Brasil nós acabamos de derrotar o extremismo. Nós temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia. Nós temos quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram dar um golpe. Mas o extremismo não acabou. Ele continua vivo e vai disputar a eleição outra vez”, disse Lula, em discurso.
Pesquisas de intenção de voto mostram indefinição na eleição presidencial de outubro.
De acordo com o último Datafolha, divulgado nesta semana, Lula tem 39% dos votos no primeiro turno e Flávio, 35%.
No 2º turno, o filho do ex-presidente aparece numericamente à frente, com 46% dos votos, enquanto o petista tem 45%.
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, eles estão tecnicamente empatados nas duas rodadas.
Lula está na Espanha, onde participa de um fórum pela democracia.
Na fala, ele pregou o multilateralismo, voltou a criticar a ONU e os países-membros do Conselho de Segurança —China, EUA, França, Reino Unido e Rússia— e pediu sua expansão.
Segundo o presidente, o grupo foi criado para evitar a guerra, mas seus membros permanentes “viraram os senhores da guerra”.
“Porque esse tema [democracia] que nós estamos discutindo aqui poderia estar sendo discutido nas Nações Unidas. E por que não está discutido nas Nações Unidas? Porque hoje as Nações Unidas não representam aquilo para o qual ela foi criada”, afirmou.
“Os cinco membros do Conselho de Segurança, os membros permanentes, que quando se criou o Conselho de Segurança era para garantir a paz no mundo após a segunda guerra mundial, viraram os senhores da guerra”, acrescentou.
“A ONU que teve força para criar o Estado de Israel, ela não tem força sequer para manter o Estado Palestino. Aliás, não tem força para manter as terras que foram marcadas na própria ONU”, complexou Lula, no seu discurso.
DONALD TRUMP – O petista também fez críticas ao presidente dos EUA, Donald Trump, mas sem citá-lo nominalmente.
“Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com o tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, declarou.
“Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar o seu comportamento”, completou.
E concluiu: “Para quem que o [ex-presidente dos EUA George W.] Bush pediu para invadir o Iraque? Para ninguém. Cadê as armas químicas que tinha no Iraque? Não tinha. Para quem que a França e a Inglaterra pediram pra invadir a Líbia? Para ninguém. Para quem o [presidente da Rússia Vladimir] Putin pediu para invadir a Ucrânia? Para ninguém. Pra quem que o Trump pediu pra invadir o Irã? Para ninguém. Pra quem Israel pediu pra invadir a Faixa de Gaza, como fez? Para ninguém. Para quem [Trump] que pediu pra invadir a Venezuela? Para ninguém”.
Lula ainda voltou a pedir a regulamentação das plataformas digitais.
Reforçou que as big techs têm o poder de interferir nas eleições e de propagar notícias falsas, enfraquecendo a democracia.
Além disso, o petista ainda abordou temas internos, como o fim da escala 6×1.
NA ESPANHA – o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, Lula e outros líderes internacionais se reúnem hoje em Barcelona.
Eles participam do 4º Encontro em Defesa da Democracia, lançado em 2024 pelo Brasil e pela Espanha.
Participam do encontro representantes de cerca de 15 nações.
Entre eles estão: os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro; da África do Sul, Cyril Ramaphosa; do Uruguai, Yamandú Orsi; do México, Claudia Sheinbaum; e do Conselho Europeu, António Costa.





