Início NACIONAL Lula quer usar receita do petróleo para conter alta da gasolina

Lula quer usar receita do petróleo para conter alta da gasolina


Projeto do governo liga arrecadação extra do petróleo à redução de PIS, Cofins e Cide sobre combustíveis com neutralidade fiscal

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer usar o aumento da arrecadação com a alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio para reduzir tributos sobre combustíveis. 

A proposta foi anunciada nesta 5ª feira (23.abr.2026) e enviada ao Congresso por meio de projeto de lei complementar. O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, disse que o projeto será discutido em reunião de líderes na 3ª feira (28.abr). “O projeto foi protocolado hoje”, disse. Leia a íntegra (PDF – 99kB).

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida traz neutralidade fiscal, com compensação integral da queda de receita por ganhos extraordinários do setor de óleo.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o mecanismo permitirá mitigar os efeitos da guerra sobre os preços de energia “sem pressionar as contas públicas, o que é central para proteger a população e manter o equilíbrio fiscal”.

Moretti afirmou que a proposta autoriza o governo a reduzir tributos como PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e Cide (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) sobre a gasolina e etanol –a exemplo do que já fez com diesel e biodiesel– sempre que houver aumento extraordinário de arrecadação com petróleo. 

O ministro disse que o Brasil amplia receitas com royalties, contratos de partilha e vendas da PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) quando a cotação internacional sobe.

O limite para a redução será exatamente essa receita adicional. “A neutralidade fiscal estará sempre assegurada”, disse. A redução, se aprovada pelo Congresso, será feita por decreto presidencial e poderá ter duração de até 2 meses, com possibilidade de reavaliação conforme a oscilação dos preços.

Moretti disse que o governo já retirou tributos sobre o diesel e o biodiesel, mas ainda não aplicou a medida para gasolina e etanol. Segundo ele, uma nova rodada poderá incluir esses combustíveis e prorrogar a desoneração do diesel.

De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento, cada redução de R$ 0,10 nos tributos sobre a gasolina representa impacto de aproximadamente R$ 800 milhões em um período de 2 meses. Esse custo, porém, será limitado à receita extraordinária disponível.

O ministro afirmou que o projeto será apresentado com pedido de urgência, em razão da volatilidade do petróleo e dos efeitos da guerra. Disse que o diálogo com Câmara e Senado foi positivo e que o governo confia na aprovação.

REGRAS FISCAIS

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que não haverá anúncio imediato de corte de tributos. Disse que a equipe econômica busca um mecanismo permanente para mitigar os impactos externos sem comprometer as regras fiscais.

Durigan afirmou que o Brasil está entre os países com maior resiliência para enfrentar o cenário internacional. Citou medidas já adotadas, como retirada de tributos sobre diesel, subvenções e ações regulatórias, e disse que a proposta em discussão mantém essa estratégia.



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