Os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Podemos-CE) anunciaram nesta quinta-feira 7 que pedirão que a presidência Supremo Tribunal Federal declare a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques para analisar uma ação que busca obrigar o Congresso Nacional a instalar uma CPI sobre as fraudes do Banco Master.
A medida, de acordo com o emedebista, se justifica pela relação “íntima e notória” entre o magistrado e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos alvos da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta manhã. O anúncio da ofensiva foi compartilhado em postagem nas redes sociais de Vieira, mas a solicitação ainda não foi protocolada.
Ex-ministro de Jair Bolsonaro, Ciro é conterrâneo de Nunes Marques (os dois são naturais do Piauí) e atuou pela aprovação do magistrado no Senado após a indicação para o tribunal, em 2021. À época, Ciro se referia ao então desembargador como “nosso Kassio”. No mesmo ano, o ministro deu um voto decisivo no STF para rejeitar uma denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o parlamentar por suposta obstrução de Justiça.
As investigações da PF apontam que o dono do Master, Daniel Vorcaro, pagava até 500 mil reais mensais ao senador. Um dos indícios apontados contra Ciro é a tentativa de aprovar, no Congresso, a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de 250 mil para 1 milhão por depositante. A alteração beneficiaria o banco.
Desde quando as relações de Vorcaro com líderes do Centrão vieram à tona, parlamentares tentam instalar uma CPI no Congresso para investigar as fraudes cometidas pela instituição financeira. Mas os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resistem em dar andamento às solicitações.
Senadores até tentaram driblar as resistências e apurar o caso em comissões já abertas, como a CPMI do INSS e a do CPI do Crime Organizado, mas ambas terminaram com seus relatórios rejeitados.
Em outra frente, os congressistas recorreram ao STF para obrigá-los a criar os colegiados. O mandado de segurança do qual Nunes Marques é relator aportou no tribunal em 25 de março e, desde então, segue sem resposta. Naquele mesmo mês, o ministro Cristiano Zanin já havia barrado uma iniciativa semelhante. Como mostrou CartaCapital, o relator disse a aliados que estava descontente em ter ficado com a atribuição de decidir sobre o tema por considerar que aquele não era um “pepino” seu.





