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em novo tri de decepções, pior notícia veio do guidance – mercado segue cauteloso


Mais um trimestre fraco e com revisões para baixo nas projeções guiaram os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) do Banco do Brasil (BBAS3), que fechou a temporada dos bancões na B3.

O BB teve lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões de janeiro ao final de março, queda de 53,5% sobre o resultado do mesmo período de 2025, segundo balanço apresentado na última terça-feira (13). Estimativas compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 3,495 bilhões. Na comparação trimestral, o lucro caiu 40,2%.

A presidente-executiva do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que o resultado reflete um ambiente mais desafiador para o risco de crédito, com maior pressão especialmente na carteira de agronegócios.

Ao final de março, a carteira de crédito expandida do banco estatal somava R$1,3 trilhão, acréscimo de 2,2% na base anual e de 0,7% frente ao final de dezembro do ano passado. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 5,05%, de 3,63% um ano antes e 5,17% em dezembro de 2025.

O banco estatal ainda cortou sua projeção de lucro para 2026 para um intervalo de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões (ante R$ 22 bilhões a 26 bilhões). O BB também elevou sua estimativa para o custo de crédito no ano para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões (versus R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões anteriormente), após esse indicador ficar em quase R$ 18,9 bilhões nos primeiros três meses de 2026, alta de 85,8% ano a ano e de 5% no trimestre.

Para a XP Investimentos, o 1T26 do BBAS3 foi fraco, embora em linha, com a principal preocupação migrando do resultado em si para a piora do cenário.

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As receitas permaneceram como o principal ponto positivo, com NII (Receita Líquida de Juros) 4% da projeção da XP e revisão para cima do guidance. Contudo, isso foi mais do que compensado por uma deterioração mais ampla da qualidade de crédito, levando o guidance de custo de crédito a subir e o guidance de lucro líquido ajustado a cair. Cabe destacar que o ponto médio do guidance para o lucro, de R$ 20 bilhões, está cerca de 10% abaixo do consenso.

No Agro, a preocupação vai além dos números fracos atuais, com indicadores antecedentes piorando: as recuperações judiciais estão reacelerando (cerca de R$650 milhões apenas em abril) e a safra 26/27 aponta para uma assimetria de risco negativa, mantendo não desprezível o risco de deterioração adicional. Esse cenário é agravado por recuperações fracas no trimestre, avalia.

A Genial Investimentos também ressalta que o cenário do agro permanece particularmente desafiador. As recuperações judiciais seguem sem arrefecimento relevante: foram 162 processos no 1T26, enquanto abril já registrou 61 novos casos – ritmo que, anualizado, retornaria para níveis próximos aos observados no 2T25.

Além disso, a maior parte dos vencimentos relevantes até julho ainda está associada a safras anteriores a julho de 2025, originadas em um contexto de qualidade de crédito significativamente pior.

Outro ponto importante é que o crescimento da carteira segue concentrado em Pessoa Física (+7,8% ano a ano), segmento que responde por aproximadamente 49% do fluxo de perda esperada do banco e exige níveis mais elevados de provisionamento. “A combinação desses fatores ajuda a explicar por que o guidance revisado trouxe uma mensagem significativamente mais cautelosa para 2026”, aponta.

Na mesma linha, os analistas da XP destacam que a pressão de crédito não está mais restrita ao Agro, já que os índices de inadimplência (NPLs) iniciais de pessoa física aumentaram quase 0,90 ponto percentual (p.p.) frente o 4T25 e 2 pontos na comparação anual, sugerindo pressão adicional à frente.

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Desta forma, na visão da Genial, o BB reportou um 1T26 fraco, mas em linhas gerais amplamente esperado. O principal destaque negativo ficou para a revisão substancial do guidance de 2026 – anunciado há apenas três meses – refletindo uma deterioração mais intensa e prolongada do custo de crédito, especialmente no agronegócio. “Na prática, a revisão reforça que o processo de normalização do ciclo rural deve ser mais lento do que o próprio banco e o mercado antecipavam inicialmente”, aponta.

Assim, antes da abertura do mercado, projetava uma reação negativa, principalmente pela piora relevante nas expectativas de rentabilidade e pela elevação das incertezas em torno da recuperação da qualidade dos ativos ao longo de 2026.

Na visão do JPMorgan, a revisão do guidance poucas semanas após o seu Dia do Investidor, onde as havia reafirmado, pode prejudicar a credibilidade da administração. Isso visto que o BBAS revisou suas projeções cinco vezes consecutivas desde o primeiro trimestre de 2025 – embora o JPMorgan reconheça que suas estimativas já estavam abaixo das projeções e que alguns investidores compartilham nossas estimativas mais baixas.

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Ainda assim, isso pode reforçar as preocupações de que as safras de abril e maio tenham sido mais desafiadoras do que o esperado, o que agora se reflete na projeção de provisões mais alta. Embora a formação de novos NPLs tenha sido melhor do que o esperado, o banco observa que a empresa teve vendas de carteiras que impactaram os descontos concedidos em R$ 3,5 bilhões, contaminando esse indicador. “Também não temos certeza de quanto as renegociações do MP 1314 (com negociações do agro) ajudaram”, aponta.

Já a projeção revisada do lucro líquido ainda implica no ponto médio uma recuperação de mais de 50% em relação à taxa de execução atual de R$ 3,4 bilhões neste trimestre. “Possível, mas não fácil. Atualmente, projetamos R$ 20,6 bilhões e vemos risco de queda nas estimativas do mercado, que permanecem em R$ 22,5 bilhões. No geral, foi um trimestre negativo, o que – combinado com a volatilidade eleitoral – pode não sustentar as ações”, avalia o JPMorgan.

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Para o Morgan Stanley, o resultado abaixo do esperado foi impulsionado principalmente pelo maior custo do risco e maiores despesas operacionais. A maioria dos outros indicadores-chave de desempenho (KPIs) também apresentou desempenho fraco. “O ponto médio da projeção revisada de lucro líquido está 11% abaixo do consenso dos analistas. Em resumo, um trimestre e uma projeção decepcionantes”, avalia.

Recomendações

Neste cenário, analistas seguem cautelosos com as ações BBAS3, conforme mostra compilação da LSEG. De 10 casas, 6 recomendam manutenção, 2 recomendam venda e apenas 2 recomendam compra.

Para a XP, dado o ainda baixo nível de visibilidade e a assimetria de riscos negativa, com espaço para novas revisões para baixo e o papel negociando a cerca de 6 vezes o múltiplo de preço sobre o lucro para 2026 no novo ponto médio do guidance, a recomendação neutra foi reforçada.

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Na visão da Genial Investimentos, com o novo guidance apontando para um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) próximo de 10% em 2026 – patamar significativamente abaixo do custo de capital do banco – as ações do Banco do Brasil devem continuar negociando abaixo de 1 vezes o valor patrimonial por mais tempo.

O mercado passou a questionar não apenas a intensidade do ciclo atual de inadimplência, mas também qual será o novo nível estrutural de rentabilidade do banco após a normalização do agro; o tempo necessário para recuperação do ROE; e o impacto mais permanente da Resolução 4.966 sobre provisões e capital.

“Até que exista uma sinalização mais clara de estabilização da qualidade dos ativos e retomada mais consistente da rentabilidade, acreditamos que as ações devem permanecer pressionadas, negociando a múltiplos bastante deprimidos”, avalia, mantendo recomendação de manutenção para BBAS3, com preço-alvo de R$ 23,30.

O JPMorgan e o Bradesco BBI possuem recomendação neutra para os ativos, com o BBI tendo preço-alvo de R$ 21. O Goldman Sachs tem mesmo preço-alvo, mas recomendação de venda.



FONTE

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