O Ibovespa voltou a ficar atrativo depois de cair cerca de 11% em relação à máxima do ano, e os próximos dias serão decisivos para definir o próximo movimento do mercado. A avaliação é de Roberto Reis, diretor de investimentos da Meraki Capital, gestora com R$ 2,2 bilhões sob gestão especializada em renda variável e clientes de alta renda.
Reis diz que os investidores acompanham de perto as pesquisas eleitorais para medir o impacto das notícias sobre Flávio Bolsonaro junto ao eleitorado. “Uma queda maior da popularidade pode derrubar o mercado e criar um novo ponto de compra”, afirma.
Os fundos da gestora estão desfazendo proteções no mercado de opções e voltando a ficar mais comprados em bolsa. Mesmo diante de uma piora acentuada de Bolsonaro nas pesquisas, Reis avalia que haveria espaço para a emergência de outro candidato mais ao centro, com maiores chances de vencer.
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“Dependendo do resultado das eleições, com um governo com mais controle fiscal, podemos ter uma queda maior dos juros e o índice pode dobrar e bater 400 mil pontos em dois anos”, diz. Ele lembra que juros mais baixos ampliam o potencial de crescimento e o lucro das small caps.
Sem mudança de governo, a estratégia será permanecer em ações de grandes empresas, com a bolsa dependendo mais do fluxo estrangeiro e os juros ainda altos pressionando as companhias voltadas para a economia doméstica.
No exterior, Reis espera que Donald Trump se esforce para encerrar o conflito com o Irã antes das eleições legislativas de novembro. O fim da guerra deve favorecer as commodities, atrair fluxo para emergentes e abrir espaço para o Banco Central brasileiro acelerar o corte de juros.
O investidor local ficou de fora da maior parte dessa alta. Os estrangeiros acumularam compras líquidas de R$ 53 bilhões em 12 meses até abril, enquanto os locais venderam na mesma proporção, especialmente os institucionais. As pessoas físicas compraram apenas R$ 2,5 bilhões líquidos no período.
“Com um juro real tão alto, o varejo brasileiro ainda vai demorar para ir para a bolsa, provavelmente só depois da definição da eleição e de uma queda nas taxas”
No começo do ano, a Meraki já havia reduzido a exposição em small caps e concentrado o portfólio nas grandes. “As grandes empresas permitem aproveitar o movimento de compra dos estrangeiros e também são mais líquidas e facilitam as movimentações”, afirma.
A gestora completa cinco anos este ano. Entre suas principais investidoras está Lia Maria Aguiar, herdeira do fundador do Bradesco, Amador Aguiar, cuja fundação tem cerca de R$ 700 milhões aplicados com a casa. A Meraki pretende ampliar a gestão de fundos patrimoniais, os endowments, para outras fundações, e continuar com a alta renda, depois de uma tentativa frustrada de crescer no varejo.
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