A cúpula da Polícia Federal oficializou a segunda negativa à proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para os investigadores, o material apresentado pela defesa do dono do Banco Master não trazia novidades em relação ao que já havia sido mapeado pelas apurações nem continha novos elementos de prova.
Em maio, a PF e a Procuradoria-Geral da República recusaram os anexos apresentados pelo banqueiro por não apresentarem elementos adicionais às investigações. Em síntese, Vorcaro entregou o que a PF já sabia.
Investigadores do caso sinalizaram descontentamento com a pouca disposição do banqueiro em entregar aliados e apresentar novos dados para a equipe que investiga o caso.
A falta de colaboração de Vorcaro não tem sido bem vista por quem acompanha o processo, sobretudo pelo ministro André Mendonça, do STF. Apesar do descontentamento nos bastidores, o relator tem tentando manter discrição para evitar comentários de que está interferindo no processo.
No entanto, a estratégia de defesa que buscava driblar Mendonça, esvaziar a delação e apostar em um empate na Segunda Turma, foi motivo derradeiro para o advogado José Luis de Oliveira se retirar do caso.
O banqueiro chegou a ser transferido de uma cela especial na Superintendência da PF para uma cela comum, que tem menos regalias. Mas, ao manifestar interesse em ampliar a delação, Vorcaro retornou ao local onde estava custodiado, pois isso facilita os encontros com os advogados.
Sob a análise da PF estão oito aparelhos celulares de Vorcaro apreendidos. Para a delação prosperar, a PGR pede que a proposta ofereça a entrega de 60 bilhões de reais, ao invés de 40 bilhões de reais, como havia proposto o banqueiro inicialmente.





