Início FINANÇAS Acordo EUA-Irã reduz grande obstáculo para o Ibovespa, mas cenário segue desafiador

Acordo EUA-Irã reduz grande obstáculo para o Ibovespa, mas cenário segue desafiador


O recente apetite por risco no mercado dos EUA foi testado com uma sequência pouco comum no mercado de capitais, com SpaceX, OpenAI e Anthropic avançando em direção à estreia em bolsa. Do outro lado, o Brasil passou por uma forte saída de capital, em um cenário também de preocupação com inflação e reflexo em uma visão de menor queda de juros.

Para a Ágora Investimentos, o apetite por risco parece mostrar que existem algumas candidatas — mas não todas as empresas, nem a qualquer preço. O capital existe, porém, está mais concentrado. E essa concentração é importante para os mercados emergentes.

“Quando o dinheiro disponível para risco fica mais seletivo, o investidor estrangeiro compara com mais rigor onde alocar sua próxima unidade de capital. Nessa disputa, tecnologia, crédito, renda fixa, commodities e outras classes de ativos competem pelo mesmo fluxo de recursos”, ressalta.

Neste cenário, a assinatura de um acordo preliminar de paz entre EUA-Irã no último domingo é visto como positivo para o mercado doméstico, aponta a Ágora, uma vez que uma queda do petróleo cria uma nuance importante para o Brasil.

Na visão dos estrategistas, se o alívio geopolítico se sustentar, a pressão sobre inflação global, juros e prêmios de risco pode diminuir na margem.

“Isso não transforma o cenário em benigno de uma hora para outra, mas reduz um dos principais obstáculos para ativos de duration, mercados emergentes e bolsas mais descontadas”, apontam.

Setores diretamente ligados ao petróleo podem perder tração relativa, mas a bolsa como um todo tende a se beneficiar de menor pressão inflacionária, menor prêmio geopolítico e eventual reprecificação da curva de juros.

A XP também ressalta que esse ambiente de “risk-on” tende a beneficiar mercados acionários, inclusive emergentes como o Brasil. Por outro lado, preços mais baixos da commodity impactam diretamente a geração de caixa das empresas de petróleo, criando um cenário misto para o setor.

Alta sustentada?

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André Matos, CEO da MA7 Negócios, ressalta que o acordo de paz trouxe ânimo imediato, com o índice superando os 170 mil pontos e o real se valorizando frente ao dólar. Mas, para uma alta sustentada, ainda é preciso mais do que apenas o alívio geopolítico, porque o mercado precisa enxergar três coisas adicionais: clareza fiscal no Brasil, sinalização mais dovish do Federal Reserve na reunião desta semana e confirmação de que o Copom retomará cortes da Selic ainda no segundo semestre. “Em resumo, o cenário melhorou de forma significativa, mas a alta de fato consistente depende da combinação desses gatilhos, e não apenas da pacificação no Oriente Médio”, afirma o analista.

O acordo traz alívio macro global ao reduzir tensões geopolíticas, o que favorece fluxo para emergentes e pode ajudar na compressão do dólar, diz Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital.

No entanto, o índice ainda carece de mais catalisadores domésticos para retomar uma tendência de alta consistente, avalia. Enquanto isso, a dependência de commodities, especialmente da Petrobras (PETR3;PETR4), limita o fôlego quando o petróleo recua.

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Para o Ibovespa ganhar ânimo de verdade e romper resistências importantes, precisam-se de desdobramentos adicionais como sinais claros de afrouxamento monetário mais forte no Brasil, avanços na agenda fiscal ou melhora no cenário político eleitoral.

“Enquanto isso, o movimento deve seguir lateralizado ou em correção técnica, com viés positivo apenas em dias de apetite global por risco. O acordo é positivo para a estabilidade global, mas exige ajuste de expectativas para o setor de energia e para a Bolsa como um todo”, aponta Uarian.

Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações, destaca que o índice brasileiro não sobe apenas com alívio externo. Para uma alta mais consistente, o mercado ainda precisa ver confirmação do acordo, queda sustentada do petróleo, dólar mais fraco e melhora no cenário doméstico. “A tendência é menos uma disparada do Ibovespa e mais uma troca de liderança, com petroleiras perdendo fôlego e setores ligados a juros e consumo ganhando espaço”, afirma.

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“O acordo melhora o cenário, mas não elimina os demais desafios que continuam influenciando a Bolsa brasileira”, reforça Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.



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