Mesmo com o rali do início do ano, o Ibovespa rendeu ligeiramente menos que o CDI no primeiro semestre, mas as pagadoras de dividendos amenizaram o resultado do investidor mais focado em renda passiva. O IDIV, índice de dividendos da B3, superou tanto a bolsa quanto a renda fixa, e olhando ação por ação essa vantagem aparece com ainda mais força: alguns papéis devolveram ao acionista, só em proventos, uma fatia bem maior do que qualquer aplicação em CDI teria rendido no mesmo intervalo.
A PetroRecôncavo (RECV3) liderou com folga o retorno em dividendos do semestre, de 12,06%, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta a pedido do InfoMoney. O estudo mede o dividend yield pago pelas ações do Ibovespa nos seis meses encerrados em 30 de junho de 2026 e compara o resultado com os dois semestres anteriores e com o retorno acumulado em 12 meses.
Várias ações que figuram na lista estão também entre as mais recomendadas na virada de semestre pelos maiores bancos e corretoras do País, com exceção justamente de RECV3, reforçando o mantra de que dividendo pago no passado não é garantia de pagamento futuro.
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Copel (CPLE3), na segunda posição com 8,67%, e Allos (ALOS3), na quinta com 6,18%, por exemplo, são algumas das que também estão entre as ações mais recomendadas para os próximos seis meses.
Confira as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa no primeiro semestre de 2026:
| Empresa (Ticker) | DY no semestre 1S26 | DY 12 meses |
|---|---|---|
| PetroRecôncavo (RECV3) | 12,06% | 9,52% |
| Copel (CPLE3) | 8,67% | 9,11% |
| BB Seguridade (BBSE3) | 7,17% | 12,67% |
| CPFL Energia (CPFE3) | 7,00% | 9,13% |
| Allos (ALOS3) | 6,18% | 12,10% |
| Cemig (CMIG4) | 6,13% | 11,86% |
| Telefônica Brasil (VIVT3) | 5,41% | 7,87% |
| B3 (B3SA3) | 5,00% | 5,17% |
| Petrobras (PETR4) | 4,39% | 9,46% |
| Petrobras (PETR3) | 4,16% | 8,71% |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | 4,10% | 8,93% |
| CSN Mineração (CMIN3) | 4,03% | 7,78% |
| Porto Seguro (PSSA3) | 4,01% | 5,46% |
| Santander Brasil (SANB11) | 3,63% | 7,78% |
| Taesa (TAEE11) | 3,49% | 9,38% |
| Lojas Renner (LREN3) | 3,36% | 5,60% |
| Isa Energia (ISAE4) | 3,36% | 7,98% |
| Vibra (VBBR3) | 3,14% | 7,46% |
| Cury (CURY3) | 3,02% | 14,82% |
| Itaúsa (ITSA4) | 2,59% | 12,19% |
As ações mais recomendadas para o segundo semestre
Cinco ações que mais pagaram proventos no primeiro semestre também aparecem entre as mais recomendadas na virada do semestre, segundo as carteiras monitoradas pelo InfoMoney: Allos, Petrobras, Copel, Caixa Seguridade e Itaúsa.
Já Bradesco, Vale e Axia Energia não foram as que mais remuneraram o acionista no ano até aqui, mas mantêm-se recomendadas pelas casas por sua capacidade de geração de caixa e potencial de valorização.
Confira o ranking das ações de dividendos mais indicadas na virada de junho para julho, e como os analistas justificam as recomendações:
| Ação | Nº de recomendações | DY 12 meses |
|---|---|---|
| Allos (ALOS3) | 7 | 12,10% |
| Petrobras (PETR4) | 6 | 9,46% |
| Itaúsa (ITSA4) | 5 | 12,19% |
| Copel (CPLE3) | 5 | 9,11% |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | 5 | 8,93% |
| Bradesco (BBDC4) | 5 | 8,95% |
| Vale (VALE3) | 5 | 10,40% |
| Axia Energia (AXIA3) | 5 | 9,07% |
Líder do ranking de recomendações com 7 das 10 carteiras e dividend yield de 12,10% em 12 meses, a Allos também é a quinta maior pagadora do semestre, com retorno de 6,18% em seis meses. O BTG Pactual mantém a ação na carteira citando a previsibilidade das receitas dos shoppings e a guidance de dividendos para 2026 com yield implícito de 12%, avaliando que “o mercado ainda não precificou completamente a nova política de payout da Allos, caso ela se prove sustentável nos próximos anos”. A Ágora Investimentos destaca o papel como alternativa de alto carrego em um ambiente de juros elevados, e o Santander reitera compra com preço-alvo de R$ 38,50 para 2026, apoiado no portfólio de 55 shoppings da companhia.
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Petrobras (PETR4)
Com seis recomendações, a Petrobras tem dividend yield de 9,46% em 12 meses e pagou 4,39% em dividendos no primeiro semestre. O BTG Pactual mantém a ação mesmo após a correção do petróleo, estimando dividend yield de cerca de 11% para 2026 e 2027 mesmo num cenário conservador de US$ 70 o barril de Brent, e vê a pressão das vendas do BNDES perdendo força. A Terra Investimentos reforça a liderança da estatal na exploração e no refino, com produção de 2,2 milhões de barris por dia no pré-sal e custos competitivos que sustentam a distribuição de dividendos, enquanto o Itaú BBA mantém o papel na carteira com potencial de valorização de 67,8%.
A Itaúsa integra cinco das dez carteiras e tem o maior dividend yield em 12 meses do ranking, 12,19%, embora tenha pago apenas 2,59% no semestre mais recente. A Terra Investimentos vê a holding negociando com desconto relevante em relação a seus ativos, sobretudo a participação no Itaú Unibanco, com potencial de recuperação em Dexco e Alpargatas. A Ágora Investimentos complementa que a diversificação para fora do setor financeiro, com participações em Aegea, NTS e CCR, reduz a dependência do banco e sustenta a política de dividendos da holding.
A Copel soma cinco recomendações, dividend yield de 9,11% em 12 meses e foi a segunda maior pagadora do semestre, com 8,67% em seis meses. O BTG Pactual destaca o cumprimento consistente das metas pós-privatização, a migração para o Novo Mercado e a vitória no leilão de reserva de capacidade (LRCAP). A Ágora Investimentos resume que “a Copel segue bem-posicionada, com balanço saudável, trajetória de crescimento consistente e capacidade reforçada de execução, mantendo-se entre os nomes mais atrativos do setor no longo prazo”.
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Caixa Seguridade (CXSE3)
A Caixa Seguridade soma cinco recomendações, dividend yield de 8,93% em 12 meses e pagou 4,10% no semestre. O BTG Pactual mantém a ação como preferência no setor de seguros, citando o momento operacional superior e o fluxo de caixa de longo prazo da carteira de seguros: “para investidores buscando exposição a um nome financeiro mais defensivo, seguimos vendo a CXSE como o melhor perfil de carrego dentro do setor”. A XP elevou o peso do papel na carteira de 5% para 7,5% neste mês, citando atividade comercial forte, boa dinâmica em previdência e sinistralidade controlada, enquanto a Ágora Investimentos destaca o acesso exclusivo da companhia ao canal de distribuição da Caixa Econômica Federal como vantagem competitiva difícil de replicar.
Bradesco (BBDC4)
O Bradesco entra no grupo das mais recomendadas com cinco indicações e dividend yield de 8,67% em 12 meses, embora não apareça entre as maiores pagadoras do semestre no levantamento da Elos Ayta. O BTG Pactual considera forte o resultado do primeiro trimestre e vê potencial de geração de patrimônio tangível capaz de destravar valor aos acionistas, enquanto o Itaú BBA mantém o papel na carteira de dividendos com potencial de valorização de 21,1%.
A Vale aparece em cinco carteiras com dividend yield de 6,78% em 12 meses. O BTG Pactual elevou as estimativas de Ebitda da mineradora para 2026-2028, avaliando que os preços mais altos de minério de ferro, cobre e níquel compensam a inflação de custos do setor, com espaço adicional vindo do crescimento em cobre. O Itaú BBA mantém o papel na carteira com potencial de valorização de 21,6%.
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Axia Energia (AXIA3)
A Axia Energia fecha o ranking com cinco recomendações e dividend yield de 6,75% em 12 meses. O BTG Pactual avalia que a companhia ainda está nos estágios iniciais do que deve se tornar uma importante pagadora de dividendos, após pagamentos extraordinários que já somam mais de R$ 8 bilhões desde 2025. A XP elevou a posição de 5% para 12,5% neste mês, citando a Axia como uma das principais proxies líquidas do setor elétrico brasileiro para investidores estrangeiros que buscam exposição a utilities em mercados emergentes. O Santander complementa que a companhia é a maior do setor elétrico da América Latina, com 43,9 gigawatts de capacidade instalada, e avalia que “a nova dinâmica dos preços de energia elétrica, aliada ao bom momentum da empresa, justifica um valuation razoável”.





