Com cenário de bolsa instável, trajetória incerta dos juros e disputa presidencial de outubro no radar, analistas optaram por redobrar a aposta em setores considerados mais resistentes a choques nas carteiras na virada do primeiro para o segundo semestre.
Os principais bancos e corretoras do País, nesse sentido, reforçaram a presença de bancos, tradicional porto seguro em anos eleitorais, nas carteiras recomendadas de julho.
Mas também chama atenção o caso da Embraer (EMBJ3): há um mês, a fabricante de aviões sofria com um resultado trimestral fraco e ações em queda; hoje, é a segunda ação mais recomendada do mercado, atrás só do Itaú Unibanco (ITUB4), presente em oito das dez carteiras analisadas pelo InfoMoney.
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| Ação (Ticker) | Recomendações | Retorno no semestre (%) |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco (ITUB4) | 8 | +9,66 |
| Embraer (EMBJ3) | 7 | -7,27 |
| Vale (VALE3) | 7 | +8,23 |
| Petrobras (PETR4) | 6 | +26,44 |
| Axia Energia (AXIA3) | 5 | +7,45 |
| Bradesco (BBDC4) | 5 | +1,66 |
| Rede D’Or (RDOR3) | 4 | -13,72 |
| Localiza (RENT3) | 4 | -2,33 |
| Sabesp (SBSP3) | 4 | +11,89 |
Itaú Unibanco (ITUB4)
O banco é a recomendação mais unânime da temporada. A Ágora aponta o Itaú como sua principal escolha no setor bancário, com ROE consistentemente acima de 20% e excesso de capital que abre espaço para dividendos extraordinários. A BB Investimentos destaca a disciplina na gestão de risco e a diversificação de receitas como fatores que sustentam o caráter defensivo do papel em um cenário de juros ainda elevados. No primeiro trimestre, o banco reportou lucro líquido de R$ 12,3 bilhões e ROE de 24,8%, com inadimplência controlada, segundo a Andbank.
Embraer (EMBJ3)
A fabricante de aeronaves foi penalizada no início do ano por um mix de clientes menos favorável, alta de custos e tarifas de importação nos Estados Unidos, o que levou as ações a caírem cerca de 16%. A BB Investimentos avalia que a queda não condizia com os fundamentos de longo prazo da companhia e elevou a recomendação de Neutra para Compra. A Ativa Investimentos e o Itaú BBA reforçam a tese com o backlog recorde da empresa, que dá visibilidade plurianual de receita, o avanço das encomendas da plataforma E2 e o potencial de novos contratos na divisão de defesa.
Vale (VALE3)
A mineradora combina valuation descontado com expectativa de recuperação do preço do minério de ferro. A Ágora cita a disciplina operacional da nova gestão, a redução de custos C1 e a opcionalidade em cobre e níquel como vetores de reavaliação das ações, além da redução de incerteza jurídica após os acordos de Mariana e Brumadinho. A Terra Investimentos reforça que a companhia reduziu custos de produção de forma consistente, mantendo a relação dívida líquida/Ebitda em patamar saudável.
Petrobras (PETR4)
A estatal segue como proteção em carteiras mais defensivas, sustentada por um dividend yield que ainda gira entre 9% e 11%, mesmo com o petróleo recuando após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O BTG Pactual mantém a ação como hedge para uma eventual piora geopolítica no Oriente Médio. Nem todas as casas mantêm a mesma convicção: o Itaú BBA retirou a Petrobras de sua carteira Top 5 neste mês, justamente por considerar o cenário para o petróleo menos favorável no curto prazo, e trocou a vaga por Bradesco.
Axia Energia (AXIA3)
A elétrica aparece como alternativa de exposição ao setor de geração e transmissão, visto como mais previsível pelas casas de análise. A Ágora projeta dividend yield de aproximadamente 6,5% para 2026 e trata a fraqueza recente das ações como oportunidade tática de entrada, com fundamentos sólidos no médio prazo. Já a Ativa Investimentos incluiu a companhia entre os ajustes de peso do mês, mantendo-a como uma das posições centrais da carteira.
Bradesco (BBDC4)
O banco ganhou força como história de recuperação. O Santander o mantém como Top Pick entre os grandes bancos, projetando alta de 12% a 14% no lucro líquido em 2026 e ROE caminhando para 17% até o fim do ano, impulsionado pelo avanço do “Plano de Transformação”. O Itaú BBA trocou a Petrobras pelo Bradesco justamente por enxergar uma assimetria mais atrativa, com valuation descontado e sinais de melhora na qualidade da carteira de crédito.
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Rede D’Or (RDOR3)
A rede hospitalar é Top Pick do setor de saúde para o Santander, que destaca o posicionamento dominante da companhia e a resiliência operacional em diferentes cenários econômicos, com a SulAmérica ganhando participação de mercado. A XP incluiu o papel na carteira neste mês, citando a maturação de ativos e a estabilidade trazida pelo excesso de provisionamento da seguradora.
Localiza (RENT3)
A locadora de veículos aparece como Top Pick de transportes para o Santander, que aponta o momento operacional favorável e a exposição a cortes futuros da Selic entre os pilares da tese, com valuation ainda atrativo frente à média histórica. A BB Investimentos reforça a leitura após a recente queda das ações, destacando o bom controle da depreciação e o crescimento consistente de lucros da companhia.
Sabesp (SBSP3)
A companhia de saneamento colhe os resultados do primeiro ano da nova gestão privada, que superou expectativas em eficiência operacional e execução tarifária, segundo o Santander. O Itaú BBA trocou a Equatorial pela Sabesp na carteira Top 5 justamente por enxergar gatilhos de curto prazo mais fortes, como o programa Universaliza SP 2, que pode se tornar uma alavanca relevante de crescimento e retorno ao acionista.
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