Início NACIONAL Itamaraty envia carta ao USTR contra tarifa adicional de 12,5%

Itamaraty envia carta ao USTR contra tarifa adicional de 12,5%


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira (foto), enviou nesta segunda, 6, uma carta ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para contestar a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.

Trata-se da segunda sobretaxa proposta pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

No documento, o Itamaraty rejeita as conclusões da investigação americana e afirma que elas são “errôneas”, “arbitrárias” e não encontram respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil ao longo do processo.

Segundo o governo brasileiro, o relatório também desconsiderou informações sobre as ações de fiscalização realizadas pelo país para combater o trabalho análogo à escravidão.

“As questões levantadas nesta investigação — abrangendo regimes jurídicos internos e práticas de fiscalização — seriam mais bem tratadas por meio da cooperação e do engajamento internacional, em vez de medidas comerciais punitivas”, diz o documento assinado por Vieira.,

Na carta, o governo brasileiro sustenta que a proposta de tarifa desrespeita as regras do comércio internacional e argumenta que eventuais divergências devem ser resolvidas pelos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), e não por meio da imposição unilateral de tarifas.

“Quando surgem disputas comerciais no âmbito de acordos internacionais, a Seção 303 da Lei de Comércio dos EUA (Trade Act) prevê a utilização de mecanismos formais de solução de controvérsias (como os procedimentos da Organização Mundial do Comércio) antes do recurso a medidas unilaterais.”

O Itamaraty também destaca que os Estados Unidos acumulam um superávit comercial superior a US$ 400 bilhões nas trocas com o Brasil desde 2007.

Além disso, o governo afirma que o USTR utilizou exemplos de outros países para justificar sua decisão, sem demonstrar relação com a realidade brasileira.

“O USTR optou por invocar uma afirmação conclusiva”, afirma o documento.

Para reforçar esse argumento, Mauro Vieira recorre à própria legislação americana. Segundo o chanceler, a Seção 301 não permite que o USTR ignore evidências que contradigam suas conclusões — mas, segundo ele, foi exatamente isso que ocorreu neste caso.

“A Section 301 não permite que o USTR ignore evidências incontestadas (…) Infelizmente, foi precisamente isso que o USTR propôs”, escreveu.

Na manifestação enviada ao órgão americano, o governo brasileiro pede que o USTR revise suas conclusões, retire as acusações feitas contra o Brasil e desista da proposta de impor tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.





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