Início NACIONAL Câmara convoca Mauro Vieira para explicar alerta sobre ação militar dos EUA

Câmara convoca Mauro Vieira para explicar alerta sobre ação militar dos EUA


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, terá de prestar esclarecimentos à Câmara dos Deputados após parlamentares aprovarem, nesta quarta-feira, 8, sua convocação para explicar um documento do Itamaraty que menciona a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos em território brasileiro. A decisão foi tomada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn).

Por se tratar de uma convocação, a presença do chanceler é obrigatória. Na véspera, a Comissão de Relações Exteriores do Senado já havia aprovado um convite para que Vieira compareça à Casa e explique o mesmo documento.

Durante a reunião da comissão, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) tentou, em nome do governo, converter a convocação em convite, sugerindo que o ministro comparecesse nos dias 10, 11 ou 14 de agosto. A proposta, no entanto, não obteve consenso entre os parlamentares.

A polêmica teve início após o Itamaraty responder a um requerimento da Câmara sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No ofício assinado por Mauro Vieira, o ministério afirma que a medida pode trazer consequências para cidadãos brasileiros e menciona, entre os possíveis desdobramentos, a hipótese de ações militares americanas em território nacional.

O documento também sustenta que a classificação das facções como organizações terroristas não produzirá ganhos concretos para a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.

O requerimento que resultou na convocação foi apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), autor do pedido de informações encaminhado anteriormente ao Itamaraty. O parlamentar classificou como “precária e frágil” a resposta enviada pelo Ministério das Relações Exteriores.

A manifestação do governo brasileiro provocou reação de Washington. Em nota, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurda” a hipótese de uma ação militar contra o Brasil e afirmou que a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas decorre do fato de que ambas as facções passaram a atuar também em território americano.

A classificação entrou em vigor em 5 de junho, após decisão do Departamento de Estado dos EUA, que enquadrou as duas organizações criminosas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e também como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).





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