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Disputa pela Mesa divide vereadoras e põe fim ao discurso de unidade feminina


As vereadoras (da esquerda p/direita): Paula Calil, Katiuscia Manteli, Dra. Mara, Baixinha Giraldeli, Samantha Iris e Michelly Alencar

A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá produziu um efeito político pouco esperado no início da atual legislatura. O discurso de fortalecimento da participação feminina, defendido desde a posse da maior bancada de vereadoras da história da Capital, deu lugar a uma disputa em que projetos políticos distintos passaram a prevalecer sobre a identidade de gênero.
O debate ganhou intensidade depois que a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), iniciou articulações para disputar a recondução ao cargo.

Primeira mulher a comandar o Legislativo cuiabano, Paula passou a sustentar que sua permanência representaria a continuidade de um momento histórico para a participação feminina na política municipal.

Essa narrativa foi reforçada pela primeira-dama e vereadora licenciada Samantha Iris (PL), que assumiu a defesa pública da reeleição da presidente da Câmara.

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Ao longo da semana, Samantha afirmou que esperava maior união entre as mulheres do Legislativo e lamentou que vereadoras estivessem apoiando um projeto diferente daquele liderado por Paula Calil.

A declaração trouxe para o centro do debate um conceito recorrente na política contemporânea: a sororidade.
Para Samantha, a permanência de uma mulher na presidência da Câmara simboliza um avanço institucional que deveria ser preservado.

Mas o argumento encontrou resistência dentro da própria bancada feminina.

A vereadora Katiuscia Manteli (PSB), uma das principais apoiadoras da candidatura de Ilde Taques (Podemos), respondeu que sororidade não significa apoio automático entre mulheres.

Segundo ela, cada parlamentar tem autonomia para escolher o projeto político que considera mais adequado para a Câmara, independentemente do gênero dos candidatos.

A posição foi compartilhada por outras vereadoras que também passaram a integrar o grupo favorável à candidatura de Ilde Taques.

Entre elas estão Dra. Mara (Podemos) e Baixinha Giraldelli (Solidariedade), que participaram das articulações em torno da formação de uma nova Mesa Diretora.

Michelly Alencar (União Brasil) também se aproximou desse grupo durante as negociações, ampliando a divisão entre as parlamentares.

Enquanto isso, Paula Calil manteve o discurso de continuidade administrativa e buscou concentrar sua campanha na defesa da estabilidade institucional da Câmara.

Nos bastidores, interlocutores da presidente afirmam que sua candidatura não se sustenta apenas pelo fato de ser mulher, mas principalmente pelo trabalho desenvolvido à frente do Legislativo desde o início da atual legislatura.
A disputa revelou que as diferenças partidárias e os projetos de poder acabaram se sobrepondo ao simbolismo da representação feminina.

Com perfis ideológicos distintos e inseridas em grupos políticos diferentes, as vereadoras passaram a ocupar lados opostos na principal disputa institucional da Câmara.

Para analistas políticos, o episódio demonstra a maturidade da representação feminina no Parlamento.

Se, por um lado, a eleição evidencia o fim de um discurso de unidade automática entre mulheres, por outro confirma que as vereadoras passaram a disputar espaços de poder em igualdade de condições com seus colegas homens, orientando suas decisões por estratégias políticas, alianças partidárias e projetos administrativos.
A eleição da Mesa Diretora, portanto, deixou um recado claro.

Na Câmara de Cuiabá, a presença recorde de mulheres ampliou a participação feminina no processo decisório, mas não eliminou as divergências naturais da política.

Ao contrário, mostrou que elas também disputam poder, constroem alianças, divergem entre si e defendem projetos distintos para o futuro do Legislativo municipal.

Essa talvez seja a principal mudança produzida pela atual legislatura: a representação feminina deixou de ser apenas um símbolo e passou a exercer protagonismo efetivo — ainda que por caminhos diferentes.

 

COMO FICOU A BANCADA FEMININA NA DISPUTA PELA MESA

Defendem a reeleição de Paula Calil

• Paula Calil (PL)

• Samantha Iris (PL) – vereadora licenciada e principal defensora pública da candidatura

 

Apoiam a candidatura de Ilde Taques

• Katiuscia Manteli (PSB)• Dra. Mara (Podemos)

• Baixinha Giraldelli (Solidariedade)

• Michelly Alencar (União Brasil)O debate da semanaSororidade x autonomia política• Samantha Iris defendeu maior união entre as mulheres em torno da candidatura de Paula Calil.

• Katiuscia Manteli respondeu que sororidade não significa voto obrigatório em outra mulher e que a escolha deve ser orientada pelo projeto político para a Câmara.





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