A pouco mais de cinco meses da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá, a disputa pelo comando do Legislativo entrou em uma fase de equilíbrio. Levantamento realizado pelo DIÁRIO junto a vereadores e lideranças políticas aponta que a atual presidente, Paula Calil (PL), reúne hoje apoio de aproximadamente 14 parlamentares, enquanto o vereador Ilde Taques (Podemos) conta com um grupo de 13 apoiadores.
A diferença mínima revela um cenário de alta competitividade, no qual qualquer mudança de posicionamento poderá alterar o resultado da eleição.
Mais do que a contagem de votos, o que marca a disputa é a intensa movimentação política nos bastidores.
Os dois grupos continuam conversando com vereadores considerados independentes e trabalham para consolidar uma maioria antes da definição das regras que nortearão a eleição.
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No grupo de Paula Calil, a avaliação é de que a atual presidente mantém uma base consolidada graças ao apoio do prefeito Abilio Brunini (PL) e de vereadores alinhados à administração municipal.
Além da articulação política, a estratégia da presidente depende do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pela Prefeitura no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que questiona o quórum exigido para alteração do Regimento Interno da Câmara.
Caso o Tribunal acolha a tese apresentada pelo Executivo, o caminho para modificar as regras da eleição poderá ficar mais simples, abrindo espaço para uma eventual candidatura à reeleição da atual presidente.
Por isso, aliados de Paula afirmam que a disputa jurídica é parte decisiva da estratégia eleitoral.
Do outro lado, Ilde Taques sustenta que sua candidatura ganhou força justamente após a judicialização da eleição.
Segundo ele, a iniciativa do Executivo provocou reação entre vereadores que passaram a defender maior autonomia da Câmara e rejeitam qualquer interferência externa na escolha da Mesa Diretora.
Nos bastidores, aliados do vereador afirmam que o grupo voltou a crescer nas últimas semanas e trabalha para conquistar parlamentares que ainda evitam assumir posição pública.
Embora a contagem de votos indique vantagem numérica para Paula Calil neste momento, interlocutores dos dois grupos admitem que o quadro permanece extremamente instável.
Isso porque parte dos vereadores prefere aguardar a decisão do Tribunal de Justiça antes de anunciar apoio definitivo a qualquer candidatura.
A expectativa é que o julgamento da ADI esclareça quais regras estarão em vigor na eleição da Mesa Diretora.
Somente a partir dessa definição, avaliam parlamentares, será possível medir com maior precisão o comportamento dos blocos políticos.
Outro fator que poderá influenciar a votação é a relação entre Executivo e Legislativo.
A exclusão de vereadores do grupo de WhatsApp da base governista, as críticas públicas do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), e a intensificação das articulações em torno da candidatura de Ilde Taques alteraram o ambiente político da Câmara e aumentaram a imprevisibilidade da disputa.
Para vereadores ouvidos pela reportagem, dificilmente a eleição será decidida com ampla vantagem.
A tendência é de uma votação apertada, marcada por negociações até os últimos dias antes da escolha da nova Mesa Diretora.
Mais do que definir quem comandará a Câmara no biênio 2027/2028, a eleição passou a medir a capacidade de articulação dos principais grupos políticos da Capital.
Se hoje a fotografia da disputa aponta uma diferença de apenas um voto entre os dois candidatos, o filme da campanha continua em andamento — e poderá ganhar novos capítulos conforme avançarem as negociações políticas e a análise da ADI pelo Tribunal de Justiça.





