As ações da Vale (VALE3) alternam entre altas e perdas na sessão desta quarta-feira (15) e operam, às 13h50 (horário de Brasília), com leves ganhos de 0,30%, a R$ 74,23. O movimento ocorre com os investidores de olho entre duas forças opostas macro para a companhia, enquanto também repercutem o noticiário agitado da própria mineradora.
Na noite da última terça, a China divulgou os seus dados econômicos, que não trouxeram boas notícias, já que o país é o principal cliente da companhia.
A economia da China cresceu no ritmo mais lento em mais de três anos no segundo trimestre, com alta de 4,3% do PIB de abril a junho sobre o mesmo período do ano anterior. O número desacelerou em relação aos 5,0% do primeiro trimestre, ficando abaixo do limite inferior da meta anual da China, que varia de 4,5% a 5,0%.
De modo geral, a atividade econômica da China enfraqueceu ainda mais no segundo trimestre de 2026, com os fatores negativos superando cada vez mais os poucos pontos de resiliência, aponta o Bradesco BBI.
“Embora a produção industrial tenha acelerado e as vendas no varejo tenham voltado a apresentar um crescimento modesto em junho, essas melhorias foram insuficientes para compensar a deterioração contínua nos investimentos em ativos fixos, nos gastos com infraestrutura e no setor imobiliário do país”, apontam os analistas do banco.
Por outro lado, os preços do minério de ferro têm sido um suporte recente para as ações, principalmente por conta da preocupação com a oferta.
Nesta quarta-feira, a commodity atingiu uma máxima de várias semanas, à medida que preocupações com a oferta se intensificaram depois que os trabalhadores da mineradora BHP anunciaram que entrariam em greve nesta semana em um importante porto australiano.
O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou o pregão diurno com alta de 1,13%, a 762 iuanes (US$112,59) por tonelada. No início do dia, o contrato atingiu o maior nível desde 17 de junho, a 785,5 iuanes. A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura registrou alta de 0,59%, para US$100,7 por tonelada, uma máxima desde 2 de julho.
Por outro lado, um aumento nos embarques trimestrais de minério de ferro da Rio Tinto indicou oferta abundante e ajudou a conter os aumentos de preço. O aumento inesperado na oferta do maior produtor mundial de minério de ferro pode pesar sobre os preços daqui para frente, afirmaram analistas da corretora chinesa Business Community no WeChat.
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Já o Bradesco BBI aponta esperar uma recuperação nos preços do aço no final de agosto, com o início de um período de sazonalidade mais favorável; isso deve aliviar as margens das siderúrgicas e sustentar a viabilidade econômica do minério de ferro, mantendo assim preferência por Vale entre as empresas brasileiras de mineração e siderurgia, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra). A XP, por sua vez, tem recomendação equivalente à neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 85.
Mudanças no Conselho e resultados: no que ficar de olho
Cabe ressaltar que eventos específicos para a Vale também movimentam as ações.
Em relatório desta semana, o BTG Pactual comentou ainda o pedido formal da Previ, em 11 de junho, para que o presidente do Conselho, Dan Stieler, deixasse o cargo. Embora Stieler tenha inicialmente se recusado a renunciar e a maioria do Conselho tenha votado formalmente contra a proposta de destituição da Previ em 22 de junho, ele acabou deixando o cargo em 6 de julho, o que significa que os acionistas não votarão mais sua destituição na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 22 de julho.
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“Em nossa visão, o episódio é mais provavelmente um reflexo de dinâmicas internas da Previ, incluindo uma recente mudança na liderança do próprio fundo, do que de qualquer questão específica da Vale”, ressaltou.
Na última terça, a Vale informou que seu conselho de administração elegeu Wilfred Theodoor Bruijn como presidente do colegiado. De acordo com a companhia, Bruijn ocupará a posição até a eleição de um novo presidente do conselho na Assembleia Geral Extraordinária, que acontecerá em 22 de julho.
“Embora preferíssemos uma transição mais tranquila e orgânica no Conselho, não vemos motivo para alterar nossa visão sobre a tese de ações. Não vemos como esse ruído se traduz em qualquer dano tangível aos fundamentos da companhia, que é o que mais importa para a companhia”, avalia.
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Sob a atual equipe de gestão, o banco continua a esperar um processo decisório consistente com o dos últimos trimestres, que o mercado tem, em grande parte visto como positivo. “Continuaremos a monitorar de perto os desdobramentos e, caso algo mude nesse meio – tempo, estamos prontos para reavaliar nossa posição. Reiteramos nossa recomendação de compra para a Vale, com as ações ainda sendo negociadas a um atrativo yield de fluxo de caixa ao acionista de 9% este ano”, finaliza, tendo preço-alvo de R$ 90 para os ativos.
Neste contexto, cabe destacar, a Vale divulga no próximo dia 30 seus resultados do segundo trimestre – o que pode ser uma fonte de pressão.
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Segundo o Safra, a mineradora deve registrar Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado de aproximadamente US$ 3,8 bilhões no segundo trimestre, queda de 2% frente ao primeiro trimestre e resultado abaixo do consenso de mercado.
Na visão dos analistas do banco, a pressão deve vir da divisão de Soluções de Minério de Ferro, impactada por preços realizados menores e aumento dos custos caixa C1 (da mina ao porto).
O banco estima preço realizado de minério de ferro de US$ 95 por tonelada no período. Apesar disso, a divisão de metais básicos deve apresentar melhora operacional. O Ebitda da unidade deve avançar cerca de 17%, apoiado por preços mais altos de cobre e níquel.
Já para o Itaú BBA, o Ebitda proforma deve cair 7% em base trimestral, para US$ 3,63 bilhões. No segmento de ferrosos, o aumento de 16% nos embarques (79,5 milhões de toneladas) deve ser mais que compensado pela alta de US$ 2/t no custo C1 (custo caixa de produção), para US$ 30,1 por tonelada, pressionado pelo real mais forte. Em metais básicos, o Ebitda deve recuar 11% no trimestre, para US$ 1,06 bilhão, com preços mais altos de cobre e níquel sendo compensados por menores volumes, menor receita com subprodutos e custos maiores.
Em meio a esse cenário, as casas de análise seguem divididas com o papel, ainda que tendam a ter uma visão mais positiva. Para as que acompanham VALE3, segundo compilação LSEG, 8 possuem recomendação de compra e 7 possuem recomendação neutra. Já para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York), de 25 casas que cobrem o papel, 13 recomendam compra e 12 manutenção, também mostrando a divisão do mercado.





