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A Operação Fugazi cumpriu mandados de busca e apreensão, determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados, no RS e em SP
As entidades representativas dos servidores públicos estaduais de Mato Grosso afirmaram que a Operação Fugazi, deflagrada nesta quarta-feira (15), pela Polícia Federal, é resultado de mais de um ano de mobilização para denunciar supostas irregularidades nas operações de crédito consignado realizadas com servidores estaduais.
Segundo os sindicatos, o trabalho conjunto teve início em 2025, quando surgiram as primeiras denúncias de descontos considerados abusivos e contratos, apresentados como cartão de crédito consignado, que, na prática, funcionariam como empréstimos consignados com juros elevados.
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A partir daí, as entidades organizaram uma atuação coordenada junto aos órgãos de controle e contrataram o escritório AFG & Taques Advogados, para conduzir as medidas judiciais e institucionais relacionadas ao caso.
A Operação Fugazi cumpriu mandados de busca e apreensão, determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados, no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
A ação policial aprofundou as investigações sobre um grupo econômico suspeito de comercializar operações financeiras de forma irregular.
Além da possível fraude contratual, a PF também apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e indícios de lavagem de dinheiro.
De acordo com os sindicatos, ao longo dos últimos meses, foram encaminhadas representações à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Controladoria-Geral do Estado (CGE), Ministério Público Estadual, Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Ministério Público Federal e Polícia Federal.
Paralelamente, foi ajuizada uma Ação Civil Pública, com o objetivo de apurar as supostas irregularidades praticadas pelas instituições financeiras.
Os advogados Pedro Taques e Murilo Gonçalves, responsáveis pela representação das entidades, avaliam que a operação da PF demonstra que as denúncias apresentadas pelos sindicatos possuíam elementos suficientes para justificar uma investigação aprofundada.
Segundo eles, o avanço das investigações fortalece a expectativa dos servidores de que os fatos serão integralmente esclarecidos e de que eventuais responsáveis responderão judicialmente, caso as irregularidades sejam confirmadas.
Entre as principais denúncias encaminhadas aos órgãos de investigação, estão:
– contratos vendidos como cartão de crédito consignado, mas que funcionariam como empréstimos;
– operações conhecidas como “tele saque”;
– ausência de entrega de cartão físico;
– falta de envio de faturas;
– descontos sucessivos em folha de pagamento, que dificultariam a amortização das dívidas e contribuiriam para o superendividamento dos servidores.
Além da atuação administrativa e criminal, os sindicatos informaram que acompanham a Ação Civil Pública, proposta pelo Ministério Público Estadual.
O processo encontra-se suspenso por decisão da Justiça de Mato Grosso, mas tanto o MP quanto as entidades recorreram da decisão, sustentando que o caso extrapola uma simples relação de consumo e exige ampla produção de provas para apuração das responsabilidades.
A mobilização reúne a Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (Fessp-MT), Sinpaig-MT, Sindes-MT, Sintema-MT, Sintesmat, Sinpol, Sintep-MT e Sintap-MT.
Juntas, as entidades representam aproximadamente 50 mil servidores estaduais e afirmam que continuarão acompanhando os desdobramentos da investigação e adotando medidas para assegurar o ressarcimento dos prejuízos eventualmente sofridos pela categoria.





