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A prefeita Flávia Moretti (detalhe) voltou a atribuir parte dos problemas à situação encontrada ao assumir o Executivo
A crise no abastecimento de água em Várzea Grande voltou ao centro do debate político, após a defesa de uma intervenção no Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG), feita pelo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo.
Desde o fim do ano passado, o conselheiro encaminhou ao Ministério Público pedido para que fossem adotadas medidas, diante da situação enfrentada pelo sistema de abastecimento da segunda maior cidade do Estado.
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O posicionamento reacendeu discussões sobre a gestão do DAE e abriu espaço para manifestações de lideranças políticas favoráveis a mudanças na administração do serviço, incluindo a possibilidade de concessão à iniciativa privada.
Entre os que se pronunciaram, está o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), que defendeu soluções para o abastecimento de água no município.
A atuação do parlamentar ocorre em um momento de intensificação de sua presença política em Várzea Grande, onde busca ampliar sua base de apoio para as eleições deste ano.
A possibilidade de privatização do DAE também voltou à pauta.
Especialistas do setor avaliam que a concessão poderia ampliar a capacidade de investimentos em infraestrutura, reduzindo limitações impostas pela burocracia e pela escassez de recursos públicos.
O tema, no entanto, divide opiniões, em razão dos impactos tarifários observados em outras cidades.
Cuiabá, por exemplo, opera o serviço de abastecimento de água por meio de concessão privada desde 2012.
Apesar dos investimentos realizados ao longo do período, ainda existem desafios relacionados à universalização do atendimento e à expansão da rede.
Outro ponto que costuma ser citado no debate é o valor das tarifas.
Enquanto em Cuiabá as contas de água apresentam valores superiores aos praticados em Várzea Grande, consumidores da Capital enfrentaram, neste ano, reajuste de 4,44%, referente à inflação, além de um pedido de reequilíbrio econômico-financeiro de 11,93%, previsto contratualmente.
A situação do abastecimento também motivou críticas à administração municipal.
Durante entrevista concedida a uma emissora de rádio da Capital, a prefeita Flávia Moretti (PL) voltou a atribuir parte dos problemas à situação encontrada ao assumir o Executivo.
O tema tem sido explorado por adversários políticos, que cobram soluções para o abastecimento de água no município.
PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO – Levantamento do Instituto Trata Brasil indica que o principal desafio do sistema de abastecimento de Várzea Grande não está na produção de água tratada, mas na distribuição.
Segundo o estudo, o índice de perdas na rede chega a 54,03%, o que significa que mais da metade da água produzida deixa de chegar ao consumidor, seja por vazamentos, ligações clandestinas ou problemas operacionais.
Outro indicador considerado preocupante é o volume de perdas por ligação ativa, que alcança aproximadamente 930 litros por dia, evidenciando a necessidade de investimentos na modernização da rede e no combate ao desperdício.
A redução dessas perdas é apontada por especialistas como uma das medidas prioritárias para ampliar a oferta de água à população sem necessidade imediata de aumentar a capacidade de captação e tratamento.





