A tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de emplacar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques como candidata a vice-presidente tem ampliado o desgaste interno de sua pré-campanha. Embora ela tenha sido protagonista na elaboração do programa de governo e dividido o palco com o senador no lançamento, na quinta-feira 16, do plano “Brasil por Elas”, seu nome esbarra em resistências no PL e até no Republicanos, partido ao qual é filiada.
O evento foi montado para aproximar a campanha do eleitorado feminino. Reuniu propostas de combate à violência contra a mulher, acesso à internet, empreendedorismo, inteligência artificial e saúde. Politicamente, porém, serviu sobretudo para consolidar Daniella como principal formuladora da candidatura e escolha pessoal de Flávio para a vice.
Ex-integrante da equipe econômica de Paulo Guedes, Marques comandou a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade e presidiu a Caixa no fim do governo Jair Bolsonaro. Aos olhos do senador, combina experiência administrativa, credenciais liberais e interlocução com o eleitorado feminino.
Nos bastidores, porém, a avaliação no PL é de que a escolha teria pouco retorno político. Integrantes da legenda argumentam que, apesar do perfil técnico e da proximidade com Flávio, Daniella nunca disputou eleições e não agregaria votos nem ampliaria o arco de alianças da candidatura. Para dirigentes do partido, a vaga de vice deveria ser utilizada para atrair uma legenda aliada ou um nome com maior peso eleitoral.
A resistência também existe no Republicanos. Embora a campanha de Flávio trate o partido como alvo-chave para uma composição nacional, caciques do Republicanos dizem que Daniella não representa a contento a sigla. Filiada recentemente, ela não construiu base interna nem exerce influência sobre a direção partidária. Na prática, sua eventual indicação dificilmente seria contabilizada como uma concessão ao Republicanos.
Além disso, pesquisas apresentadas à cúpula do Republicanos indicaram frustração com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e uma preferência pela neutralidade na disputa presidencial. O partido tem condicionado qualquer aproximação a acordos eleitorais nos estados, e não à indicação da vice.
As críticas também atingem a forma como Flávio tem conduzido a campanha. Lideranças do PL afirmam que o senador centralizou as principais decisões em um núcleo reduzido, tendo o coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho (RN), como principal interlocutor. Segundo esses relatos, dirigentes da legenda, entre eles o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, vêm sendo deixados à margem das negociações sobre alianças e da própria definição da chapa.
A pressão para destravar a escolha da vice aumenta porque o calendário eleitoral se estreita. A convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, em São Paulo, é tratada como o prazo para que Flávio Bolsonaro apresente uma solução para a composição da chapa.






