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Os 34 votos do União que podem definir a sucessão em Mato Grosso


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Convenção do União Brasil é muito mais do que uma disputa interna entre Jayme Campos e Mauro Mendes

A convenção estadual do União Brasil desta quinta-feira (30)  deixou de ser um assunto restrito aos filiados do partido.

Os votos dos convencionais passaram a ser acompanhados por todas as forças políticas de Mato Grosso porque o resultado tem potencial para reorganizar completamente a eleição de 2026.

Na prática, são 34 votos — o equivalente a 70% dos 48 convencionais aptos a votar em um diretório formado por 50 integrantes — que podem definir não apenas quem representará o União Brasil, mas também o formato da disputa pelo Governo do Estado, as alianças para o Senado e até a possibilidade de segundo turno.

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Pelo estatuto da legenda, a homologação de uma candidatura majoritária exige esse apoio qualificado, transformando cada voto em um ativo político de enorme peso.

O debate interno contrapõe dois projetos distintos.

O primeiro, liderado pelo senador Jayme Campos, defende candidatura própria ao Palácio Paiaguás, preservando a tradição do partido de protagonizar as disputas majoritárias.

O segundo, articulado pelo ex-governador Mauro Mendes, sustenta a manutenção da aliança com o governador Otaviano Pivetta e busca consolidar a coalizão que hoje dá sustentação ao governo estadual.

Embora o embate seja apresentado como uma disputa entre duas das principais lideranças políticas de Mato Grosso, seus efeitos ultrapassam as fronteiras do União Brasil.

Caso Jayme obtenha os votos necessários, a tendência é de uma disputa mais fragmentada pelo Governo.

Um novo candidato competitivo amplia a divisão do eleitorado e aumenta as chances de segundo turno.

Nesse cenário, legendas como MDB, Podemos e até partidos do campo conservador precisarão rever estratégias, redistribuir apoios e reavaliar seus projetos para a disputa ao Senado.

Por outro lado, se prevalecer a tese defendida por Mauro Mendes, o grupo governista chegará mais coeso ao período oficial de campanha.

A permanência do União Brasil ao lado de Pivetta fortalecerá uma das maiores estruturas políticas do Estado e obrigará os adversários a buscar novas composições para equilibrar a disputa.

Há ainda um terceiro elemento que amplia a importância da convenção: a deputada estadual Janaina Riva.

Hoje, boa parte de seu futuro político depende do resultado da votação.

Com Jayme candidato, a tendência é que ela mantenha o projeto de disputar uma vaga ao Senado.

Caso o União Brasil confirme apoio a Pivetta, cresce a possibilidade de novas negociações envolvendo sua participação na chapa majoritária ou mesmo uma reorganização completa da disputa pelas duas vagas ao Senado.

O senador Wellington Fagundes também acompanha atentamente cada movimento.

O PL já oficializou sua candidatura própria ao Governo em convenção realizada no último dia 22, e essa decisão não está em discussão.

O desfecho da disputa no União Brasil, entretanto, poderá influenciar o ambiente político ao redor de sua candidatura.

Uma eventual derrota de Jayme tende a abrir espaço para que setores do União Brasil descontentes com a aliança governista busquem aproximação com o PL, fortalecendo o principal palanque de oposição.

Outro aspecto relevante é que a decisão desta quinta-feira dificilmente encerrará o debate.

Pelo regimento da Federação União Progressista, a aprovação da candidatura na convenção estadual não garante, por si só, seu registro definitivo.

A palavra final cabe à direção nacional da federação, responsável por homologar as chapas majoritárias.

Assim, mesmo que Jayme obtenha os votos necessários entre os convencionais, a discussão poderá seguir para Brasília, especialmente diante do interesse do PP em preservar sua estratégia para a disputa ao Senado.

Por isso, a votação desta quinta-feira não deve ser interpretada apenas como uma escolha partidária.

Ela representa o momento em que o União Brasil decidirá se disputará diretamente o comando de Mato Grosso ou se permanecerá como principal sustentação política do atual governo.

Independentemente do resultado, uma conclusão já se impõe: a sucessão estadual começa efetivamente na convenção do União Brasil.

Antes que milhões de eleitores sejam chamados às urnas, serão 34 votos os responsáveis por indicar qual será o desenho da disputa pelo Palácio Paiaguás.





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