A decisão da direção nacional do Partido Liberal (PL) de incluir o MDB na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes para a disputa do Governo de Mato Grosso provocou a primeira reação pública de uma das principais lideranças da legenda no Estado. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou a composição com o MDB, rejeitou a presença da deputada estadual Janaína Riva na aliança e admitiu até deixar o partido caso a decisão seja mantida.
Abilio argumenta que o MDB foi o principal adversário do PL nas eleições municipais de 2024 em cidades estratégicas como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Primavera do Leste. Para o prefeito, a aproximação entre as duas siglas contraria o histórico recente de enfrentamentos eleitorais e causa desconforto entre parte da militância liberal.
A posição do prefeito expõe divergências internas justamente no momento em que o PL tenta ampliar sua frente de apoio para enfrentar o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A composição homologada pela direção nacional prevê Wellington Fagundes como candidato ao Governo e Janaína Riva (MDB) e José Medeiros (PL) disputando as duas vagas ao Senado, enquanto o Podemos negocia a indicação do candidato a vice-governador.
Divergências antigas
Nos bastidores, a resistência de Abilio não é vista apenas como uma reação à entrada do MDB na coligação. Há meses, interlocutores do meio político apontam que o prefeito mantém boa relação institucional com o governador Otaviano Pivetta e demonstra simpatia pelo projeto político do atual chefe do Executivo estadual.
Essa percepção ganhou força diante da proximidade entre o Governo do Estado e administrações municipais comandadas pelo PL, especialmente Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, onde obras e investimentos estaduais têm sido frequentes.
Embora Abilio nunca tenha declarado apoio à candidatura de Pivetta, adversários dentro do próprio PL interpretam sua postura como um fator que pode dificultar a consolidação da campanha de Wellington Fagundes na Capital.
Pressão sobre a direção nacional
As declarações do prefeito também representam um desafio para a direção nacional do PL, que apostou na ampliação da aliança como forma de fortalecer a candidatura de Wellington e impedir a aproximação do MDB com o grupo governista.
Dirigentes da legenda avaliam que a entrada de Janaína Riva amplia o potencial eleitoral da chapa, mas reconhecem que será necessário administrar as resistências de setores ligados ao bolsonarismo, que rejeitam a aproximação com o MDB.
Campanha começa sob tensão
A manifestação de Abilio ocorre no momento em que os partidos concluem as convenções e iniciam a campanha eleitoral. Apesar da tentativa da direção nacional de apresentar uma frente unificada, o episódio evidencia que o PL ainda precisará superar divergências internas para transformar a nova composição em um palanque coeso.
Enquanto Wellington trabalha para ampliar o arco de alianças e atrair novas lideranças para sua candidatura, caberá ao comando do partido evitar que o chamado “fogo amigo” prejudique uma campanha que começa cercada por disputas internas e diferentes visões sobre os rumos da legenda em Mato Grosso.





