O veto do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e da primeira-dama Virgínia Mendes à participação da deputada estadual Janaina Riva (MDB) na chapa governista provocou uma reviravolta nas articulações para as eleições de 2026 e levou o MDB a fechar acordo político com o PL do senador Wellington Fagundes. A informação foi apurada pelo DIÁRIO junto a fontes que participaram das negociações.
Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, as conversas entre MDB e o grupo político do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) estavam avançadas e previam a participação de Janaina Riva como candidata ao Senado. No entanto, o entendimento foi interrompido após Mauro Mendes e Virgínia Mendes manifestarem resistência à entrada da deputada na coligação.
Ainda de acordo com a apuração, o posicionamento acabou inviabilizando qualquer composição entre MDB e Republicanos e obrigou a direção emedebista a acelerar as negociações com o PL.
O acordo deverá ser homologado na convenção estadual do MDB, marcada para terça-feira (4). Pelo entendimento construído entre as duas legendas, Wellington Fagundes será candidato ao Governo do Estado, enquanto Janaina Riva disputará uma das duas vagas ao Senado.
Articulação nacional
Fontes ligadas às negociações afirmam que o entendimento também foi levado à direção nacional do PL. Segundo esses interlocutores, a composição recebeu sinalização favorável das principais lideranças nacionais do partido, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.
Até o momento, porém, não houve manifestação pública dessas lideranças confirmando a participação nas negociações.
Novo cenário eleitoral
A aliança entre MDB e PL modifica o quadro político formado após a convenção do União Brasil, que decidiu apoiar a candidatura de Otaviano Pivetta e rejeitou a candidatura própria do senador Jayme Campos ao Governo do Estado.
Com o MDB fora da base governista, Wellington Fagundes amplia seu arco de alianças e fortalece a disputa ao incorporar uma das principais lideranças políticas do Estado.
Para Janaina Riva, a composição garante um palanque competitivo para a disputa ao Senado e preserva o protagonismo do MDB na eleição estadual.
Reflexos no grupo governista
A saída do MDB representa uma perda importante para o projeto de Otaviano Pivetta. Além do tempo de propaganda e da estrutura partidária, o grupo deixa de contar com uma das maiores lideranças do interior do Estado e com uma chapa proporcional considerada competitiva.
Nos bastidores, lideranças políticas avaliam que o episódio também amplia o desgaste provocado pela convenção do União Brasil, marcada pela derrota do senador Jayme Campos na disputa interna pela candidatura ao Governo.
Com as convenções partidárias entrando na reta final, o novo desenho das alianças redesenha o tabuleiro eleitoral de Mato Grosso e tende a aumentar a polarização entre os projetos liderados por Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta.





