Divulgação – UBMT
A derrota do senador Jayme Campos, na convenção estadual do União Brasil, rompeu uma das principais alianças da política estadual
A sucessão estadual de 2026 produziu, em poucos dias, uma das maiores reviravoltas da política mato-grossense dos últimos anos.
O União Brasil, partido que até então comandava o principal grupo político do Estado, saiu da convenção estadual dividido e com uma de suas maiores lideranças históricas no palanque da oposição.
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A derrota do senador Jayme Campos na disputa interna pela candidatura ao Governo não representou apenas uma mudança de estratégia eleitoral.
Ela desencadeou um rompimento que alterou o equilíbrio da disputa pelo Palácio Paiaguás e expôs fissuras que eram construídas há meses, dentro da legenda.
A convenção do União definiu pela manutenção da aliança com o Republicanos e confirmou apoio à candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta.
Jayme, que defendia candidatura própria, foi derrotado por 30 votos a 19 entre os convencionais.
Dias depois, o senador apareceu na convenção do MDB para anunciar apoio “incondicional e irrestrito” às candidaturas de Wellington Fagundes (PL) ao Governo e de Janaina Riva (MDB) ao Senado.
Nesse caso, selou a ruptura política com o grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes e pelo governador Otaviano Pivetta.
O discurso adotado por Jayme deixou claro que o episódio extrapolou uma simples divergência eleitoral.
“Não fico de joelhos nem de quatro”, afirmou o senador, ao subir ao palco da convenção do MDB, acrescentando que foi vítima de uma traição dentro do partido que ajudou a fundar ainda na década de 1980.
As críticas também foram direcionadas ao grupo governista.
Jayme defendeu um “Governo para todo o povo mato-grossense”. E afirmou que a atual administração atende apenas “uma meia dúzia de cidadãos”, elevando o tom da disputa política.
DESGASTE ERA CONSTRUÍDO – Embora a votação da convenção tenha marcado o rompimento oficial, o desgaste entre Jayme Campos e o núcleo político liderado por Mauro Mendes vinha se intensificando desde a definição das estratégias para a sucessão estadual.
O senador defendia que o União Brasil lançasse candidatura própria ao Governo, preservando o protagonismo da legenda.
O grupo ligado a Mauro Mendes, entretanto, optou por manter a aliança construída com Otaviano Pivetta, considerado o nome da continuidade administrativa.
A derrota na convenção transformou uma divergência estratégica em uma ruptura política.
No discurso após a votação, Jayme já havia acusado “traidores” e afirmado que não baixaria a cabeça diante da decisão partidária.
Dias depois, ao aderir formalmente ao projeto de Wellington Fagundes, transformou a insatisfação em reposicionamento eleitoral.
IMPACTO NO INTERIOR – O rompimento produz efeitos que vão além da campanha ao Governo.
Jayme permanece como uma das lideranças mais tradicionais da política mato-grossense, especialmente na Baixada Cuiabana e em diversos municípios do interior, onde mantém relações políticas construídas ao longo de décadas.
Ao anunciar apoio à oposição, o senador afirmou que sua decisão não é individual, mas envolve familiares e aliados históricos.Citou, inclusive, o deputado estadual Júlio Campos, seu irmão, e outras lideranças políticas.
Na prática, isso abre espaço para um redesenho dos palanques municipais e pode provocar novos movimentos de prefeitos, vereadores e candidatos proporcionais, que tradicionalmente orbitam o grupo dos Campos.
UNIÃO TENTA PRESERVAR A UNIDADE – Apesar da saída política de Jayme, o União Brasil manteve sua posição oficial de apoio à candidatura de Otaviano Pivetta e passou a integrar o bloco governista ao lado do Republicanos e de outros partidos aliados.
Pivetta evitou responder às críticas do senador e procurou reduzir o impacto do rompimento.
Ao comentar o anúncio de apoio de Jayme a Wellington, afirmou que o momento eleitoral é de escolhas individuais e que caberá ao eleitor decidir o resultado das urnas.
A reação demonstra uma tentativa de impedir que a crise interna se transforme em um problema maior durante a campanha.
MAIS QUE UMA TROCA DE PALANQUE – A mudança de lado de Jayme Campos representa mais do que a adesão de uma liderança a uma candidatura adversária.
Ela simboliza o fim, ao menos nesta eleição, da unidade política construída em torno do grupo que governou Mato Grosso nos últimos anos e inaugura uma disputa em que antigas alianças dão lugar a novos arranjos.
Para Wellington Fagundes (PL), o apoio amplia a presença em regiões estratégicas do Estado e reforça o discurso de que sua candidatura conseguiu reunir lideranças de diferentes campos políticos.
Para o União Brasil, o desafio passa a ser manter a coesão partidária e evitar que o rompimento provoque novos desdobramentos no interior durante a campanha eleitoral.
A convenção encerrou uma disputa interna.
A campanha, porém, começa com um partido dividido e uma reorganização do tabuleiro político que poderá produzir reflexos muito além da eleição para governador.





