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Pivetta tenta conter crise e volta a discutir mulher para vice


Otaviano Pivetta

A Operação Heritage colocou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) diante de um dos momentos mais delicados da construção de sua candidatura ao Governo de Mato Grosso. Com aliados atingidos pela investigação e divergências sobre a manutenção do deputado federal Fábio Garcia (União) como candidato a vice-governador, Pivetta tenta encontrar uma saída que reduza o desgaste político sem provocar uma ruptura em sua base às vésperas do início oficial da campanha.

O problema não se restringe aos efeitos políticos da operação. O ex-governador Mauro Mendes (União), Fábio Garcia e o empresário Mauro Carvalho, coordenador-geral da campanha de Pivetta, estão entre os investigados e foram submetidos a medidas que os impedem de manter contato entre si.

Na prática, a restrição atinge diretamente o núcleo responsável pela articulação política e eleitoral do grupo.

Mendes é candidato ao Senado e uma das principais lideranças da aliança; Fábio Garcia integra a chapa majoritária como vice de Pivetta; e Mauro Carvalho ocupa posição estratégica na coordenação da campanha. Sem poderem se comunicar diretamente, decisões que anteriormente poderiam ser discutidas pelo núcleo passam a exigir uma nova dinâmica de articulação.

A dificuldade ganha peso adicional porque a campanha eleitoral começa oficialmente no domingo (16).

É nesse cenário que voltou à mesa uma alternativa anteriormente defendida pelo próprio Pivetta: colocar uma mulher na vaga de vice-governadora. Entre os nomes mencionados nas articulações estão a suplente de deputada federal Gisela Simona (União) e a vereadora por Cuiabá Michelly Alencar (União). Também foram procurados nomes em outras siglas, na tentativa de atrair mais apoio.

A mudança permitiria ao governador reorganizar a chapa depois do impacto político da Heritage e, simultaneamente, concretizar uma intenção manifestada anteriormente de contar com uma mulher na composição majoritária.

A solução, entretanto, esbarra nos interesses eleitorais do grupo liderado por Mauro Mendes.

EFEITO DOMINÓ

Uma eventual saída de Fábio Garcia da chapa de Pivetta não resolveria automaticamente o problema. Ao deixar a condição de candidato a vice, Garcia poderia retornar à disputa por uma cadeira na Câmara Federal, provocando alterações importantes na chapa proporcional do União Brasil.

O movimento atingiria diretamente outro projeto eleitoral do grupo: a candidatura de Virginia Mendes à Câmara dos Deputados. A ex-primeira-dama também foi alvo da Operação Heritage.

Com Fábio novamente na disputa proporcional, o União Brasil teria de acomodar duas candidaturas de forte peso político dentro da mesma chapa, aumentando a competição interna por votos e estrutura eleitoral.

Dessa forma, uma mudança concebida para diminuir a pressão sobre a candidatura de Pivetta poderia apenas deslocar o problema da chapa majoritária para a eleição proporcional.

TENSÃO NOS BASTIDORES

As discussões chegaram a um nível elevado de tensão nos últimos dias.

Nos bastidores, Pivetta chegou a sinalizar que poderia recuar da candidatura ao Governo caso não fosse encontrada uma solução para o impasse. Mauro Mendes, por sua vez, também teria admitido a possibilidade de abandonar a disputa pelo Senado.

As manifestações são interpretadas por aliados como demonstração da dimensão da crise instalada depois da Operação Heritage e aumentaram a pressão por uma solução que impeça a fragmentação do grupo.

Governistas trabalham agora para construir um entendimento capaz de preservar a candidatura de Pivetta, reorganizar a estrutura da campanha diante das restrições impostas pela investigação e, ao mesmo tempo, acomodar os diferentes interesses eleitorais do grupo de Mauro Mendes.

A equação está longe de ser simples.

Manter Fábio Garcia significa iniciar a campanha com três personagens centrais da estrutura eleitoral — Mendes, Garcia e Carvalho — submetidos a restrições de contato decorrentes da investigação.

Substituí-lo abre caminho para a composição feminina pretendida por Pivetta, mas produz efeito imediato na chapa para deputado federal e pode interferir diretamente nos planos eleitorais de Virginia Mendes.

PRAZO APERTA

O calendário eleitoral aumenta a pressão por uma definição.

Caso o grupo decida alterar a composição da chapa majoritária antes do registro, a decisão terá de ser tomada até sábado (15), prazo para que partidos e coligações apresentem à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas escolhidas nas convenções.

Assim, Pivetta entra nos últimos dias antes do início oficial da campanha tentando resolver uma equação que mistura os efeitos da Operação Heritage, a composição de sua própria chapa e os interesses eleitorais do principal grupo aliado.

A escolha deixou de envolver apenas o nome do vice. Passou a definir também como a candidatura governista chegará ao primeiro dia da campanha.





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