Início GERAL Pivetta parte para o ataque e promete expor emendas de Wellington

Pivetta parte para o ataque e promete expor emendas de Wellington


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O governador Otaviano PIvetta, durante coletiva de imprensa, no Palácio Paiaguás

A dois dias do início oficial da campanha eleitoral, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) elevou o tom contra Wellington Fagundes (PL) e deixou claro qual será uma das linhas de ataque contra o principal adversário na disputa pelo Palácio Paiaguás.

Serão a trajetória de quase quatro décadas do senador no Legislativo e a destinação das emendas parlamentares sob sua influência.

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Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (14), Pivetta afirmou que Wellington teria movimentado mais de R$ 1,5 bilhão em emendas nos últimos 12 anos e prometeu mostrar, durante a campanha, onde esses recursos foram aplicados.

“Só nos últimos 12 anos que ele é senador, distribuiu mais de R$ 1,5 bilhão de emendas. Procurem saber onde estão essas emendas, daria pra fazer quatro hospitais centrais”, afirmou.

O governador classificou Wellington como um “negociador voraz de emendas” e contrapôs sua própria trajetória empresarial à carreira política do adversário.

“Durante a campanha, vamos mostrar onde ele colocou essas emendas. É um negociador voraz de emendas. Essa é a profissão dele”, disse.

Pivetta sustentou que entrou na política depois de construir uma trajetória empresarial, enquanto Wellington fez carreira no Congresso.

“Eu não vou conseguir suportar uma comparação com alguém que nunca trabalhou no Executivo, só no Legislativo”, afirmou.

O discurso indica que Pivetta pretende transformar a disputa numa comparação entre gestão e atuação parlamentar.

De um lado, buscará apresentar obras e resultados dos últimos sete anos e meio dos governos Mauro Mendes/Pivetta.

Do outro, tentará obrigar Wellington a prestar contas dos recursos destinados por meio de emendas.

As declarações sobre os R$ 1,5 bilhão, entretanto, são de responsabilidade de Pivetta e precisam ser confrontadas com os registros oficiais das emendas apresentadas por Wellington.

O governador também retomou acusações feitas pelo ex-governador Silval Barbosa em delação premiada envolvendo Wellington e Cinésio Nunes de Oliveira.

As acusações citadas por Pivetta não foram comprovadas contra o senador. Cinésio foi absolvido recentemente pela Terceira Câmara de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça em processo envolvendo suposto esquema de propina.

HERITAGE — Se contra Wellington o discurso foi de ataque, em relação aos aliados atingidos pela Operação Heritage, Pivetta adotou uma postura de defesa, embora tenha reconhecido o impacto político provocado pela investigação.

Na entrevista, ele confirmou que Fábio Garcia (União Brasil) era seu nome preferido para a vice e também o preferido de Mauro Mendes.

A operação, porém, obrigou o grupo a rever a composição.

“O vice preferido do Mauro era Fabinho e o meu também, tanto que eu havia anunciado na convenção o Fabinho como vice. Tivemos essa operação que mudou um pouco, precisou que os nomes citados dessem um passo atrás para a gente poder retomar a nossa campanha com a liberdade necessária”, afirmou.

Pivetta admitiu que a mudança lhe causou “dor” e “tristeza”, mas disse que a discussão sobre a permanência de Fábio foi superada por consenso.

Fábio deixou a chapa e retomou o projeto de reeleição para a Câmara Federal.

Pivetta escolheu a deputada estadual Gisela Simona (União Brasil) para a vice. Mauro Carvalho, outro nome atingido pelos desdobramentos da operação, deixou a Casa Civil.

O governador disse acreditar que Mauro Mendes, Fábio Garcia e Mauro Carvalho conseguirão demonstrar que não cometeram irregularidades, mas fez uma ressalva: cada investigado terá de responder individualmente por seus atos.

“Se houver, cada um de nós tem um CPF. E cada um de nós tem que pagar pelos seus erros”, afirmou.

Pivetta também disse que não acredita que campanhas eleitorais devam impedir investigações contra políticos.

“Eu acho que não tem que barrar nada. Na minha opinião, nós, homens públicos, estamos sujeitos a serem investigados a qualquer tempo. Todos nós”, afirmou.

Para ele, entretanto, investigações precisam ser conduzidas com transparência para evitar que reputações sejam destruídas antes da conclusão das apurações.

A declaração foi dada ao ser questionado sobre proposta defendida por José Medeiros (PL) para restringir operações policiais durante o período eleitoral.

MAURO — Pivetta voltou ainda a defender Mauro Mendes, candidato ao Senado em sua chapa, diante de outro caso que veio à tona nesta sexta-feira.

A Justiça Federal de Campinas encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) parte da investigação da Operação Hermes, diante de suspeitas relacionadas a Mauro em investigação sobre comércio ilegal de mercúrio utilizado em garimpos.

“Eu nunca vi, nunca tive notícia de que ele tenha praticado algo ilícito. Então eu confio nele. E tudo o que é especulação que tiver, para mim não passa disso. Eu confio no Mauro e nós vamos seguir em frente”, afirmou.

A decisão judicial aponta Mauro como sócio de uma das empresas investigadas e registra “indicativos importantes” relacionados aos fatos apurados. Com a remessa das peças, caberá ao Ministério Público Federal avaliar as providências.

UNIÃO BRASIL — Pivetta também procurou afastar a existência de uma crise com o União Brasil depois da disputa interna que derrotou o projeto de candidatura própria de Jayme Campos.

Ele confirmou a permanência de Dilmar Dal Bosco como líder do Governo na Assembleia Legislativa, apesar de o deputado ter afirmado durante a convenção que o União havia “traído o próprio partido”.

“Ele agiu defendendo a posição dele dentro do partido. Isso são expressões da democracia”, disse Pivetta, acrescentando que o episódio “passou”.

Sobre a escolha de Gisela Simona, afirmou ter recebido liberdade dos aliados para decidir a vice e classificou a composição como produto de consenso.

“A Gisela é produto de um consenso […] não há nenhum trauma em relação a isso. Está tudo restabelecido”, afirmou.

Cuiabá e VG entram no centro da estratégia

A entrevista também revelou um movimento importante para a campanha: Pivetta pretende dar maior peso eleitoral e administrativo à Região Metropolitana.

Embora lance a campanha às 8h30 de domingo em Lucas do Rio Verde, onde construiu sua trajetória empresarial e política, o segundo ato ocorrerá em Cuiabá.

Pivetta disse que pretende direcionar “mais energia, mais atenção” e recursos estaduais para Cuiabá e Várzea Grande, lembrando que as duas cidades concentram cerca de um quarto da população de Mato Grosso.

Na própria coletiva, o governador telefonou para o secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, e colocou a ligação no viva-voz para enumerar obras em andamento na Capital e na Baixada Cuiabana.

Foram citados BRT, viadutos, pavimentação de bairros, aproximadamente 80 quilômetros de revitalização de ruas, Contorno Norte, novas pontes sobre o Rio Cuiabá, ligação com o Chapéu do Sol e projetos viários em Várzea Grande.

O movimento sinaliza que a disputa por Cuiabá e Várzea Grande será uma frente importante da campanha de Pivetta, mesmo com o lançamento simbólico em Lucas.

FUTURO — O governador também começou a antecipar propostas para um eventual novo mandato.

Uma delas é transformar Mato Grosso em polo de produção de biocombustíveis e ampliar a utilização de biomassa.

Pivetta defendeu um programa de florestas plantadas para fornecer biomassa à indústria e afirmou que pretende fazer de Mato Grosso um Estado produtor de biocombustíveis com “carbono negativo” até 2035.

Segundo ele, a expansão industrial aumentará a demanda energética e exigirá fontes complementares à energia solar.

“Nós vamos ser um polo de geração de biocombustível, assim como é o Oriente Médio, lá no petróleo”, afirmou.

PRESIDÊNCIA — Uma questão, contudo, permanece sem resposta: qual candidato presidencial estará no palanque.

Pivetta não declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou apenas que apoiará um nome capaz de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Nós queremos ajudar o Brasil a aposentar o Lula. Vou trabalhar para isso”, disse. A definição, segundo ele, deverá ocorrer no início da próxima semana.

A coletiva desta sexta-feira, portanto, serviu como uma espécie de transição entre a crise da última semana e a campanha que começa domingo.

Pivetta tentou fechar as feridas abertas pela Heritage, reafirmou Mauro Mendes como aliado, acomodou a dissidência no União Brasil e, principalmente, escolheu Wellington como alvo.

A partir de domingo, sua estratégia será tentar transformar uma eleição até agora marcada pelos problemas internos de sua própria aliança em uma disputa sobre qual dos dois principais candidatos tem mais resultados para apresentar ao eleitor.





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